quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Meu Deus sou Eu

Sangro falso como
santo postiço.
Vendo minha imagem
como vendem a de
ídolos católicos.
Meu vazio interior
como uma grande nave
de uma imensa catedral
repleta de Anjos assassinos
de Deus e Demônios adoradores
do mesmo Deus morto,
ali, Jesus não foi para a cruz,
mas pregou seu destino nela
e foi para o gueto levar uma
vida patética e altruísta.
Esse gueto anexo da grande
nave, vai desde meu vazio
até o vazio dos corações
partidos dos adoradores do
Deus morto.
Eu não existo internamente e
observo toda essa cena que se
passa agora e sempre,
de fora,
de cima,
do alto...
como um verdadeiro Deus vivo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Onde Aonde

Fraturas ex-postas em arranhões,
feridas em face 
de farsas e a existência 
em fases de ênfases,
máximas falsas e enfáticas que
desdizem-se afirmando ser azul
o vermelho ferro do sangue.
Haicais tão profundos quanto
uma conversa entre navios de
plástico encalhados no raso do
mesmo cais.
A vida hoje faz-se assim,
neutra, nula, omissa, boba, rasa,
pseudo casta e conservadora. 
Hasteio minha ideologia onde
todos possam ver minha bandeira...
e grito, subo alto e grito,
piso firme e afirmo...me,
firmo o passo e sigo,
vou e volto e busco...me,
busco-me onde aonde todos não vão.
                    

Morrer Matar

Eu irei morrer
(de amor) nesta vida.
Obviamente não.
Irei condená-la 
(a vida) a morte
todos os dias, e
quando (por amor)
não mais querer viver,
nem morrer, 
hibernarei congelado
em algum poema-cometa
e quando chegar perto do
ouvido de Deus,
deslizarei pela espiral
de sua orelha e voltarei
para cá, para morrer matar
em ódio a raiva de sempre
estar a querer (viver) de
amor uma existência toda.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Sobre poetas e demônios

Algumas vezes já fui
Neruda e, assim como
Pablo, também já fui
Augusto, dos Anjos. E
de outros demônios
que vivem nas ruas 
que passam ao largo
de tudo mais que posso
ser já fui amigo,
amante e confidente
fiel de todos os tormentos
que afligem os demônios
e os poetas também.
Quanto a mim...?
espero um dia qualquer
também poder sê-lo.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Primeiro Poema Último

Eu poderia agora escrever
o último poema do ano,
escrever o último poema 
de agora, da vida,
escrever meu último poema
hoje e fazer dele o
último poema que escrevo.
Mas talvez de todos meus
últimos poemas esse seja
o que eu menos goste,
e o último para ser o
último verdadeiro precisa,
me parece,
parecer melhor do que o
primeiro.
Mas deixo para o próximo 
ano o meu primeiro poema,
o primeiro de todos,
todos aqueles que me
levarão para o último,
para o túmulo, 
e também assim me trarão 
para esse aqui,
meu último poema,
... primeiro último...
poema último,
poema. Primeiro...


Ou Isso Ou Esse Ou

Sorrir isso ou esse
ou
isso de sorrir
quando nisso
o riso do 
pranto disse:
-o bom de ser não é!
Sou ruim,
ouso ser real 
ou sou assim
torto igual
assim tolo
igual a todo
o ruim de
todo o ser
ruim real.
Não só sou, tanto,
como sou só, tanto
também, 
e muito pouco sou
só isso ou esse ou
aqueloutro afinal.

Eu céu vazio maior

Sob o céu atmosfera, o céu anil,
o maior deserto de todos.
Também o céu acima,
fosso maior                   (que eu?)
onde tudo flutua,
deserto maior de todos.
O céu é maior que tudo
nada é maior que o vazio.