quarta-feira, 16 de abril de 2014

"Salve Métrica"

Observo os versos brancos
saudando a métrica,
sisuda, altiva.
Os versos estão todos alinhados,
em forma,
sem rima.

É mister dizer que
como poeta,
isso me lembra a
figura de Hitler
sendo saudada
pelos nazistas.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Hora Silenciosa

ante a procura pelos que nos habitam,
a vontade soberana, o mito,
meu eu-lírico, meus demônios,
aos hagios, aos plágios,
ao que preenche toda forma,
aos ecos que reverberam estridentes
dentro da hora silenciosa.

no incansável desejo de algo para
fazer, labuta minha honra ociosa.

aos sábios, à vontade da busca pelo
que sou ou pelo o que à mim se soma,
meu ego cego ante a postura totalitária
da minha pessoa, às máscaras em faces
já maquiadas de todas as minhas personas,
ao conflito do convívio, ao convívio do
anti-amo que à todos destrona.

ante a toda essa comuna interior,
venho como à propor novos passos.
para encontrar unidade junto a todo
esse clamor, sugiro como resolução
uma revolução onde se proponha
o holocausto.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cicatriz

O sangue escorre em vermelho deboche
do dedo de deus
na ferida da humanidade,
a graça da vida.
A vida, a dádiva de toda a graça divina,
eis a ferida em carne viva...
do mesmo vermelho até o ultimo matiz.
A morte que vem e suaviza,
é dessa ferida,
a cicatriz.


Vulnerabilidade

O ponto forte da nossa existência
é o amor.
Caracteriza-se pela fragilidade,
a vida.
A vida é frágil!
difusa, cíclica.
Morro todos os dias de
minha vulnerabilidade,
o amor.
Mas não mais!
ninguém mais morrerá por ti,
nem eu,
muito menos
outro filho
b a s t a r d o
de algum deus,
o ponto frágil da nossa existência.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Sinopse

um grupo de versos busca abrigo
numa estrofe. quando pensam estar
seguros, se vêem aprisionados na
métrica. mas o que eles não sabem
é que há um herói a caminho para
salvá-los, o poeta sem rédeas,
empunhando sua poderosa pena
ele destemidamente travará uma
guerra para libertá-los.
conseguirá nosso herói salvar as
palavras e levá-las para o abrigo
seguro do verso livre, ou será que
o terrível vilão 'modo correto para
fazer poesias' vencerá mais essa
e sepultará as frágeis personagens
dessa aventura épica sobre paixão,
inspiração e liberdade?
confira essa emocionante estória num
poema próximo de você!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Astrolábio

Estava eu à observar
a altura dos astros
quando ganhei um
beijo da lua.
seria verdade não
fosse absurdo,
pois ela prefere os
astronautas,
não poetas sem rumo.

terça-feira, 18 de março de 2014

MERDE!

quando a vida em sua mais suja máxima
diz que só existe satisfação na conquista,
eu percebo o quanto durante toda minha
história nunca fiquei satisfeito. eu, como
um péssimo otimista, insisto em observar
tudo de outro jeito. para tudo aquilo que
ainda não aconteceu, há bastante tempo
no futuro para que esse mesmo 'tudo aquilo',
quem sabe, possa acontecer. mas ninguém
sabe. nada pode acontecer! talvez o futuro
seja uma perda. mesmo assim, anseio pelos
dias que virão, e diante da estréia de cada dia
eu grito MERDE!, emocionado pela possibilidade
de obter talvez alguma satisfação de merda.