quarta-feira, 5 de abril de 2017

Oração

Peço a Deus, se é que ele acredita
em mim, que eu vença.
Peço a natureza, se é que ela pode
me ouvir, que forças eu tenha para
sempre no mínimo tentar.
Peço a mim, em íntima oração, que
nunca haja covardia, e que o medo
que há e que é inerente, um zelo da
criação, seja apenas mecanismo
para eu me orientar por onde tenho
que seguir.
Peço a vida que seja menos amarga
e que seja condescendente das escolhas
que eu faça, que se mostre ao menos
interessada. Que não seja vil, que não
seja nefasta.
Peço ao destino que seja razoável,
que o que é que tenha decidido seja
possível a mim adaptá-lo as minhas
vontades e talentos, e se eu trago
comigo algum dom, que eu descubra
a tempo de poder ao menos praticá-lo.
Peço a poesia que me entenda,
que com minha rebeldia não se ofenda,
saiba ela que eu sou um dissidente
antes para depois ser um poeta, e que
meus dedos tortos jamais doutrinarão
minha pena inquieta, a inspiração que
em mim se eleva jamais poderá caber
dentro de qualquer tola métrica e, se
isso um dia acontecer, que eu rompa
em definitivo com a poesia, e assim,
essa será com certeza, minha última
razão poética.
Peço ao tempo que tenha disciplina,
que seu passeio por mim ocorra
uniforme, que seja suave o balançar
do seu pêndulo temido, que venha
com o passo firme do seu caminhar
sobre minha existência, sabedoria e
desejo de aprender.
Peço ao amor, e desse modo faço
meu último pedido, que seja ele
incansável, e que por onde quer que
eu vá e siga, que venha ele sempre
comigo e, inseparável seja, pelas
veredas dessa vida.

É sal, é suor, é mar.
É fel em mel o doce
do amar.
É fogo e é fato que
é tolo quem não se
permite queimar.
É dor e a dor é a
melhor rima.
É só o ideal da vida,
o bendito do amor é
maldito em sina,
ensina.

É sal, é fel, é fogo,
é bobo, é dor...
é só.

É só...o melhor da vida.

Óculos

Meus olhos vítreos viram,
e vítimas da visão que os
aviltava, vociferaram em
voz maior que o pranto de
um amor perdido.

Violaram as trevas que
que os cercavam,
e ávidos por vontade e
força da natureza que os
forjou, fugiram da cegueira
que os observava.

domingo, 2 de abril de 2017

Untouch Screen

Não sou moderno,
menos ainda tecnológico.
Um modernista talvez,
porém, em caráter variável.
Não sou, quem me dera.
Os nascidos com as mãos
pálidas ou quase, e com
dedos para virar páginas,
não se adaptarão em um
mundo de cutucadores de tela.

Percepção

O silêncio aguça a audição,
mas de nada vale a surdez;
O escuro apura a visão,
mas não para quem tem os
olhos em treva perpétua;
O olfato apurado percebe
um odor distante, mas não
sabe que cheiro tem a cocaína;
Os sabores do mundo, todos
numa simples lambida da
língua, mas o sabor da vida
certamente está no gosto de
uma vagina;
Uma frágil rosa, que representa
uma paixão, um quase amor,
percebe-a quem a segura nas
mãos, e num descuido, os afiados
espinhos vão decepando o
polegar opositor.

Escopo

Meu plano A é
ser grande nesta
vida; Meu plano
B é insistir na
ideia do A e ser
maior ainda.

terça-feira, 28 de março de 2017

Reticência

Se puder sepulte
sob seus seios
senhora, minha
existência.
Sabe-se que outrora
havia um coração ali
onde agora há um
cemitério de amores
e reminiscências.

Se der, semeie sobre
mim um olhar feliz
de ilusão, e que seja
ao menos reticente
em aparência.