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Se olhar mais
de perto
se enxerga bem
mais longe,
Deus não
existe.
Um dia ruim
e outro pior,
numa vida sem
fim que logo
acabará,
Deus não
(r)existe.
Eu, Deus,
o ateísmo
e o
desamparo.
A crença
e a
criação.
O Deus
e o
Homem arte
de si mesmo,
auto retrato
animado,
filiação.
Arte de Deus
retratando-se
Homem,
Homem
querendo ser
Deus, Eu.
Vivo a querer o
mal do mal
daqueles que
me querem,
bem, digo,
daqueles que
não me querem
mal.
Depois do sentimento,
mais. Depois de mais
sentimento, muito mais.
Depois de mais de muito
mais sentimento,
ressaca e remorso:
Eu ti Amo
Eu que Odeio
Eu que Amo
Eu ti odeio,
eu com amor de
orelha a orelha antes,
agora sou todo apenas
amor próprio e aquilo
que era sentimento
me parece que foste
na cara apaixonada
somente paixão e
sorriso falso.
Mas amei assim,
assim amei amor,
e ninguém poderá
negar.
O futuro é
hoje.
Amanhã já
será tarde
demais,
assim como
um tempo
que já passou.
Depois de agora
é passado.
Amém se amam e
que amem mesmo
a métrica,
a régua e
as regras.
Eu não discordo se
não concordam
comigo,
eu sendo um outro
também discordaria.
Ruptura é utopia e
talvez a única
possível,
a minha utopia é
a ruptura,
não é a rima,
as cadências
da rima e
contudo,
nem rima há;
não é o ritmo e,
à la arritimia,
nem ritmo tem,
e claro,
menos ainda é
a metrificação
a minha
utopia poética;
não há cálculos,
meios e modos;
não há métrica.
Minha poesia é
só e é toda ela,
a desacompanhada,
só aquilo o que diz
e discorda e declara.
Amém se odeiam e
que odeiem-a mesmo
à regra.
Já fui um selvícola
notívago quando
eu era pelas
madrugadas um
quase
ultrarromântico
incorrigível.
Acordado com
cara de sono e
quando
dormindo eu
fazia-me
sonâmbulo,
mas tudo isso
quando
fui poeta,
hoje sou só...
só apenas
mais um
civilizado solar.