terça-feira, 10 de agosto de 2021

Europa Europa

Amar-te ou Saturno,
Myanmar ou te querer,
partir, ir para longe
buscar o desconhecido
ou ficar, deixar todo o
resto de lado por você,
visitar o velho
continente, talvez uma
lua longínqua de um
planeta distante ou
ignorar tal aventura
para apenas lhe 
pertencer?

Eu vou, e o certo
é que por onde quer
que eu vá, levarei 
comigo o meu amor.

domingo, 8 de agosto de 2021

Ainda

Sempre é nunca e
pra sempre é 
nunca mais.
Muito cedo é
tarde demais
quando logo
cedo for por 
algum tempo
apenas jamais.
Muito em breve é
a eternidade
ainda, à frente,
do tempo futuro
que há pouco 
ficou para trás.

Eucaristia Não

Soo surdo mudo como
sonda-me o silêncio
quando passo
desapercebido por
entre outras
existências,
penso que por
séculos venho me
escondendo do contato
direto com quem
tende a me ignorar.
Eu não existo,
tampouco nunca poderei
coexistir junto àqueles.
Eu indivíduo
eles multidão.
Eu rebeldia por querer
tudo para todos,
eles,
entre eles apenas,
sagrada e santa comunhão.

sábado, 7 de agosto de 2021

Clara noite da alma escura

Um ser torto, espiral,
um eu todo retorcido
não pode acreditar ou
querer um deus todo
reto e vertical.

O sol sublinha
a noite da alma escura,
convida meu obscuro espírito
a ficar, partir para o 
horizonte agora pode
ser tarde demais.
Deus pode não estar mais lá,
mas e se for de deus que eu
quero fugir?
Está aqui,
pode vê-lo através do
espelho quando põe-se a
observar a imagem dele
que em muito se assemelha
àqueles que não crêem.
Mas eu posso ir além e
não acreditar na crença,
na fé oblíqua e abstrata
que muito representa mas
não significa nada,
no fundo não significa nada 
e nada é mais
profundo do que os
confins dos céus.

Estar de frente para trás
e seguir adiante ou ir no
inverso da contramão,
o infinito (universo) é
como uma rosca sem fim,
sempre a mesma coisa ilusão,
parece eterno mas começa
ali e termina aqui,
girando em si e dentro de si
acredita ser imensidão.
Lembrando que foi num átimo
de tempo que se deu no início,
o princípio, a explosão.

Por onde vamos para crer
é por onde seguimos acreditando
naquilo que achamos ser.
E u   t o d o   t o r t o   s o u,
heterogêneo do ódio ao amor,
deitado na solidão meu divã,
solitude a me compor
para ser para outros
melhor desamparo acolhedor,
um conflito reconciliador
entre busca e desilusão,
desequilíbrio em harmonia...
Derrubar o Deus despótico 
como símbolo de Estado,
desacreditá-lo,
buscar no caos das coisas
que estão para surgir,
evolução e revolução e
querer ser e estar sempre
em anarquia:
Abaixo!Abaixo!Abaixo!

Distorço minha fé cega
e posso começar a ver,
discorro sobre a fé que
cega quem precisa de 
deuses para melhor ser,
piores são e condenam
seus deuses a sempre
existir apenas por medo
e pusilânime auto compaixão.

Escorre a escura noite
por bueiros que ladeiam
um úmido asfalto por onde
antes o sol por ali passou,
nauseabundo e afoito.
Por agora sou eu o asqueroso,
ali, arquétipo em desconstrução,
caminhando sem pressa e
fugindo de encontro
para onde vou.
Sabe lá deus para onde vou,
lá onde porém ninguém sabe.
Talvez para o porvir,
mas o futuro queira quem
sabe a intenção de voltar,
a alma escura, embriagada
pela noite,
voltar a fugir da luz
das ideias eternas.

    Sobre o leito
    sob um dossel
    sob o teto sob
    um céu noturno
    de estrelas mortas
    ou a morrer ou
    vivas ou a nascer,
    há outros astros
    singulares,
    e tantos outros
    astros percebem:
    dá-se a insônia
    que segue ainda em
    coma profundo pela
    madrugada adentro
    e afora,
    e é nesse momento,
    nesse instante
    itinerante que tudo
    se põe a prova:
todo o pensamento em si parte
em fuga atrás do para-si e nesse
ensimesmo para si perde-se toda
a fé que existia e pede-se mais,
alguma razão para o nada que se
vislumbra e que justifica-se 
também partindo em busca para
dentro de si.

O nada sou Eu,
o todo.
O todo sou Eu,
o nada.

É mesmo muito útil a
necessidade de um deus
sol a se pôr e/ou
contrapor a tudo isso,
pois o todo é deus,
uma aurora;
o nada é deus,
a escuridão.

Eu continuo, sigo ainda...
que o adeus me livre...ando.
Prefiro o púrpura do
crepúsculo eterno como
num exoplaneta imóvel
em si e iluminado,
v a g a n d o.

    


sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Intemperismo

Sob o chão do
a s s o a l h o
querendo ser 
da lage, 
underground
postulante
à criatura
celeste.
Lutar todo dia
para vencer na
vida e sempre
chegar vencido
ao final do mês.
Sou Eu, 
não sei vocês,
habitante do
submundo
tateando o chão
de outros,
meu teto,
buscando achar
alguma saída.
Mas não há,
Não há mais
nem nunca houve.
Observo formações
rochosas sob o solo
imaginando
nelas desenhos de
nuvens.


quinta-feira, 1 de julho de 2021

Predileção

Entre o último
Salvador que morreu
crucificado por nós
e o primeiro anjo
decaído expulso dos 
céus, eu certamente
prefiro o primeiro.

Se Pitágoras fosse poeta

O que há de mais
sábio? O silêncio.
O que há de mais
Belo? A poesia.