sexta-feira, 21 de junho de 2013

Soneto

que gosto tem meu sangue, brasil.
que cara tem teu medo, que medo
é esse que suja meu sangue com as
mãos imundas do teu Estado, brasil?

porque não te orgulhas desse povo
tão bravo, por que não dá aval à esse
desejo tão sábio de novos rumos?
orgulha-te brasil, teu povo é raro.

orgulha-te do teu povo pois tua gente
é quem te faz assim, tão impávido.
hoje não apresenta uma figura materna

gentil, és apenas um Estado inválido que
suga todo o sangue de cada filho deste solo,
que gosto tem brasil, meu sangue derramado?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Éforos Nulos

somos legítimos
éforos nulos,
calados somos
mudos...pseudos
surdos.

acomodasse à
incomodar, assim,
atesta à testa do Estado
que chega, não dá mais
para contemporizar,

pois, o contrário
é sábio em afirmar:

somos legítimos
éforos nulos,
calados somos
mudos...pseudos
surdos.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Vossa Voz Fosse Força

tua voz que liberta,
ecoa.
é clava,
é clave.
tua voz clama por ti,
é chave,
é chama.
tua voz ilumina,
ascende,
destrona.
tua voz disciplina,
diz,
ensina.
tua voz vos ressoa,
assoma tua sina acerca de ti.
de tua voz, embriaga-te...
beba,
tua voz é sangue,
elixir.
tua voz é razão,
é vida,
razão do existir.

tua voz o liberta!

não és livre, tu?
vai, berra.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Acapella

sob rosáceas púrpuras de
iridescentes vitrais,
numa capela surda,
solitário, sujo, surjo só.
ausente minha endêmica fé
flutua por outros ares, se
perde entre abissais abóbadas
celestes, longe do seu habitat,
me esquece. és má.

sorrio dentro do
lapso sombrio do
desacreditar.

sobre mim, sobre os vitrais,
sobrevoa acima do ceu,
sobre o luar, na busca de algo
maior para crer e desacompanhar.


terça-feira, 14 de maio de 2013

rumores de elegia

anuncia rumores de elegia,
a placa no caminho, dizia.

o rumo se segue em apatia,
distraída, a pena traída,
por onde andaria.

anuncia rumores de elegia,
um verso no poema, dizia.

sem rumo o poeta segue
em apatia. distraído,
atraído pelo norte,
traído junto a pena,
pelos nunca (l)idos versos da morte.

espelhos mortos

peça ao espelho que se cale,
tua nudez pertence aos meus olhos.
diga ao espelho que não olhe,
há apenas em meus olhos o toque.
suave e belo é a superfície do pecado,
capricho de deus, talento do diabo.
eu, para beber do teu corpo, teu
cálice, desejo como um ser natimorto
despreza a continuidade da especie,
quebrar o espelho que se atreve
usar tua beleza enquanto à masturbo
em meus olhos.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

sentido(s) abstrato(s)


olfato para cocaína,
assim observou o cego voyeur.
na mudez, problemas de dicção,
degustar na língua o que não se
pode dizer.
sem poder ouvir os ruídos, reverberam
nos tímpanos o som da ausência da
ausência do emudecer.
com mãos hábeis como uma luva,
se faz o poema abstrato, sem culpa,
para assim o poeta, ao escrever,
ter uma desculpa tangível para
leitores que nunca irão ler.