domingo, 10 de março de 2024

Morre-se ao meio-dia

Ensombrece o passo tardo
lentamente o sol por sobre
viadutos por sobre a minha
existência.
Ando torto, quase ébrio, mas
sobriamente caminho rumo
ao futuro de minha vida.
A morte, é claro. E se paro
para tentar desviar o caminho,
a nova direção que tomo me
leva para a mesma sorte
como se me fosse um atalho
para meu triste destino.
Eu não quero morrer do
mesmo modo que ousei viver,
e tentei, sim tentei, por quase
quarenta e tantos anos
eu quis ingenuamente viver,
porém, se não vivi só de
dissabores, foi porque em
alguns momentos me permiti
fingir satisfação e felicidade,
contudo, a tristeza e a
insatisfação com o mundo
foi sempre toda a minha
sinceridade.
Agora saio das sombras e
percebo o sol, ilumina-me,
ilumina-me as ideias e ao
olhar para cima para vê-lo,
vem-me a idéia final.
Subo até a pista que corre
por sobre o viaduto e paro
para olhar lá para baixo
onde estava a viver os meus
últimos instantes de vida,
lentos e longos momentos
de aflição.
Me lanço, me jogo lá de 
cima e meu corpo magro
produz um ruído seco e
silencioso ao se arrebentar
no chão.
Minha morte passa despercebida
assim como foi nessa existência
torta toda a minha desgraçada
vida.

sábado, 9 de março de 2024

A vida (não) é boa Sim

O corpo sangra
Os olhos choram
A boca cala e
Os pés cansam.
As mãos não alcançam e
As pernas pesam
O coração para e
Quando bate é em arritmia. 
A cabeça não pensa e
Quando pensa é esquizofrenia. 
A alma é do Diabo e
A namorada é do melhor amigo. 
Minha amante as drogas e
Minha religião a poesia.

A madrugada acaba, a vida passa e
e enquanto se morre um pouco a
cada hora:
o Sol brilha forte lá fora ou
a Chuva cai e os pássaros cantam,
as Árvores e plantas florescem, 
frutificam,
os Animais multiplicam-se e parecem
viver felizes...

Eu acordo de mau humor,
me deparo com uma existência 
medíocre e dou um tiro na cabeça. 
Mato aquele pensamento que queria
me matar. Quando desperto feliz,
logo vem Deus ou Jesus, sei lá, 
me foder. São tantos demônios e
deuses e filhos da luz e bastardos 
que na maioria das vezes são todos 
mais do mesmo e a mesma coisa e
tanto faz, pouco me importa,
não fazem a menor diferença. 
Eu só quero na próxima existência 
ser uma Sequoia Gigante ou uma
Araucária pinheiro-do-paraná. 




quinta-feira, 7 de março de 2024

Arrebatamento

Meu amor é minha vingança 
e todo o ódio que sinto por tudo
é minha revanche, entende?
Amar o próximo. 
Minha redenção a destruição 
completa de Deus pelas mãos 
dos Homens, 
e minha glória é ver a 
humanidade toda em chamas...
ardendo no fogo das próprias 
paixões. 

terça-feira, 5 de março de 2024

Trash Icônico

Para Deuses mímicos. 

Entrance...sem tranca,
em transe   em transa.
Todo acesso é porta de
saída para poetas ul'-
trágicos, 
em trajes atípicos de
como sempre quase
sempre desnudar 
episódios tragicômicos, porém, 
sem graça e sem rima,
e como sempre me convém, 
sem métrica.
Tragédia Poética. 

Desmistificar a nudez
descomunal desde verbos
minimalistas até estes
grandiloquentes versos 
irráciveis e verborrágicos
também.  Dizem tanto e
falam nada, e tipificados 
assim, 
            jazem já ou desde
            já desejam morrer,
            como um déjà vu
            para quem já 
            desejou a morte.

Eu desenho a morte e o
design dos versos que a
caracterizam se assemelha 
ao cenho de vidas que
definham em felicidade 
mórbida. 

Típica Vida que Poetas Levam.

Eu não levo a vida assim
mas também desejo fazer
versos.

O gestual dos palhaços me aborrece.

Minha Mãe jamais quis que eu 
fosse um pároco, um religioso, 
ou um grande orador. 
E o diabo de um Poeta é o que 
me tornei convencendo minha
alma a jamais se calar diante do
circo de horrores que deveras é
um céu católico.

Desejo o Céu Outra Vez.

sábado, 2 de março de 2024

Pentagrama

Impossível fazer poesia.

Que fira o brio da
ferida e tire dos seus
olhos o brilho 
psicopata do olhar de
uma fratricida facínora:

              Orgulhosa da vida
              que leva, vida que
              a leva a tirar vidas,

pelo prazer de ferir e
matar.
Ah! Métrica Maldita!
Que minha Poética
Redentora seja tua
última e única saída,
que a partir dela você 
não caiba mais em
nenhum Verso que
queira existir livre
em toda e qualquer 
Poesia que versa sobre
liberdade de escolha da escrita
e de toda prosa poética.

               Tu és da Poesia a mais
               terrível dor crônica:

Tua face
em farsa
           [quase,
um disfarçe
em festa, e
falseia a
beleza das
formas disformes,
           [assimétricas,
assimilando assim
em performance 
           [errática
um perfeccionismo 
cada vez mais
atrofiador de
           [intrínsecas
inspirações proféticas.

E toda profecia deve
ser de cada vez mais
Poesia cada vez mais
livre e torta e fora-da-
lei da cartilha de como
fazer rimas com
quadrados e retângulos
com réguas e estéticas.

Eu entrelaço triângulos. 

Alusão

Audácia sempre foi minha
palavra favorita. Audácia 
minha característica inventada
preferida desde muito cedo.
A palavra sempre foi minha
perdição, eu criança audaz
não sem deuses
Hoje já mais audaz desde então, 
eu poeta maior cada vez mais 
sem deuses, os poucos que 
ainda me apego aos poucos 
vão-se fazendo demônios à
minha audácia e relevância...
assemelhamo-nos à carapuça 
que vestem reis.

sexta-feira, 1 de março de 2024

Foda-cê

A poesia é responsabilidade
de quem lê,
o poeta nem sugere,
nem dá a ideia,
o poeta imagina a
possibilidade e o leitor
interpreta.

Pule!

poesia é o 
que quer que
seja o que
quer que seja
o que quer que
seja,
mas será sempre
responsabilidade de quem lê
e jamais do idiota que
escreveu. Tampouco do prédio.