ou melhor, seria mais,
seria feliz e não.
E quando triste, seria
toda. Teria dias em
que desejasse sumir e
seria encantadora
quando fosse plena
toda felicidade dentro
dela.
Se chamaria Natália e
poderia querer ser
nutricionista e também
advogada, poderia ser
balconista de lanchonete
e trabalhar com artesanato.
Não namoraria antes dos
vinte anos e seria lésbica,
ou morreria virgem ou
seria prostituta...
ou se casaria cedo, aos
dezessete e teria três filhos,
separaria doze anos depois
e iria embora para Curitiba
(talvez viajasse para Sebastopol
ou não, quem sabe fosse para
Portugal morar em Setúbal ou
não...e talvez o mais longe que
fosse seria ir até a passarela de
Solférino e se jogar no rio Sena,
mas muito provavelmente não.
Porém, quem poderá afirmar
que nunca?) e casaria de novo
ou jamais se envolveria com
alguém outra vez. Seria tanta
coisa e quanta coisa faria, porém,
poderia viver nas ruas e morrer
jovem, viciada, ou morreria
muito idosa, seria fumante e
depressiva, diabética e cardíaca,
ou seria sempre saudável e
morreria com saúde em um
acidente de trânsito numa
terça-feira fria e de céu cor de
chumbo. Chovia muito nesse dia.
Quase não sofreria a vida toda ou
teria uma vida sofrida desde o
berço até o túmulo.
Mas não pôde ser nada, embora
tanta alegria tenha trazido para
a Mãe durante a gravidez, foram
nove meses ou quase de muita
vida em formação, e quanta
satisfação trouxe para a família.
Mas acontece que na hora de nascer,
saiu do útero de sua Mãe já moribunda,
deixou a barriga sem vida e assim
nasceu morta.