sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Palindromia

Um contra todos:
contra um contra,
todos contra, um.

Um contra
todos contra,
um contra,
todos,
contra um.

Um contra,
todos contra,
um,
contra todos,
contra um.

Um contra todos
contra, um contra
todos, contra, um.

Um contra todos,
contra um contra,
todos contra um...

Conto de Fábula

Era uma vez um Deus
Era uma vez um Anjo
Era uma vez uma Virgem
Era uma vez uma Gravidez
Era uma vez um Filho
Era uma vez uma Missão
Era uma vez um Destino
Era uma vez um Povo
Era uma vez uma Salvação
Era uma vez o Amor...

Era uma vez o Sistema
Era uma vez o Poder Estabelecido
Era uma vez uma Cruz
Era uma vez uma Crucificação
Era uma vez Cristo Jesus...

Era uma vez o Amor
Era uma vez um Amar
Era uma vez Não é mais
Era uma vez Acabou
Era uma vez Uma Vez
Era uma vez Nunca Mais.



quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Pranto Pálido

Insta véu a face
para disfarçar a
ira,
disfarce vexame
para cada fase
quando instável
a tez:
a ver 
avermelhada,
assim,
ora rubro o riso
desespero, ora
pranto pálido em
desapego ao sal,
líquidos sorrisos
poucos, estúpidos
sempre e
felizes ex-...

Quando retira o escuro véu
para ver,
a tristeza olha com olhos que
dizem adeus.

Meu Deus sou Eu

Sangro falso como
santo postiço.
Vendo minha imagem
como vendem a de
ídolos católicos.
Meu vazio interior
como uma grande nave
de uma imensa catedral
repleta de Anjos assassinos
de Deus e Demônios adoradores
do mesmo Deus morto,
ali, Jesus não foi para a cruz,
mas pregou seu destino nela
e foi para o gueto levar uma
vida patética e altruísta.
Esse gueto anexo da grande
nave, vai desde meu vazio
até o vazio dos corações
partidos dos adoradores do
Deus morto.
Eu não existo internamente e
observo toda essa cena que se
passa agora e sempre,
de fora,
de cima,
do alto...
como um verdadeiro Deus vivo.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Onde Aonde

Fraturas ex-postas em arranhões,
feridas em face 
de farsas e a existência 
em fases de ênfases,
máximas falsas e enfáticas que
desdizem-se afirmando ser azul
o vermelho ferro do sangue.
Haicais tão profundos quanto
uma conversa entre navios de
plástico encalhados no raso do
mesmo cais.
A vida hoje faz-se assim,
neutra, nula, omissa, boba, rasa,
pseudo casta e conservadora. 
Hasteio minha ideologia onde
todos possam ver minha bandeira...
e grito, subo alto e grito,
piso firme e afirmo...me,
firmo o passo e sigo,
vou e volto e busco...me,
busco-me onde aonde todos não vão.
                    

Morrer Matar

Eu irei morrer
(de amor) nesta vida.
Obviamente não.
Irei condená-la 
(a vida) a morte
todos os dias, e
quando (por amor)
não mais querer viver,
nem morrer, 
hibernarei congelado
em algum poema-cometa
e quando chegar perto do
ouvido de Deus,
deslizarei pela espiral
de sua orelha e voltarei
para cá, para morrer matar
em ódio a raiva de sempre
estar a querer (viver) de
amor uma existência toda.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Sobre poetas e demônios

Algumas vezes já fui
Neruda e, assim como
Pablo, também já fui
Augusto, dos Anjos. E
de outros demônios
que vivem nas ruas 
que passam ao largo
de tudo mais que posso
ser já fui amigo,
amante e confidente
fiel de todos os tormentos
que afligem os demônios
e os poetas também.
Quanto a mim...?
espero um dia qualquer
também poder sê-lo.