domingo, 19 de novembro de 2023

Inimigo Universal

Ausente e só...
Só se só consigo
o sozinho é solidão
e não solitude,
mas se em si
teu eu teu ser é
senhor soberano, 
de domínio absoluto
afinal,
o só consigo é sempre
íntima comunhão,
sempre será teu eu
seu melhor amigo,
porém, quando não,
é e sempre será
teu inimigo universal.

[Im]possível Nulo

Nada mais como poderia ser,
apenas o impossível.
O impossível sim,
esse tudo pode, inclusive dançar,
pode sê-lo sem medo de ser
superado.
O impossível tem em si a
possibilidade da eternidade,
e então sendo assim, valsa,
carrega consigo para o 
futuro todas as certezas 
tolas, todas, muitas vezes
certezas estas, por serem
impossíveis, são chamadas
de esperança.
Esperança, uma (im)possibilidade
neutra...nula.

AD Versos

No semi árido devastado
da minh'alma e coração.

Em toda a fria estepe
da minha consciência loba,

ambos tais habitats jamais
conheceram esperança que

não fosse uma estação mais
severa do que a outra:

Querer da vida mais do que apenas viver,
querer da vida mais do que somente a
                                                                 [morte].

Morte como recompensa e
refúgio, e querer do morrer

mais do que apenas a morte,
ter essa morte como recompensa

e refúgio para um novo viver.

Esperança é saber que jamais haverá
outros de nós, do tipo que nunca fomos,
e àqueles que foram nós quando nós
ainda pensávamos como viver,
também jamais serão outros que não
eles mesmos que negaram a si: os mesmos
tipos negados de ser, são o que na
verdade são.

Se negam a correr pelo seu 
habitat natural para rastejar
pelo subterrâneo de outros
ambientes. Porém, esquecem
que são de um tipo de êndemicos
alados e, idênticos a estes,
outros mais tanto querem se
perder. 

Chorus

Deus desconversa
e a vida segue exigindo
muita fé de mim.
Deus é pesado demais
uma existência toda
para suportar.
É como se eu acreditar
que uma tonelada é 
algo muito pesado e 
no mesmo instante a
minha cabeça começa
a pesar. 
Deus é pesado como um
silêncio profundo.
Eu acredito em um Deus
que seja muitas vozes.

Destino Escrito

Eu aposto a melhor versão de mim
com a morte de que viver a vida
escrevendo a própria sorte pode
mesmo valer a pena.
A morte aposta a sua fina e elegante
vestimenta preta de seda de bichos
da seda de pomares do paraíso de que
o destino de cada ser vivo desse
planeta já há muito está escrito e nada
pode mudar isso.
Do mesmo modo se eu perder,
a morte estará certa se eu ganhar
a aposta.

Espaço Exclamação

Eu não quero nada que eu não
seja capaz de conquistar,
apenas o mundo todo.
Um abrigo para fugir do frio,
e por amor,
a intenção da chuva e o
querer do fogo.
Eu quero um sorriso seu,
teu silêncio e um beijo,
um pacto com tua alma
pelo teu corpo,
e um combinado com teu
Deus para eu fazer companhia
para tua alma quando nossos
corpos já estiverem mortos.
Eu não quero nada que não
possa ser meu,
e o universo todo ainda
me parece pouco.

Agora distante (todo poeta é tudo)

Deus, o poeta primeiro,
e o Diabo,
um verdadeiro poeta.
Dentro da alma de cada poeta
um universo inteiro em colapso
se renova em cada novo verso.
O colapso se renova de novo
aqui, e no verso próximo o fim,
é apenas o início de tudo:
A sorte de Lázaro;
O destino de Sísifo;
A incumbência de Atlas e,
não por acaso,
A ousadia de Prometeu e
A verve de Cristo.

Todo poeta é nada daquilo
que o resto de tudo
jamais poderá ser.

Todo poeta é tudo!

Cada poeta são todos que
já se foram,
um pouco de cada um
compõe o poeta novo,
de depois do que virá
até o antes de agora,
e ainda assim cada novo
poeta não deixa de ser
absoluto.

Aonde quer que a poesia
possa reverberar,
na cidade e no universo,
do futuro ao passado
presente e do presente
futuro ao agora distante,
presente em cada antes e
depois de qualquer tempo:
cada poeta é único,
e se assemelham todos,
pois todo poeta é tudo.