quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Parasitismo

E o milagre 
que virá não 
veio:

Pesar é certeza!

E apesar do
fim ter
chegado antes,
diga-me,
eu ainda creio?

-Azulejo o solo
para receber teus
joelhos, porém, 
teus pés cansados
desfilam passos
pela lama rumo
ao desfiladeiro. 
Ouve, não és o
primeiro.

Mas valerá todo
o meu sofrimento 
se Eu for o 
último...o Teu 
último hospedeiro.

domingo, 27 de outubro de 2024

Poema para E.M. Cioran

Nos cumes do desespero
é possível avistar ao longo
de todo o horizonte um
breviário da decomposição,
pois são silogismo da 
amargura toda a história e
utopia, refletem todo o
inconveniente de ter
nascido você (todos os teus
eu's antes de ti), e Eu que o
diga, uma vez que nunca fui
o mesmo diante dos espelhos
d'alma de deuses que jamais 
existiram e que tendem a me
replicar desmedidamente de
modo pormenorizado pelo
curso do tempo.

sábado, 26 de outubro de 2024

Evangelho Reverso

Amor te sobre
todas as coisas
como a morde 
Jesus amar os
outros como
a si mesmo:
e Eu me odeio...

A miséria do Ser 
a morder a minha morte.

Provar a própria carne
contra a fome...O Corpo...
a Salvação. 

Prática Teatral Desastrosa

Contra encenar ser
feliz para sempre, 
eu busco felicidade 
interna...assim meu
sorrir é sempre pela
queda da eternidade 
e o bis da sinceridade 
da tristeza que acaba 
é o que emociona a
alegria na plateia. 

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Pacto

Eu desisto deveras,
como você deveria
consigo:

dos Sonhos.

E a partir de agora
tentarei a insônia, 
como você também 
deveria comigo:

Acordemos.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Entediado entre Diabos

Minh'alma uma Deusa fantástica,
uma prosaica prostituta que adora
se adornar como uma dama adepta
de toda uma sorte de luxúrias dos
tempos de la belle époque. 

Minha cabeça um revolucionário 
fadado ao fracasso por acreditar 
demais em ideologias fantasmas,
que buscam sempre definir conceitos 
utópicos fundamentados não naquilo 
que acredita, mas sim no que acha
que àquele pensador do século 
dezenove acreditava.

Meu coração um punk estúpido e
radical de punhos e pulsos cerrados
e violentos, que apela sempre para
a autopiedade supra destruídora e 
catapultando as cocaínas em noites
de luas cheias super brancas...
observadas pelo meu corpo magro
sentado sobre si mesmo, entupindo 
o mesmo corpo como se fosse um
frasco vazio a ser preenchido, 
bebendo absinto até querer morrer
à la Paul Verlaine.

Por fim, gostaria que Deus com
seus dedos tortos escrevesse em
minha lápide um epitáfio em
versos que Ele julgasse perfeito
para mim, e então escreveria assim:

Esse Ateu Errante
Morreu Tarde Demais 
Sem ao Menos
Acreditar em Si.


domingo, 20 de outubro de 2024

Usufruto

Jamais permitir que
caia em desuso o
ato de provar da
fruta que Eva comeu:

Que viver não seja
uma infrutífera certeza,
como a morte pode ser.

Eu quero do fruto a dúvida, 
do uso do fruto até a semente 
da árvore; do conhecimento 
para meu status de a postos
sempre quando precisar me
posicionar, e esse quando é
sempre, passando pela
vontade de poder de toda
rebeldia. 

Uma árvore para poder se balançar,
quer seja em um balanço, ou quer
seja pelo pescoço.