quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Pormenorizado Gigante

Metade daquilo que
fui é maior,
bem maior do que
o completo idiota
que sou.
Ontem eu era amanhã
e hoje sou só agora.

domingo, 8 de janeiro de 2023

Todo Revolução

Me furtar de todos os prazeres que o
dinheiro pode pagar,
pois plenitude eu não gozo.
Felicidade que existe, a material,
eu não tenho e jamais posso:
porque eu não posso gozar
porque eu não posso comprar.

Azar assaz assim
em ser o azar de
ser assim assalariado.

Dessa (má) sorte de estar vivo
nessa/dessa existência um eterno operário.
Um fim do mundo todo fim de mês,
todo fim do mês o mundo não acaba,
Ah!, e quem me dera, assim melhor seria,
melhor seria o fim de tudo de uma
única vez, do que o fim do mundo
sempre a cada fim de mês.

Viver sempre a revelia porque jamais eu sou...jamais no presente eu gozo a plenitude de ser...de ter...de sede...de vontade...de poder!

Poder adquirir o mínimo para sobreviver,
Deus eu imploro, não quero vida eterna,
eu quero enquanto vivo poder fugir
dessa (merda) sorte de ser um assalariado;
Sorte de estar empregado para bater 
ponto todo dia e no entardecer sempre
morrer de fome.
Porque,
por que meu serviço não me dá suficiente
dinheiro,
suficiente dinheiro para viver?

Melhor seria a morte uma vez que
eu não precisasse pagar para morrer,
pois para fugir da vida nem para isso
dinheiro eu tenho, e mesmo assim
todo dia é um suicídio diferente
buscando sempre o mesmo fim:
Fim do mês;
Fim de mim;
Fim da grana, da garra e da
gana de vencer.

Vencer sempre a mim mesmo
para todo dia a cada hora não,
jamais não enlouquecer,
e o patrão e a razão do lucro
sobre a minha pobreza?
Sobre a minha miséria a razão
de existir do lucro:
mais vale não existir,
mais vale e vale mais a Mais-valia,
a existência justa para um todo mais
valeria, Mais-valia, Mais-valia mais vale
morrer por isso, do que morrer por
um emprego que alimenta contas
bancárias de quem se empanturra todo
fim de mês de lucro e mais lucro.

A vida morta
a morte viva morte
e o lucro do patrão!
E Viva a morte
Viva a morte do
patrão.
O Fim da exploração
o lucro acaba
Alforria Operária:
venham todos, pois
é Festa enfim
aqui no chão de
fábrica.

Assaz assalariado azar de ser e que
assim seja até o dia em que não mais,
nunca mais,
pois mudar o mundo,
viver para mudar o mundo
eu sei que posso,
posso não mudar a minha vida agora,
mas mudar o mundo pro futuro eu sei
que posso...
dessa vontade eu vivo e dessa escolha
todo fim do mês eu sei que posso,
pois eu sou poder,
o poder da transformação eu sei que gozo,
na minha força de vontade determinar
enfim a revolução eu sei que posso,
todo dia a cada dia buscar sempre ser
agente da ação que porá fim a exploração
do assalariado.
Ser Eu eu sei que posso Ser Todo
Revolução.
E dinheiro algum me furtará dese
prazer por ser quem Eu Sou,
eu sei que desse desprazer dos
senhores do lucro eu sei que gozo.

Lacuna

Entre o pra sempre
e o nunca mais
eu vivo presente dentro
desse ínterim.

E o futuro é jamais,
é mais daquilo que não
há nem nunca houve,
e será quando depois
de amanhã nunca mais
nada mais for pra
sempre.

Tudo é presente sendo
sempre passado,
que passa e vai e é e
volta para ser o que
(nem) sempre será.

Beba a viver

Devorar uma vinícola inteira
e degustar a embriaguez
moderadamente.

Uma noite toda ficar acordado
a vida inteira e aproveitar
a insônia de cada madrugada.

Para bem quisto ser per si sempre
e olhando para cima para ser
visto sempre pela lua.

Viver e Ser Viver é ser a
Vida que Já É,
aproveitar que sabe que
vai morrer e Viver e Ser
Viver para Ser a Vida que
Já É.

Idealizar enquanto sonha
e sonhando acordado a ver,
acordar do sonho para todos
os sonhos do mundo realizar.

Dormir o sono só depois de
muito e tanto,
depois, muito depois de tanto
viver e se embriagar.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Sacro Vil

Eu quero matar Deus
como se eu fosse Jesus
buscando vingança.
Eu quero matar o Pai
sempre morto como a
abandonada criança
que nunca Pai teve.
Eu quero revanche,
eu quero redenção de
sangue, eu quero
esperança.
Minha utopia é distópica,
pois é essa a minha fotografia
viva da lembrança.
Eu quero apagar a memória,
eu quero fazer o tempo me
lembrar como o corpo
tetraplégico ousa pensar
em qualquer passo ousado
de todo tipo de subversiva e
sensual dança.
Eu quero dançar sobre o
túmulo de toda e qualquer
crença.

Eu quero Ser Eu!

Todo esse silêncio presente
em meu quarto adentro de
mim, e eu afora dele,
psicografado quase como
por uma psicose divina
psicodélica, talvez já não mais
me ensurdece mais como antes
me fazia calar.

Cansei do Mesmo Modo de Ser!

Cansei das cores e do som blasé,
agora eu quero o sombrio e
qualquer ruído punk que me
distancie da ataraxia dos deuses
e me apresente para todo caos
que possa me fazer reinventar
quem eu ainda quero ser.

Quem eu ainda quero ser
se não o eu mesmo que
ainda não sou?
Não sei nem nunca soube,
mas cansei do mesmo modo
de ser,
agora eu quero outro mesmo
eu que possa me fazer
incrivelmente ser quem sempre
fui, mas ainda não me encontrei
para apresentar-me.

Eu quero Ser Eu!

domingo, 1 de janeiro de 2023

Iluminado

Tarde demais e ademais como
qualquer epígono o entardecer
vai-se sempre no mesmo tempo
incerto do nunca mais.
Mas e se quando o dia
morrer de novo outra
vez e outra vez a luz do
dia nunca mais?
Como um aprendiz adiantado
das trevas eu como um,
não apenas mais um poeta,
mas como um em sacerdócio,
certamente trarei a luz,
e à sombra de toda a poesia
um novo dia virá.