quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Acolher à Coerção

Conceder a Lúcifer o título de Cristo,
fazer imagens de barro de Deus e 
dar a Ele a mesma carranca do 
artesão que o fez:
Deuses, os primeiros impostores, e o
Homo sapiens o primeiro impulsor.
Guerra, a língua paterna de toda a
Humanidade, sempre foi o idioma 
favorito de Deus, e o Homem auto-
didata aprendeu sozinho e jamais
parou de tagarelar. 

Vitral Noir

Colorindo sombras quando 
não sombreando arco-íris,
deslizando passos por úmidas
ruas ladeadas por bueiros 
exalando vapores podres com
cores de auroras boreais.
Revoluções em riste imploram
apoio dos meus punhos
cerrados enquanto minhas 
mãos entorpecidas descansam
em meus bolsos sem uso
de minhas vestes vertiginosas.
São vícios insanáveis toda 
essa auto destruição de toda
moral humana, e segue-se assim 
em overdose e mais super 
dosagens de destruição em massa
em telas de máxima resolução.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Último Momento Possível

Já fui dessa pra melhor
quando me segurei ao
fim antes que esse fim
fosse novamente (em 
cima da hora) adiado.
E se hoje estou de volta
na pior é porque decidi 
partir antes do tempo.
Mas como pude me
antecipar se era evidente
que minha hora havia
chegado, de outro modo,
se eu avisasse que
chegaria atrasado,
também não seria
ir à frente no tempo?

Passado Futuro

Eu preciso pra ontem
pensar em meu futuro 
dentro dessa madrugada 
ou no mais tardar nessa
manhã, por isso não 
posso prolongar a insônia,
uma vez que hoje já 
é amanhã e antes que
esse dia seja um 
novo anteontem 
depois de amanhã.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

A quadratura do círculo

Sou de mim um Deus,
sou também ateu,
satanista e o próprio 
Diabo. Sou sobre mim
poesia, sou talvez cada
verso que expressa 
certeza e sou do mesmo 
modo o poeta que
exprime e espreme 
dúvidas em formatos 
de poemas. Sou o meu
fim em meio a cada 
recomeço...
Sou de mim um adeus,
e sou também a teus pés 
quem implora que não vá,
embora haja espaços
distantes entre os passos 
dos teus pés e os vôos 
de minhas asas assombradas
pela má sorte de ainda
não saber voar, é quando 
caio em si...
Eu risco um semicírculo
quadro a quadro enquanto 
a vida assiste a tudo, 
e o design de tudo que existe 
atira-se do mundo das ideias 
e uma vez em solo vai pro
subterrâneo. Eu cavo a minha 
cova, deito em minha tumba e
sou a própria Morte, ainda viva.

domingo, 3 de agosto de 2025

Boca Boca

Ouvi dizer que
deu-se de boca
a boca todo
aquele silêncio.

Mas são só rumores,
pois surge como soa
e quando soa urge.

Pós-Guerra

Cabisbaixo no ápice 
e de cabeça erguida 
no profundo de cada
fundo de poço: Fosso,
meu auge...
quase sempre o mesmo 
auge de antes.
Não venço dar conta
de tantas batalhas,
nessa guerra (dentro)
de mim não venço dar
conta de todas as batalhas,
porém, se sinto-me vencido 
por mim mesmo, então há 
de haver em algum lugar
um Eu que seja vencedor 
também. Mas em cada 
cenário pós-guerra me
encontro sempre arrasado,
enquanto em paradoxo outro 
exército sucumbe ao meu
distinto general.