segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Magno

Megalômano, o vírus,
despertou da sua
inconsciência sentindo-se
um tumor cancerígeno,
maligno e destruidor.

Essa ínfima existência
sonha um dia  em ser
uma avassaladora doença
capaz de epidemias e,
quiça, extinções. 

Vieses Inservíveis

Doa-se versos quase novos,
não lidos, de velhos poemas
de uma nova poesia, esquecidos
há muito...
Doa-se estrofes, quadras,
tercetos,
Doa-se odes, haicais, elegias,
aforismos e sonetos.
Doa-se tudo que seja poesia,
e para quem além de levar os
versos também ler os poemas,
ganhará do verso lido,
do poeta, a ideologia.

Útil Dia Último

Não derivo da sorte,
à deriva num mar de
azar ancorado numa
tempestade eterna e
ternamente furiosa.

Na hora da morte se
alimentar eu sou
apenas só mais um
em seu cardápio, e
quando for eu o
prato escolhido,
sei que irá me
saborear sem pressa
alguma:

À la carte
sinto-me já sendo
servido.

Não possuo dos vitoriosos o porte,
o corpo que uso é fraco, doente,
magro e de aspecto fantasmagórico.
Minha cabeça pesada que dos muitos
empréstimos da loucura, é certo que
esta um dia me levará a razão.

Esta usurária cobra um preço alto
pela minha dela emprestada
inspiração.

Mas quando chegar a hora
que ao menos seja útil meu
dia último, que Deus venha
a existir quando eu for
embora, para me explicar
o porquê desta existência
frágil e sarcasticamente
estoica.

domingo, 5 de agosto de 2018

Bolsonarismo

Caras  brancas, caucasianas,
feias, bobas, francas.
Crachá carranca,
máscara face de caráter
quase, porém plena,
toda hedionda.
Faces em ênfases de
escárnio, uns olhos que
cospem, sempre no olhar
trazem escarro,
desprezo toxico por
qualquer diferente imagem.
Face faz-se fascista
em face de semelhantes
faces, redundantes fazem-se
em frases de medo e ódio,
em frágeis contextos ilógicos,
nazis utópicos, fantoches,
fanáticos, fantasmas fantásticos
de um fracasso ideológico.
São todos tão bons,
são vis cristãos do diabo.
São o axioma do mal, do
mau que se soma ao
discurso estúpido daquele
a frente destas faces tão
débeis, tão reles, tão praxes,
tão reses, tão férteis para o
caos...para este Fausto assim
implantar seu tão sonhado
neo Holocausto, sua verdadeira
intenção afinal.


Guerra Vida

Jesus, herói dos desgraçados,
gloria divina, graça humana,
mártir ultrarromântico
assassinado por ordem do pai,
dizei-me como posso ser eu
também um soldado do amor
nessa guerra vida de falsas
paixões, diga-me como faço
para amar esta vil madrasta,
esta existência canalha que
me julga um razoável nada
num campo de batalhas de
heróis?

Quero ser um herói a guerrear;
quero ser Jesus de martelo e
pregos nas mãos pronto para
o seu amor pregar, atravessando
os corações como lança,
perceba como é bela a dança
dos corpos de outros heróis a
música desta guerra querendo
dançar, e dançam e não deixam
o baile, a guerra jamais,
nunca acabar.

"...agora dança em mim um Deus".

A morte veste vida

Tu'alma
em teu corpo
arde,
inside, interius,
em artérias,
em si nua,
alva, a alma
tingida de
vermelho sangue,
insinua que um
coração bate.
Mas não
bate mais.

Tu'alma
em teu corpo
ardía.

Uma alma neste corpo morto havia,
insinua a morte e, em si nua, diz
que hoje já não mais há vida.

Estéreo Tipo

Se sou comum,
assim, como os
outros, por que
então os outros
não são assim,
como eu,
como um?

Acho que não
sou um tipo
assim, comum,
como todos.