sábado, 7 de novembro de 2026

Há Muito Amor Não Há

Ah! não há 
mais tempo.
Há muito 
não há mais.
Imagina, mas já?
Havia tanto.

Acabou que não amais.

Tempo há,
amor é que
nunca mais.

Dest'Arte

Detesto 
      esta 
      arte.
       Isto,
odeio 
       isto
desta Arte.
Destarte,
   esta
        arte
por isso não presta.

Gnômon Noturno

De hoje em diante
só haverá ontens 
e amanhãs, porém,
se daqui eu voltasse,
ontem seria meu
amanhã, e o amanhã 
de agora anteontem.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Exadicto

As drogas me deixaram,
não uma nem duas, mas
seis vezes ou mais, e eu
deixei meu vício, embora 
ainda viçoso, como quem
larga, deliberadamente,
a mão de uma criança em
uma multidão em 
movimento contínuo.
Sem culpa, me pergunta
a alma? Não. Jamais.
Só há remorso e abandono 
agora.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

À Prova de Balas

Mergulhar de cabeça 
no disparo de um
tiro: matar o revólver.

Meus bravos pensamentos 
de encontro a um 
balaço: matar o revólver.

Minha consciência aprovar,
a provar da matéria e ciência
do projétil: matar o revólver.

Morrer a arma.

Quase Quando

Um alvo raro em direção 
a um lugar-comum. Meu
olhar na mira do
horizonte que atira em
mim sua paisagem 
longínqua e convidativa.
Eu parto e quando quase
perto de chegar jamais
chego.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Insipidezes

Em, quando calado, o que nunca
falei, teu silêncio sabe.
Enquanto houve sons do escuro,
do que não vi, que os ouvidos 
falem, e digam o que viram. 
Má, a língua, ouviu comentarem
sobre algo, as boas palavras que
não disse.
Existe aqui em síntese sobre nada,
sendo como quem (esse) nada 
sentisse, a sinestesia anestesiada 
sobre si, provando o gosto de sua
matéria.