sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Dezoito de Abril

Resista. Recuse:
Retire-se sóbrio
e reserve tempo
para recuperar
o mesmo tempo
que passou
ávido por ti.

Tua insônia em
noites de eternas
tempestades disse
ser sonâmbula e
que, prisioneira de
ti, tenta fugir
sempre que você
adormece.

Mas você jamais
dorme, fecha os
olhos e apenas
fingi sonhar.
Porém quem fingi
não sonha e quando
perde-se o poder de
sonhar jamais se
dorme em paz
outra vez.

Onírico, quimerico e belo,
ou real, cruel e assustadoramente
mal e feio.

Reflita:
             pense em seu pior pesadelo
             antes de recusar a realidade.
             Viver de olhos fechados é 
             fácil, interpretando erroneamente
             tudo que se vê. Resista.

Conselhos de uma Estrela para uma Formiga

Teu lume
i n t e r i o r
acenda:

Ascenda e Brilhe,
Sublime!

A formiga
ouviu
também o
Vagalume.

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Deuses Ausentes

Parece que sim 
até que enfim
o fim:
E que assim todos
os deuses ausentes
se encarreguem de
aniquilar todos,
todos nós, porém
não tudo,
e o que ficar que
floresça e renasça
lindamente outra
vez sem qualquer
presença humana
para todo o sempre
até o próximo fim
do mundo.

   Já não se usa mais a
   escrita para escrever;
   Já não se usa mais o
   livro para ler,
   artificialmente o
   Homem se faz 
   inteligente capacitando
   a máquina com toda a
   sua sabedoria.

Somos criadores da
criatura que em breve
será nosso Deus
         nosso Diabo.

E assim como nós somos
de Deus o colapso,
essa criatura será nosso
apocalipse.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Amáquinamá!

A máquina, amar
a máquina, a
   máquina
   má,
   má
   máquina
                     amar
a máquina,
a máquina  ama.

   máquina  ama?
a máquina  ama!

a máquina  ama...
                     ama
a má...
a máquina...
amáquina...
Amáquinamá!

Amar amar 
amar a má.
Amar à la máquina,
amar a máquina,
a má amar, 
a máquina, ama,
ama amar amar
a má,
máquina má.

A máquina ama?

Ama amar, 
ama a má,
ama, a má,
ama, a
m á q u i n a:
a máquina ama...
máquina ama
máquina ama má,
ama má
ama a má
a máquina ama.
Amáquinamá!
Amáquinamá!

A máquina má:
a maquinar
a maquinar...




domingo, 30 de julho de 2023

Futuro Póstumo

Adoeço a cada passado novo que
se levanta atrás do tempo que já
existi. A dor à esmo...sei que há
dores existenciais que debocham
do sofrer que se acumula em mim,
mas eu às desprezo e elas prenden-
se assim ainda mais em mim.
Eu me mato...e...me salvo desse
fim todos os dias, resoluto, pareço
indissolúvel, me reconstruo nas
lágrimas que tecem prantos por
mim, uma vez que jamais soube
chorar. O futuro que se levanta
a frente traz sombra sobre meus
horizontes, sombra de uma luz
de um tempo ainda mais distante
e que conhece caminhos breves
que desembocam em travessas
arborizadas que levam para a 
eternidade. 
Mas se a eternidade é meu fim
então saberão aqueles que vivem
felizes por tempos indeterminados
que certamente ontem eu já morri.
Ignorando as minhas certezas eu 
digo que se nos presentes da vida
eu já fui triste, eu compenso meu
futuro póstumo morrendo feliz.

terça-feira, 4 de julho de 2023

Voltar Atrás

Já fiz todas as minhas escolhas,
revi minhas renúncias e jamais
voltei atrás, mesmo sempre
pedindo desculpas. 

Todas minhas dúvidas sempre
se mostraram muito mais 
capazes do que todas as minhas
malfadadas certezas.

Já cometi alguns erros e acertei
sempre que pressentia que ia
errar:
Do meu Destino Deus sabe...
e ninguém sabe dizer se 
realmente Ele existe.

Mas eu confio em mim, e sigo.

Embora não acredite também
em Deus.

Qualquer Horizonte

Quando o dia não for hoje,
ontem menos e amanhã
tampouco. Impossível.
Quando eu não for mais
o mesmo e quando nem
ao menos houver mínimos
vestígios da minha
existência, aí então
quem sabe nada mais possa
me afligir. Impossível.
Quando não é a alta ansiedade
é a baixa autoestima;
quando não é a minha mínima
participação em qualquer
satisfação por estar vivo,
é a minha máxima culpa
em estragar tudo, sempre,
eu presente ou à revelia.
Quando não eu,
outros eus me antecipam.
Posso ser muitos e variados
tipos de um mesmo eu
sempre perdido. Impulsivo.
Sou promessa sem rumo,
não aconteço por onde passo
e jamais caibo em nenhum
futuro.
Não sou presente e
não tenho passado.
Abstenho o tempo.
Observo e absorvo
qualquer horizonte,
então abstraio o que
pode ser absurdo
ali e assim me
reconstruo e sigo
sempre absolutamente
destruído.
Sou poeta sem rima,
não metrifico o verso
por onde escrevo e jamais
caibo em nenhum poema.
Sou verso solo, infértil...