sábado, 14 de maio de 2011

reticente

Não restam mais dúvidas,
há certezas sobre certezas,
decadência do homem, reticente...
abaixo os poetas!
Se eu digo "hoje" não quer dizer que estou aqui,
se me prendesse ao ontem não teria mais
aonde ir?...a vida me espera no dia de partir,
para que eu passe por ela, dissidente ao sorrir,
perdido, de versos e passos natos.
Poderia ser diferente, não restam mais duvidas,
há certezas sobre certezas.
decadência de um homem reticente.
desordenadas nos costumes
Vagam por aí, as ideias que nunca calam ao todo,
tudo o que tinham para exprimir.
abaixo os poetas!

intensidade

estava bocejando e desloquei
a mandíbula; estava escrevendo
e virei poeta; estava me masturbando
e torci o pulso; estava pensando e enlouqueci;
estava correndo e fodi os joelhos; estava
mastigando e engoli a língua; estava rezando
e tornei-me santo; estava cheirando e entupi as narinas;
estava amando um dia cada puta,
estava em paz virei buda;
estava confuso e tornei-me sábio;
estava perdido e em mim me encontrei;
estava transando e quebrei o pau!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

soneto

à Antero, que, trazia consigo não só poesia
mas em sua alma, de poeta notório, também
ardia a verve de todo revolucionário. ah! grande
poeta, ensina-me a arte de toda sua filosofia...

não há entre todos os tolos da poesia, alguém
que seja capaz de desenhar com tamanha maestria
um soneto como tu produzias, grande autor, dono
de quartetos e tercetos de magnifica harmonia.

os versos que cabiam na peçonha de sua pena,
são bem maiores que todos os versos de todos
os falsos poetas que abrigo em minha pessoa,

calo-me, e, emudeço os ouvidos, tento achar
em mim, assim como houve em ti, genuíno motivo
para que eu possa também, versejar um suicídio.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

acalma a noite a morte à alma...

Cai a noite em minha alma.
Rendo o remorso que me vence
aos passos das horas, me calam as
palavras postas para fora pela pena de
um poeta que era Augusto e é anjo agora.
Vem o dia sem aurora, na estação pra despedida,
é do outono a partida que empalidece e tece a última
hora, na última noite da alma que habita o pobre
poeta de longas vidas, todas inglórias.
Acalma a noite a morte à alma...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

à uma pena orfã

Vá vida vadia, vazia se fez por capricho à quem
és nascido contrario ao que precisa. Insto à pena,
consorte companheira de venturas, um ultimo
ato, perdoe-me todos os lamentáveis poemas,

Perdoa-me o quão sou na arte enamorado,
custar-me-á deixar-te assim, tão sozinha.
Mas saiba que mato em mim uma vida que
vivi absolutamente e só, por ti...pena querida.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

underfície

o silencio que brada, cala.
consubstanciada na mudez, a voz,
fala.
todas as palavras póstas,
mortas em poemas, da nudez
da pena, nascem pra eternidade.
viver acima sendo abaixo, ah o poeta,
carrasco anti-herói apaixonado, não sejamos
nós prisioneiros para sermos eles libertos, os sonhos
acordados...no vício da saúde
a vida ainda é vida quando a vida falta.

sábado, 9 de abril de 2011

louvor

eu, um desenho torto de Goya
por ti apaixonei-me, triste sina.
você, do alto do desprezo me olha,
toda prosa, contudo, parece-me
ainda menina, e em minha libido maldita
és arte sacra, és Eva de Irina.