quarta-feira, 8 de julho de 2026

Quando Ontem será

Morrem aos montes
muitos Hojes querendo
ser Amanhã, e deixam
de viver a glória que é
ser Hoje, pois um número 
muito reduzido consegue 
chegar lá, e quando 
conseguem perceber-se
Amanhã, quase todos
lamentam ser e parecer
o mesmo Hoje de antes,
mas acontece que antes
Eles eram verdadeiros e
atuais, úteis, e agora se
veem deslocados, obsoletos 
e ultrapassados.

domingo, 5 de julho de 2026

Práxis

Entre as vísceras do poema,
por entre as entrelinhas, nas
entranhas do âmago dos
versos, lá, ao longe, de onde
nasce e surge toda a sombra
ou sorte de cores cinzas e
púrpuras que colorem sua
escrita, ali, entre penumbras,
se abriga e habita o poeta.
E aqueles que encontram seu
esconderijo, ao voltarem de
lá, não voltam, ficam para
sempre achando terem 
escapados. Mas jazem lá 
suas almas, sepultada e vivas.
E delas o poeta se alimenta e
municia sua poética e afia a
lâmina do aço de sua verve
nos crânios das almas cativas
para poder produzir mais
versos e para que sua poesia
possa fazer mais vítimas.
Esse poema é carne, leitor, e
sua alma pertence agora a 
esse corpo poético.

Versos Saturnais

Meus versos são máscaras
vivas, másharas, alegorias
místicas que usam meu
rosto e face como traje,
usam minha cara de poeta
como fantasia para suas
festas regadas a drogas,
sodomização da métrica e
sexo entre deuses e Eles.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Degeneração

O morrer inventou a morte,
                                    a morte
o poeta,
o poeta     inventou a solidão,
                                    a solidão 
a poesia...
a poesia tende a matar Deus...
                                           Deus,
o inventor de Homens,
horríveis bestas, da natureza
a criatura mais feia, a única
a ser facínora:
Da poesia ao poeta:
deves criar um criador
sem jamais cair em redundâncias,
parece impossível porém:
o Homem criou Deus,
inventado à sua imagem
e exata semelhança.

domingo, 28 de junho de 2026

Aeternalismo

Escrevo a vida, porém,
confidencia a morte minha poesia.
Escrevo para não morrer.
O que quer dizer que escrevo a
eternidade.
O que seria do prassempre que
haverá eterno,
se não fosse esse instante que
acaba agora?

sábado, 27 de junho de 2026

Que permanece por muito tempo no mesmo lugar

Deus é um morador de rua,
um mendigo, um pobre Diabo.
Vive de esmolas, moedas, migalhas.
O pão dele de cada dia você não 
deu hoje, não é mesmo?
O pão dele de cada dia depende da
boa vontade dos transeuntes que
por Ele passam.
A caminho da igreja você passa
apressado, ignora, passa por cima,
atropela, violenta, agride, manda 
ao inferno... põe fogo.
Chega sobressaltado ao destino,
senta-se buscando abrigo e consolo.
Ora, reza, pede, chora e se emociona,
sente-se acolhido, como um escolhido
entre milhões.
Contribui generosamente com o 
dízimo, deixa o pastor, o padre, a igreja,
deixa a igreja mais rica, feliz, satisfeita.
No caminho de volta para casa prefere
ir por outra rua, para não ter de cruzar
de novo com àquele desgraçado,
vagabundo, que nada faz senão deixar
o mundo, a vida, um lugar mais feio
e sujo.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Prescrevo

O silêncio 
me falta
sempre
quando
eu não 
tenho a
palavra:

É quando 
sempre escrevo.