terça-feira, 31 de outubro de 2017

insurreição

A vida entrega-se calada,
entregue a propria e insolita
sorte. Num patíbulo, a morte,
usa-o como tribuna livre,
um púpito para seu
lúgubre discurso:

'A vida, revolucionária e
revoltosa, trama contra vós,
oh mortos, clama e busca a
imortalidade, eu, como
soberano mor, não permitirei
contra nós tal atrocidade.'

Os mortos acotovelavam-se
amontoados uns por sobre
os outros em mórbido frenesi
diante da possibilidade de
verem a execução da vida,
todos sentiam-se traídos por
ela por isso clamavam por
vingança.

Mas um entre todos aqueles
mortos pensava diferente,
estava decidido a salvar a vida.

Acreditava ele e muito na ressurreição.

Lutar pela vida agora para mais
tarde poder senti-la de novo.

A vida nada queria, cansada e desiludida
como unidade consciente coletiva.
Queria descansar, habitar quem sabe um
ser minúsculo e não um planeta todo de
seres viventes sendo sempre os racionais
os mais estúpidos.

Uma fração da vida foi habitar o morto
dissidente crente da ressurreição, que
em algum lugar já era de novo um ser vivo.

O que sobrou da vida sentia o nó da forca
em seu pescoço, mas não havia nó algum
na garganta, a vida queria a morte.

Pro seu último baile,
estava ela e muito
ansiosa pela dança.



segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Aos vícios

Viva a contrariedade,
tua contracultura em
contraste com a
contraditória realidade.

Viva as contradições da vida,
as contra indicações vivídas,
à risca, aos vícios.

Os contras sempre nos
favorecem, para as certezas
e unanimidades que me
cercam, trago minhas dúvidas
contrárias, pois são elas que
nos momentos de obviedade
me salvam da concordância
covarde.

Antítese

Anticristo ou cristão
ou indiferente a isso.

Crer ou ser de Deus a
antítese, aceitar ou ser
contra o que prega o
rito de toda religião, de
toda sandice.

Em Deus eu creio por
ele acreditar em mim,
porém se me odeia, eu
o amo para ajudar a
encontrar o melhor
dentro de si.

Ofensa

Dê-me amor ou tema
o meu amor em ódio
pela recusa (e ofensa)
em fazê-lo nosso.

Dê-me amor e posse
do teu corpo, da tua
vida toda e da tua e
nossa morte.

Dê-me socorro agora,
que em tua boca eu morro,
teus lábios em recusa
ardem e o teu não vai
do beijo ao desaforo.

Coma

Adormeci antes do sono
e despertei antes de acordar,
então acordado, dentro do sonho,

não quis mais dormir
nem mais voltar.

sábado, 14 de outubro de 2017

Tantos Velhos e Distantes Tempos

O futuro é um passado distante,
eu escrevendo e acreditando que
minha escrita vai pelo novo,
por novas vias,

mas Homero e Horácio
já escreviam antes.

Acreditando em mim como
potência, Homem, deus,
Super Homem, é isso que eu
acredito e penso, mas também
assim falava Zaratustra, assim
também pensava há muito tempo.

Nada é novo,
nem toda a tecnologia,
nem todo o pensamento,
o que se raciocina hoje
foi e é a ideologia de
outros tantos velhos
e distantes tempos.

Ego

Tenho um
eu dentro
de mim
que fica
me adorando.