sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Restos de Tudo

Sinto que sou pouco,
muito...
ao que penso que sou muito,
pouco...
Falta-me tudo e
sobra-me todos,
custa-me o peso de todo mundo 
ao preço do quanto
me é caro o mundo todo:
todo mundo não é o mundo todo,
o mundo todo sou eu,
todo mundo são os outros,
o resto de tudo e a sobra de todos.


sexta-feira, 12 de setembro de 2025

I gotta agora

Eu levo sempre comigo 
todos os meus ontens e
anteontens que fiz
pelo caminho, 
eu tenho-os comigo 
como detiveram-me
quando quis o futuro 
antes do tempo. 
Diante desse exposto,
expulso de mim o
eterno amanhã que
insiste em vir ter de
mim antecipadamente 
correspondências...
não quero ser no futuro 
o que há muito já sou
agora, o quando do meu
tempo é ontem...por hoje
é isso... não quero ser
postumamente lembrado,
quero celebrar o agora e
amanhã qu'eu seja 
esquecido por todos que
jamais me conheceram.

sábado, 6 de setembro de 2025

Out Imune

Tenho medo de ficar
a sós com minha poesia 
e Ela me devorar, por 
isso peço a todos que me
lerão um dia a fazer isso
em público para que
quando forem devorados,
tenham como testemunha 
o desdém de todos que se
perdem ao redor, e se
perceber que tu'alma 
encontra abrigo em meus
versos, saiba que est'alma
já é minha e que a partir 
desse instante, da doença 
incurável da minha poesia,
você é agora um transmissor 
infectado.

Ressaibos de Remorsos

Quando meu presente for rara
antiguidade e minha poesia
fóssil, evidentemente que não 
lembrarão de mim, pois jamais 
me conheceram, e ficarão 
surpresos em perceber que o
que descobriram é um espelho 
que sempre furtaram de se olhar
por medo do reflexo feio que
sempre ante aos senhores esse
mesmo horror a de lhes 
apresentar, porém, se tivessem 
percebidos a si nele antes,
hoje não teriam mais medo de
nesse presente antigo que espelha
teu íntimo a se admirar, se admirar...
e se admitir que o feio do teu
âmago lhe agrada, menos mau, pois 
pelo menos o mal dentro de ti
se enxerga.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Odeio Deus e Outros Diabos

Jamais serei Deus novamente.
Declino do convite da presunção,
pois o Deus Todo-Poderoso cabe
todo nesta frase e Eu tenho por
vontade genuína ser um romance 
de mais de mil páginas, minha
existência é maior do que poucos
versos de meia dúzia de palavras,
de orações que se repetem em
rezas que se fazem inauditas e
incompreensíveis em lábios 
rachados de idosas quase senis e
caquéticas.
O Deus de todo mundo não pode
ser o meu porque eu não sou 
todo mundo.
Eu sou o mundo todo,
eu sou o mundo todo livre,
um mundo todo repleto de
assassinos de colonizadores,
repleto de pagãos leitores de
estrelas e da escuridão, eu sou
a escuridão que temem todos
os adoradores de deuses, e eu
odeio todo Deus que não tem
espelho em casa, mas eu adoro 
dos deuses aquilo que possivelmente 
é o mais terrível medo deles,
desse modo, assim, jamais serei 
ateu e/ou pecador novamente,
não terei mais porque gozar
desses prazeres.

Discordante Conserto das Coisas

Mato-me...
Escrevo em círculos uma poesia 
que almeja libertar-se, seguir em
frente e ser independente do seu
poeta, do mesmo modo como o 
poeta a livrou do cabresto da mé-
trica, Ela deseja livrar-se dele:
a tinta livrar-se do tinteiro;
o tinteiro livrar-se da pena;
a pena livrar-se dos dedos tortos
do poeta, e os dedos desejam
veem-se livres da escrita, a escri-
ta, como toda escrita deveria ser,
deseja ardentemente ser indepen-
dente, porém, essa escrita agora
quer ver-se livre da poesia, e minha
poesia há muito já me dá de ombros 
e sussurra consigo querer também 
ver-me pelas costas...mas eu sempre 
vivi e morro por Ela.
Que leitor meu morreria comigo?

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Arroubar Fogo

Fugir com o Fogo
como fosse Prometeu,
ou
Fulgir como o Fogo
como você prometeu?