quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ménage

diante de todo o meu amor
admiro tua postura, atitude
de recusa. você resistente
como toda juventude, me
expulsa sem alarde, singular
entre as musas, avant garde.
assim, és em mim ainda
tão intensa quanto foi,
revolucionária como a semana
de vinte e dois, eu, você,
tua partida, ménage à trois.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

eternidade

Não olhe os olhos que se afogam,
não quero uma imagem úmida de ti.
veja minha alma que te reflete, esquece
que há em nos um fim.

Leve meu coração para curar suas feridas,
assim, aceite que nele há amor para sofrer
por toda a vida, e pelas óperas que vierem,
a eternidade será meu fim.

Ou eu Outono

Passo os dias a observar da janela
da minha existência os outros que
junto com outros não passam dos
mesmos. Não há lucro em existir, os
meus ganhos é descobrir que toda
fartura tem a sua escassez, como os
santos que sangram enquanto homens,
e de sangue se alimentam quando deuses.
Por ora, por enquanto como uma virgem
apenas sangro. Nunca tive interesse em
deuses, meu deus é minha verve que me
concede o que quero ao passo que luto
por algo que deseje. Nada é de fato como
se supúnha, destino ingrato, amargo, adoça
a vida na velocidade do crescimento das
unhas. Não posso dividir a cor cinza que
me pinta e que colore os meus sonhos.
Se à alguém já apresentei  a face única
dos meus monstros, é porque talvez eu
nunca sei quando dissuadir os meus santos,
e, que a vida decida o rumo dos atos do
abandono, pois nesta estação sera ou eu
outono.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

revelia

os outonos passaram.
estima-se que se viva,
mas na vida que se vive
não há estimativas de que a
mesma tenha qualquer
tipo de estima por aquele
que na reprimenda à estirpe
da vida é voluntário intolerado.

os versos já não bastam enquanto
outonos passam, e, eu pela vida,
inviabilizado marcho.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

hálito

Empalidece a tez,
tece beleza na
face que fez
ser, eu, ser
apaixonadamente
seu.
O amor rubro
que empalideceu
quando soube que
se perdeu o que
fosse verdadeiro,
não se dissolveu
ao quere-lo em
desespero, e pô-lo
à prova pelo capricho
do receio, se perdeu...
traz na fronte clara,
suavemente pálida,
umedecidos lábios tácitos
de deusa cálida, musa
de alma plácida, viciou-me
em seu hálito, inoculando
seu sabor em mim.
Hoje doente pela falta
do seu beijo, ausculto
o caos do meu falido
mundo que sem ti,
oscila entre não existir
e resiste, tristemente a
sucumbir.

sábado, 27 de novembro de 2010

poeta de um milhão de versos

não há ambição em tentar viver de palavras!
ainda mais quando a poesia se torna barata,
fraca, vazia, resultado do brado de um poeta
calado, dono de palavras elegantes,

no sense, sem interesse algum ao que possa
ser comum sobre o que propõe o poema.
o que os versos querem quando o rumo a
seguir é o dilema de um poeta incansável

e sua enferma pena? o que os versos pedem
não são outros versos, mas talvez o propósito
que merecem perante suas formas definitivas

depois de desenhados, e não se verem imersos
por uma super população boba e estúpida de
um milhão de versos pobres e inacabados.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

soneto

perdi você. talvez seja minha culpa
mas aquele seu amor de puta , nunca
soube me merecer, hoje você e sua
postura antimusa repudio a meu bel prazer.

indômita fêmea dos dissabores que a vida
me propôs, vejo-te bebendo meu sangue
e rindo depois, seus rubros lábios ainda
provocam e insinuam sabor.

tu que outrora profanou me amar, ignora-me
como quem ignora um mal estar. não há nada
como não ter o teu olhar.

há dias que flerto com o receio de ainda
ti desejar, mas opróbrio homérico seria
pra mim se ousasse ainda ti amar.