sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Diatribes e Diabretes

Não se parecem com você, 
não se parecem comigo,
tampouco se parecem com
todos os outros que são 
como nós.
Você não tem culpa,
eu não tenho culpa alguma e,
entre os outros todos,
também como nós,
ninguém é culpado. 
Nem Deus nem Diabo,
não se trata disso também, 
mas veja, eles não preocupam 
o nosso Deus, porém, apetecem 
ao nosso Diabo:
O problema são as minorias,
os menos favorecidos, e como
bons Cristãos, nos padecemos 
deles e por eles oramos...
e que Deus tenha piedade
destas almas.

Psicopatia

Colhi de modo inadvertido 
um lamento poético do
teu olhar...
Teus olhos que pousaram
em mim deliberadamente 
quase sem querer, 
disseram-me com uma
avidez tácita, 
que eu de alguma forma 
lhe salvasse,
e meus olhos desesperadamente 
nesse mesmo instante 
perderam-se também na
mesma busca que pensam
te afligir, e para eles hoje,
pros meus olhos a salvação 
é te olhar...
e eu os arranco de minha face
se não puder mais vê-la.

Exsultet

A luz se
for      a
Lúcifer.
Se for a
Lúcifer 
há   luz.


Papa Morto

Quantas vezes repetir
o para sempre        até
perceber que      dessa
vez é para          nunca
mais...              de novo.

Todo Papa é muito velho
Todo Papado dura muito
Dura um longo tempo
até o Papa mais velho
ainda morrer,

desse modo, e pouco me
importa, o próximo Papa
já virá morto, de novo. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Carne, Sangue e Solidão

Fascinado por Icebergs, 
Baleias, Árvores e Colossais
Estruturas de Gás e Poeira
do Cosmo.

Apetece-me vocábulos insignificantes,
fonemas obsoletos...e o silêncio prolixo 
de um pensamento profundo no olhar.

A chuva me causa fascínio, 
o fogo, a madrugada e minha morte.
Poesia minha Musa e a música 
minha redenção. 

Um poeta por ofício e maldição, 
assim como Jesus é Cristo, porém,
não sou filho do pai, sou de minha
Mãe: Carne, Sangue e Solidão. 

domingo, 23 de fevereiro de 2025

Dos Demônios a Métrica

Detrás de cada poema,
versos; de cada verso
a pena; detrás da pena,
dedos tortos, retorcidos
por Ela; detrás destes,
a verve ávida de
um poeta à frente do
passado de cada rima 
ou não da sua poética;
por detrás dessa poética, 
Demônios...dos Demônios
a métrica. 

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Poema para Lucrécio

Silêncio ocioso sou eu e fui,
pelo entorno dos meus quandos
enquanto eu ía, seguia calado,
desejava sempre tanto que 
olhassem para mim, porém, 
vejo meu ao redor às cegas:

Mas eu vi o verso,
ouvi o verso,
devir do estro,
dever do gesto do
universo que fala,
que assalta aos olhos...

Mas há quem diga que não, 
que não e nem mesmo talvez,
nem vi nem houve.

E o quanto eu sinto que sim,
tem a mesma falsa vontade
da autêntica ilusão de algum
dia também ser notado ou
ouvido. Ou lido ou amado...
Mas se o esquecimento for
o meu destino, o mínimo que
posso esperar é que pelo
menos seja para sempre.