sábado, 18 de dezembro de 2021

Amanhã será Ontem

Passado é no
futuro, pois o
dia de hoje
amanhã será
ontem.

Amanhã será ontem!
Hoje será ontem amanhã!
Ontem era amanhã hoje!

Q u e   Dia  é  Hoje  me
pergunta o calendário
depois do poema, desse.

Mais que passado

Desde sempre tanto tempo
tendo passado e a vida a
olhar pro futuro, típico olhar
viciado. O amanhã eu quero
hoje do mesmo modo que
ontem pela janela do meu
quarto eu observara o hoje
me desafiando a querê-lo
antecipado, eu o quis como
vício, desejo antes do tempo
o depois de todas as coisas.
Desde sempre antes do tempo
é característica do passado,
entre mim e a ansiedade
amanhã e morte...
Eu ansiedade sem pressa,
com alguma calma sou de
um tempo sem tempo algum
determinado.
Desde sempre,
característica de minha alma,
eu ansiedade sou do tempo
um viciado.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Amorama

Amor vida
amor mata,
vive!
amor ama?

Mata-me o amor
apaixonado pela
vida,

mata-me quando
sobrevive,
quando sobrevive
apenas...

...vive apenas, sobre, e não ama.

Amor mata
amor morra,
amor vida, desengana.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Contextura

Desposa a solidão e
faz dela um templo,
vive junto aos seus
sonhos e fez deles
santos quando percebeu
ser o sonho o Deus
de todos os medos:
Deus é temor.
Eu temo te amo em sonho;
Eu sonho dizendo agora;
Sonho o amanhã dormindo hoje.
O medo desperta,
lança-me para um cotidiano ou
vórtice:
Eu voz eu calo;
Eu mudo eu grito;
Eu pés eu paro;
Eu estrada eu parto,
subvenciono meu ego subvertendo
a fobia em ilusão de que venço os
medos todos o tempo inteiro,
todo o tempo é mentira
e verdade mesmo é em tempo algum
toda a minha falsa valentia.
Eu danço minha última valsa
todos os dias,
eu canto com os cisnes meu
último canto todas as horas.
Versejo o que sente a vida
e pensa o mundo em minha poesia,
sempre e, em instantes raros,
também agora.
Ser o mais solícito possível
com a minha solitude ardil,
um altar,
um andor,
e à semelhança dela
um ídolo com formas
de um abismo cósmico
pendurado pelo templo,
com a mesma alma e com
o mesmo ardor frio.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Veículo Inerte

Erro raro, acaso e
caso a caso quando
busca ser outro, esse,
nunca passa de quase
ele mesmo:
Veículo inerte onde
as sensações todas se
misturam em sinistras
sinestesias para propôr
a esse que seja ao
menos, por vezes, 
agente de si mesmo.
Ele é o não é que
sempre foi sem muito
esforço existencial sua
melhor versão:
Não é outro senão ele
próprio;
Não é cópia senão
original. Porém,
quando foge das suas
buscas, passa a ser 
como outros, omisso
míssil irresistível,
um quase, um não,
um mesmo,
um mesmo como 
àquele igual.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Insane Consciência

Canções do escuro
e clarões em silêncio,
em suspenso (suspense)
a queda e o chão.
E suspeito de ser quem
é, a culpa que o acusa
de sê-lo, só existe 
mesmo quando em
momentos de lucidez
se decide deliberadamente
enlouquecer,
sorte ou outros azares ou
simples mente
asas à razão.
Quem é que não quer
ser aquilo que não se
pode acreditar?
Eu quero ser aquele que
irá desacreditar o mundo,
amar doer sangrar a vida,
decepcionar quem não
desconfia de mim,
cair pra cima após
tropeçar sem gravidade
nas coisas do caos que
começam, coisas imemoriais,
que começam a girar.

sábado, 4 de dezembro de 2021

Neuroticismo

Eu sou o meu perturbador,
eu não,
eu sou,
não eu,
o meu perturbador.

Eu não!
Eu nunca,
hoje talvez seja apenas
eu mesmo,
não eu,
o meu perturbador.

Eu sou sim,
o meu perturbador,
antes já era eu mesmo,
mas quando disse
eu não,
eu mesmo não disse
eu não, foi o meu
perturbador,
não eu,
o meu perturbador.

Alta ansiedade em alta,
ânsias de um tempo em
alta voltagem,
eletricidade o ar que se
respira com dificuldade,
angústia e terror.

Eu sou sim assim
o meu perturbador,
pânico em paz em
minha cabeça,
tranquilidade é como
cocaína, tristeza e
tempestade, breve
como um ímpeto e
eterna como a 
liberdade, eu,
o meu perturbador,
livre sempre para me prender.

Como alguém outro,
livre e satisfeito,
que fica pensando
em como não, como
é não ser,

quando
              amanhã
hoje      apenas
              ontem.
Quando
              ontem
amanhã o
              hoje
ainda não
e já foi.

Algum dia quando não,
lembrarei qu'eu fui,
pra sempre, um dia,
o meu perturbador:

quando o semblante
do silêncio em total
desespero, e o desespero
calado pelo pânico,
sofrer por querer o futuro
como sofre a fuga do passado.

Denso e tenso o
tempo todo, inteiro,
dentro do intenso
de cada momento de
completa distopia,
o fim do mundo é
todo dia e todo dia é
véspera de ser
o fim de tudo de 
todo o eu,
o meu perturbador.
-Eu sou!