sábado, 26 de setembro de 2026

C'os Sapos de Manuel Bandeira

Coacham comigo
os sapos que toda
noite é linda...única, 
e coaxo com eles
pra lua seu canto.

Oh! my Bob

Ah! como é bonito ver brincar
o menino Jesus, entre anjinhos 
e querubins: brincar de brincar 
de ser criança, nosso reizinho.
Deus moleque...
vive de brincadeiras e não leva
nada a sério, não é à toa que é
um fim do mundo atrás do outro
pra maioria da humanidade. 
Deus ama brincar de desgraça,
milagre é puxão de orelha. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Quintal

Para não ser só mais um
a ornar os mortos com 
flores mortas, eu decidi 
plantar flores por todos
os cemitérios, e como sei
que morto gosta de terra
e flores gostam de mortos,
resolvi também fazer do
meu jardim um cemitério. 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Sereníssimos

De uma quase sempre presente
vida que se configura morte
essente, extrínsica e senhora de
si, à medida que vivo, digo, à
medida que vou morrendo, dessa
vida eu extraio aquilo que 
levarei comigo quando minha
alma liberar meu corpo e
libertar-se também, levarei
poesia comigo para o berço da
morte, e se em seu leito eu a
encontrar sozinha, terei prazer
em lhe fazer companhia, e serenos,
seremos um casal perfeito,
a morte e o morto.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Rectrix

A poesia é o céu do voo 
da minha escrita: 
minha mão um pássaro, 
meus dedos tortos 
segurando a pena são 
asas assaz cansadas de 
voar, são asas perdidas 
procurando pouso.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

De Sertão

Se fosse som sem
significação meu
silêncio seria só
ruído branco, 
mas nem som é
e tampouco é
oração. 
Esse silêncio é meu dialeto.
Meu silêncio enquanto 
jejum da fala devora
todo esse lamento
árido desse negro
desertão que é 
minh'alma.

Como tocar no violão 
Ilusão de sons no deserto?

sábado, 12 de setembro de 2026

Hoje em Dia

Acaba que ainda
ontem o amanhã 
era hoje...
e se doravante, 
se em
retrospectiva olhar,
irá perceber que
antes disso, o amanhã, 
esse mesmo amanhã 
de hoje, já estava há 
muito tempo lá. 
Estragando-se, em tempo
útil, sem uso, e hoje usa-se
a gastar o que já é obsoleto.