terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eu lírico

Entre mim e
tudo aquilo que
sempre quis ser
há um eu
tentando ainda
acontecer.

domingo, 27 de novembro de 2011

one more twice

não fosse trágica tua ida,
voltastes,
me deste um beijo e
teu corpo para que
mais uma vez eu
a devorasse, penetrasse
em teu desejo e
com toda minha carne
ti amasse. mais uma vez
amei,
gozei, renasci. encarei
tua volta como a
aurora de novos tempos,
mas tu foste embora,
de praxe,
como outrora,
agora acontecendo.

anamnese

há tantas reminiscencias no mundo,
a memoria da vida.
jesus morreu por mim,
sendo assim,
tambem sou um homicida.
minha fé volátil,
assídua,
fez o criador crer em mim
sob o status de bastardo parricida.
é o pecado que ensina,
destaca a alma para que lá do alto
seja percebida.
-deus!
nenhuma igreja jamais
teve o talento de despertar
minha atenção sempre despercebida.
há tantas reminiscencias na alma,
uma memoria viva que não vive,
mas que habita,
mas que me habita livre.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Errata

Deus
fez
o Homem
à sua
imagem e
semelhança,
o Homem
é mau.
o Homem
criou
Deus
à suas
angústias e
esperanças,
Deus
é bom.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Não

Meus cigarros são sinceros,
meus amigos não;
As prostitutas são sinceras,
as namoradas não;
As drogas são sinceras
o vício não;
A culpa é sincera,
a desculpa não,
A morte é sincera,
a vida não;
A poesia é sincera,
o poeta não.
A dúvida é sincera observando as possibilidades,
a certeza não.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Lord Vil

Óh grande Deus,
Divindade absoluta
Do monopólio das possibilidades,
Meu senhor que reverencio
Em minhas preces, minha religião
O capitalismo selvagem.
Dai-me a graça,
Ajuda-me a ser seu discípulo,
Seu mais fiel mercenário,
Corrompa-me à adora-lo,
Dá-me a felicidade,
Sei que nada sou sem ti.
Só perante sua cotação
Terá fim a minha
Incapacidade. faz de mim
Instrumento da tua obra,
Peço misericórdia para minha
Fraqueza, abençoa-me para não
Mais temer em usar, acima de tudo
E de todos, teu nome, tua inabalável
Certeza, sou fruto do uso da tua grandeza.
Mesmo quando não for necessário, que
Eu consuma cada vez mais para não
Cair na tentação do pecado de acreditar
Que posso viver sem tua proteção, sem teu
Aval que faz de mim superior entre os
Fracos e pobres covardes, ineptos no
único mandamento do capital, lucrar.
eu oro eu lucro, minha bênção, minha
Glória final, meu culto.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

soneto

meu modernismo latente, clássico,
faz de mim um vanguardista
ultrapassado, sob a tutela da apátrida
arte, também sou um antropofágico.

um anacrônico na tese avant garde,
no presente ou no passado, não se
sabe aonde cabe, encima do muro
um futuro com um calendário à parte.

contemporânea tolice insistir na
mesmice de outros tempos, mas há
de vir com novos ventos um advento

em crise, não pertencer a nenhum tempo,
no entanto, contemporizando com a vontade
de que o esquecimento não o eternize.