Dizem que quando alguém muito nobre,
e de espírito elevado morre,
chove muito, por muitos anos.
fora e a alma que sofre
aqui dentro são da mesma
estirpe e natureza. São
irmãs gêmeas separadas
no berço. A alma que me
habita desceu para terra
de sua nuvem natal para
brincar de ser matéria e
acabou que se aprisionou
sem querer em um casulo
que é meu corpo, precisava
dessa forma para poder
passear por aqui. Quando
quis voltar já não podia
mais, não tinha mais a
leveza necessária para
voltar. Então veio a chuva
procurá-la e levá-la de
volta. Mas como a chuva
irá achá-la se eu aqui dentro
estou protegido pelo telhado,
escondido sob o teto da
casa? Então ouço a chuva
cair e ouso sair e ter com
ela para testar a sapiência
do céu e descobrir se ele
sabe que minha alma, irmã
gêmea da chuva está aqui
dentro de mim, cativa do
meu corpo. O primeiro passo
dado para fora fora o último
passo dado, pois desceu do
céu um poderoso raio abrindo
ao meio o cativeiro e libertando
finalmente para a chuva a alma
irmã que ela tanto procurava.
Assim abruptamente parou de
chover e jamais voltou a cair
outra vez.