segunda-feira, 9 de março de 2020

Potência

Minha quietude
é sempre
i n q u i e t a ç ã o,
dentro da sua
timidez devota
do ascetismo,
revoltada e
meditativa,
está sempre em
contato consigo
mesma,
e com o si do cio
da sua busca por
tudo o que for
imensidão e
densa grandeza.

sexta-feira, 6 de março de 2020

O óbice e o óbito

Eternidade temporária
com prazo indeterminado,
corre, decorre,
discorre sobre o quando,
e vai-se, esvai-se
pelo tempo,
por sobre nós,
sobre nossas
existências infinitesimais,
que duram pouco,
que duram tanto e
que a qualquer momento ou
a todo momento
uma infinidade de possibilidades
nos acomete e assim se
sucedem sem o menor decoro
nem escrúpulo, nem nada...
O destino, o devir, o acaso,
o declínio, o porvir, o ocaso...

Morrer diariamente
enquanto estamos vivos, viver,
e quando morrermos,
talvez quando morrermos,
a vida faça algum sentido.

Eu em mim e Deus nele

Existimos sim e não,
um e o outro,
existimos juntos,
separadamente,
como o sim e o não.
Eu acredito em mim,
ele acredita nele, em si,
e desacreditamos
um do outro,
ora sim e outras
horas não.
Às vezes, quase sempre,
somos avessos, amiúde,
mas resistimos e persistimos
assim, até o fim,
um pelo outro...e honestamente
tanto faz que em algum
momento algo em nós mude.

Apossa a queda

Eu preciso de um Deus provisório,
somente enquanto dura a tormenta.

Um Deus reciclável que eu possa
reutiliza-lo outra vezes diante da
natureza de qualquer problema.

Eu quero o céu para voar,
o chão para pisar,
e o fogo para vê-lo arder.

A noite para a merecer eu quero
um dia todo para descançar,
quero o sono para dormir e
a insônia para acordar,
e quando da janela eu puder ver
a tempestade chegar,
que Deus me diga que é só
chuva, chuva para eu após
a queda, uma outra vida colher.

Instituto

Eu fundo meu próprio poço
e nele afundo a cada dia
ao preço dado do meu próprio
esforço.

A fundo cada vez mais ao fundo,
indo, descendo vasto,
distante...

Lá na superfície eu só vejo um
halo, como quem olha para o
céu com os olhos fechados,
mas não há clarão,
assim como não há razão sem
fundamento,
há só esse poço sem fundo,
essa minha alma subterrânea,
uma fundação...infundada,
talvez...
um desalento,
um instituto.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Amarianas

Felicidade é estar
a amar a Mariana,
que tamanha
beleza d'alma me
filosofa sobra as
Abelhas, Borboletas
e Joaninhas.
E eu ao vê-la,
observando-as,
sinto-me extasiado
e honrado por estar
naquele momento
amando-as, tanto,
que confundo o
amor por entre
almas e asas,
leves e frágeis,
mas sobretudo,
todas
imprescindíveis
para toda a vida
admirada que
sobre elas se
derrama.


terça-feira, 3 de março de 2020

A morte a manhã

Logo cedo
hoje o dia
é só uma
vida ruim.
A morte
amanhã
(a manhã
amor te...)
será um
dia melhor.