sábado, 25 de janeiro de 2025

Atento para com a vida

Eu lido com tudo isso há muito tempo...
comigo mesmo e, lentamente, o tempo 
que me resta me arrasta com ele por
sobre todas as coisas.
Eu leio pelo caminho o desenho dos
meus passos e percebo que quanto mais
volto meu olhos por onde passei mais
meu destino se faz incerto uma vez que
não olho por onde vou e sim por onde vim...
e sim por onde vago, e onde chego e
quando chego, é sempre desse lugar que
parto. E sigo...e volto meu olhar ao largo
e desejo que meus passos não me sigam,
para que jamais me mostrem o caminho
de volta outra vez.
O tempo leva consigo nós todos,
e o dia de hoje me parece interminável. 
Eu levo minha vida comigo no caminho
que trilho para a morte, elevo minha
morte ao posto de Musa e me desfaço da
vida como me despeço com um até mais
ver de alguém que sei que nunca mais verei
de novo, e no fundo por querer revê-la,
não desperdiço meu adeus. Minha existência 
é estranha como é estranho querer rever
alguém que não se conhece. 
Como saber quem se é de verdade sem ao
menos atentar contra a própria vida uma
única vez?
E tirando o A como prefixo de negação eu...
Eu tento sempre.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Enseja

Sê um Ás voraz e
devorar-se, ou também 
árvore ser e arvorar-se 
assim em si e ser
floresta para os seus
que buscam sua
natureza e ser sustentável. 

Ser o ar e, eventualmente, tempestade:
afetar ares de...
plantar em si sementes de céu e semear-se,
viver como ser a chuva a se molhar.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Ódio

Antes de mim eu já havia.
Nesta mesma vida e existência, porém, 
antes de agora jamais.
Ontem eu não existia,
embora seja eu um velho desconhecido, 
e o que hoje represento, em vidas passadas
nunca pude acontecer da maneira como 
em futuros tantos canso de ser.
Eu sou o fim de mim mesmo em meio
a muitas reconstruções diárias,
sou poética da retórica dos silêncios que
não pude calar. Eu falhei. Fui falho como
Deus é. E quando minhas palavras se voltarem contra mim, então poderei finalmente 
abraçá-las. 

O nosso problema é nos emocionarmos, 
não fosse o amor, seríamos perfeitos...

e isso é humano, não divino, e eu amo,
embora eu odeie a humanidade.  



segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Erros de Revolução

Vertedouro de mim a
expansão do universo 
quando eu em solitude
a verter versos:

Erros de Revolução!
Não festejo se versejo
assim sobre o vazio
do todo, mas grato se

preencho-me dessa essência 
e preencho desse mim mesmo
todo esse cosmo.

O Fim é próspero!
e vasto como eu sou,
é pouco, e jamais acaba.

sábado, 28 de dezembro de 2024

Falsa Ficção

Minha poesia não é suficiente 
para a maioria, esta necessita 
da mediocridade...divinamente. 
O que esperar de quem vive a
esperar alguma coisa de Deus,
de Deus, como pode, se nem
mesmo Deus há?
Más santidade existe, e é aí que
a maioria se torna mais cruel,
ficam mais parecidos entre si e
com Deus assim, e se sabem 
disso, tornam-se mais vis ainda.
Sabe-se que o espelho reflete
melhor diante do contato com
o olhar. 
De Deus se somos imagem e
semelhança, somos apenas
pura e simples falsificação...
Verdadeiramente. 

Éter Pedra

A miséria do
(meu) ser   a
morder com
fome e vontade 
a minha sorte. 
O azar de toda
e qualquer 
existência é a vida:
Celebremos!

Telescópio

Derredor de uma
fogueira de icebergs 
em Europa,

ursos lunares
observam Júpiter...

Enquanto aterrado 
busco entender o que
vejo daqui.