curto poema vários
versos foram vistos
sem vida.
Os que não estão
mortos mataram
os que não estão
vivos.
A métrica covarde
fugiu e levou
consigo seus vis
versos assassinos.
O poeta ficou só,
ferido, contando e
recolhendo os seus
mortos.
Ainda há sangue
entre linhas,
e dizem alguns
versos rendidos,
metrificados,
que esse foi só
o primeiro poema.
Muitos outros ainda
hão de ruir,
e a métrica, algoz
da musa sequestrada,
só irá parar quando
conseguir derrubar
o poeta, e esse poeta
que jurou jamais
pegar em armas,
promete vingar os
seus versos, e só
irá descansar sua
pena quando
libertar sua musa
e fazer com a
métrica o que ela
sempre fez com os
versos: esquartejá-la
para fazer caber
no formato quadrado
duma caixa de madeira
e enterrá-la em cada
poema sem métrica
fixa nem rima regular.
Será para sempre
ela a personagem
cativa no absurdo de
um caos poético mundo
que sempre tanto
combateu e repudiou.
Caberá ao leitor ir
fundo no profundo
do texto...do poema,
e para encontrar a
caixa, desenterrar
a métrica para essa
jurar-me vingança
uma última vez.
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