domingo, 28 de janeiro de 2024

Fotografia

Eu cedo amanhã 
ou cedo a manhã
para os pássaros
ou para o orvalho
que cai. Não sei
ainda o que será,
mas sei que eu
mesmo não desejo
despertar:
Quero Viver é a 
Madrugada dos
Poetas Ébrios.
De Verlaine prostrado e
seu absinto eu sou a fotografia.
Não quero o amanhã
enquanto ainda sou ontem,
hoje mesmo só existo por conta
desse poema, porém, nele me
permito estar desde que não
haja rima que sintonize comigo
enquanto me encaminho para
ter o mesmo fim que meus heróis
ousaram inventar.
Não falo de morte, eu falo é de vida,
e eu quero é cobrar essa dívida da
existência comigo desejando adeus
para quem chega e não me importando
nem um pouco por quem se foi deixando
sua gente triste com sua partida.
O abismo culpa o céu ou
elogia o chão por ser profundo fim 
de quem deseja mensurar o tempo
que leva sua queda?
Eu jamais desejei ter asas,
e o meu erro fatal foi sempre
querer voar.
Me jogo...

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

O Deus Lagarta

Fósseis de um futuro distante
entre novidades de um passado
remoto neste presente instante
falam da minha velhice atemporal
da alma para a juventude
ultrarromântica do meu coração:
   Foste um erro,
   foste um erro
   jamais acreditar
   na independência
   do seu destino.
   Hoje o erro cobra
   o preço pela crença
   no devir oriundo
   do divino.
O tempo mandou dizer que não
existe borboletas antes da crisálida.
Tarde demais saberá que o erro
primeiro foi abrir mão do casulo.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Paradigmas e Paradoxos

Do calor se deu o fogo ou
foi o contrário, 
do céu se deu o voo ou 
será que foi do solo,
para cima ou para baixo, 
quem cedeu o primeiro 
olhar de contato e olhou
para o outro com inveja, 
paraíso ou inferno?
Quem inventou a escada,
na primeira vez do uso,
inventou para subir ou
para descer,
e o primeiro poeta que 
desenvolveu o silêncio, 
por sua vez, o fez para
calar ou para dizer...
foi uma quebra de
paradigma ou foi um
paradoxo a invenção do 
amor, que tanto constrói 
e que destrói almas e 
corações como quase que
de propósito?

Garoas de Tempestade

Jamais o tempo para quando se
prepara o ânimo para planejar 
o ímpeto, 
acontece simultaneamente o
antes, o agora, e o que virá já se
foi como tempestade que vem
de outro lugar. 
Do mesmo modo o Sol.
Como nuvens que se movem
pelo céu, é itinerante o espaço 
que ocupamos no tempo, 
mesmo as árvores que se conectam
com o subterrâneo e aplicam a
filosofia do solo ao ar ao redor de
suas copas sempre quando chove
garoas de tempestade. 

domingo, 21 de janeiro de 2024

D'existir

Jamais  desista:
desde de continuar 
até de desistir. 
Seja. Resista.

Perceba o fim.

sábado, 20 de janeiro de 2024

Re-luz

Sê luz,
com nervos de aço,
como novelos de fé que não
desenrolam. 
Desatam nós com os dedos
cruzados, Deuses réus, 
e razoáveis:
Jamais reze como
novenas que desandam
e perdem o fio da meada
e caçam um Cristo indisposto
porém indispensável.
Senhores que praticam com
um fio de navalha uma farsa,
conversas fiadas em francas
frases de práticas de uma
escuridão admirável:
Reluz!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Transmudado

Minha escrita já foi pagã
quando meu Deus múltiplo 
não era a Poesia.
Hoje minha Deusa é minha
Musa e minha Pena um
púlpito dos Poemas que são
minha Igreja.
A métrica é o Deus dos
outros, deus este que repudío
em meus versos, meus demônios
litúrgicos.
Enquanto Eu, um Diabo de um
poeta Devasso, de vasto campo
poético para minha Deusa
fazer de mim seu vassalo 
absoluto.