sábado, 29 de junho de 2013

Ascendência

até quase um pouco próximo
da eternidade, que diferença
faz, ao longo de muito tempo,
ao passo que passa pausada-
mente todo esse tempo. tudo
o que é novo perece, toda a
boa nova um dia se esquece.
nós, filhos do carbono, animais
condenados a mais baixa es-
tirpe,  nós humanos e nossa e-
volução somos régua para o
tempo e para o que ao redor
se extingue. agradeço ao oxi-
genio ao combinar comigo, a
proporcionar o sabor oxido,
primeiro estágio que me pro-
põe o tempo. me leva até qua-
se um pouco próximo da eter-
nidade, me eleva ao posto de
ruína, único modo de suportar
com vigor, quase inalteradamente,
a ação do tempo enquanto ainda
o tempo resiste ao tempo, respec-
tivamente.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Super Homem

Entre o mal e o remédio,
ignorando o Deus que lhe
castiga, acima do estupor
do tédio, queimando bíblias
entre outras velhas enciclopédias.
Vou até o prazer da carne
que anseio, nada satisfaz mais
quanto gozar com o pecado alheio.
Aos que tanto me odeiam, digo que,
talvez seja cedo para tal sentimento e,
mesmo assim, é tarde demais para
em mim haver qualquer arrependimento,
ao contemplar o divino, na busca por
um Deus, diante de um espelho tornei-me
um narciso ateu, e quanto a fé que capacita
a ignorância, sou um fanático em afirmar
que o combustível de qualquer religião é 
o medo e o terror em forma de esperança.

Nem Homem, tão pouco Deus,
sou evolução,
...r e v o l u ç ã o.
Super Homem ascendendo
em busca da gloria sob a qual
a humanidade pereceu

terça-feira, 25 de junho de 2013

velha breve vida

eterno é o contrario da vida.

será pra sempre assim, ou apenas
até o consumo dela toda vivida?

lábil é o posto da vida.

o posto oposto pôsto aqui
não é eternidade, é poesia
propondo o fim.

será pra sempre assim,
ou apenas enquanto toda
ela é lida?

ávida a vida deseja a morte,
a p o s e n t a d o r i a. . .

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Soneto

que gosto tem meu sangue, brasil.
que cara tem teu medo, que medo
é esse que suja meu sangue com as
mãos imundas do teu Estado, brasil?

porque não te orgulhas desse povo
tão bravo, por que não dá aval à esse
desejo tão sábio de novos rumos?
orgulha-te brasil, teu povo é raro.

orgulha-te do teu povo pois tua gente
é quem te faz assim, tão impávido.
hoje não apresenta uma figura materna

gentil, és apenas um Estado inválido que
suga todo o sangue de cada filho deste solo,
que gosto tem brasil, meu sangue derramado?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Éforos Nulos

somos legítimos
éforos nulos,
calados somos
mudos...pseudos
surdos.

acomodasse à
incomodar, assim,
atesta à testa do Estado
que chega, não dá mais
para contemporizar,

pois, o contrário
é sábio em afirmar:

somos legítimos
éforos nulos,
calados somos
mudos...pseudos
surdos.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vossa Voz Fosse Força

tua voz que liberta,
ecoa.
é clava,
é clave.
tua voz clama por ti,
é chave,
é chama.
tua voz ilumina,
ascende,
destrona.
tua voz disciplina,
diz,
ensina.
tua voz vos ressoa,
assoma tua sina acerca de ti.
de tua voz, embriaga-te...
beba,
tua voz é sangue,
elixir.
tua voz é razão,
é vida,
razão do existir.

tua voz o liberta!

não és livre, tu?
vai, berra.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Acapella

sob rosáceas púrpuras de
iridescentes vitrais,
numa capela surda,
solitário, sujo, surjo só.
ausente minha endêmica fé
flutua por outros ares, se
perde entre abissais abóbadas
celestes, longe do seu habitat,
me esquece. és má.

sorrio dentro do
lapso sombrio do
desacreditar.

sobre mim, sobre os vitrais,
sobrevoa acima do ceu,
sobre o luar, na busca de algo
maior para crer e desacompanhar.