sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lua doce lua

musa de todos os desassossegados,
dama fiel dos inquietos poetas,
feiticeira dos céus,
bruxa de sorrisos plácidos,
dona das minhas sextas...
lua...musa apaixonada.
mágoas embriagadas em lágrimas que
temperam minha face iluminada.
destiladas mágoas lamuriosas canto à ti
no grito profundo de todos os ébrios
que abrigo em mim, e,
que blasfemo sem saber por que fim.
sua crua luz me acompanha, me segue,
me segue ali, juntinho, até o fim.
musa dos desejos ilícitos, deusa pálida
da alma dessas palavras que compõem
meu pensamento:
-lua, ofereço-me a ti, nesse momento,
nesses versos aqui, vendo minha alma,
sem custo, e, à mim, aceita-me como esmola,
como amante, como poema outro, indiferente,
como voluntário sem meta à habitar seu mundo,

seu universo de boêmios e estúpidos poetas delirantes.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Volume dois

...volta a andar como um louco que
nunca deixou de ser no pensar, volta
a ser o que era e o que é, e, assim
como foi, volta a ser o que sempre será...

O que procura a vida em você, é o que
ela sempre teve e o que sempre terá, é
a mútua ideia de conviver, a ideia do
entardecer vivo, e ao anoitecer, não morrer,
mas se desprender da vida como quem pede
"sai fora" e viver a eternidade dentro
do risco de estar vivo numa noite louca e
perigosa, efêmera eternidade. A verdade
sobre isso é o dia que vem suave como
um tapa na cara, é você de novo, voltando
a andar como um louco que nunca deixou
de ser no pensar, volta a ser o que era e
o que é, e, assim como sempre foi volta
a ser o que sempre será.

...a droga da espiritualidade da espiritualidade
que vem com as drogas...

Já é hora de revolta, os pontos fracos
já não são mais fracos, muito menos pontos,
são visões psicodélicas que no auge de sua
contemplação é a sua face inexpressivamente
feliz e experiente, estragada e deprimente
em frente ao espelho, o mesmo usado como
base para aspirar a imagem dos microscópicos
pontos fracos. O que será que pensam, sobre
O que pensam os que ainda pensam?
O que tememos agora? Vai homem, cansado
do fardo de ir à luta, de continuar achando
que toda essa história é apenas algo bom
para gritar, escrever, já é hora de romper
e, mais do que preciso dizer, é gritar que
sempre é hora de revolta, de contestar revoltas
e de tentar achar algo novo dentro da droga
da espiritualidade da espiritualidade que
vem com as drogas.

...liberdade para usar, pra jogar, pra matar
liberdade pra viver o que querer o pensamento
do sujeito que conjuga o verbo amar...

Voa às faces de toda essa grande e pueril
massa de personagens, a impetuosa ventania
de subversivas emoções, de ideias cheias de
vontade de algo mais, pois acho que, longe
do descanso, penso que depois de tanto preciso
de muito mais. Sou a música que me escuta
sou, quem sou? vou na batida, no groove do
roquenrou que é a desculpa pra dizer pra vida
que sou o que sou, vou na mímica de mostrar
para mim que posso ser o que souber rimar
comigo no sentido de amar o inimigo, mesmo
que o mesmo seja o perigo de usar a liberdade
para se embriagar de vícios, de ter liberdade
de derrubar mitos, de verbalizar e entoar gritos
de rebeldia, versos de liberdade pra usar,
para jogar, para matar, liberdade para viver o que
querer o pensamento do sujeito que conjuga

o verbo amar.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Talvez dor seja isso

O cinzeiro cheio, o criado mudo, sujo. calado.
o cigarro queima nos dedos da personagem,
os mesmos que escrevem esses versos a sua imagem
de poeta mudo, sujo. calado.

O mundo talvez seja o que não sentimos,
talvez sejamos no mundo o que pensamos,
e pensamos sobre o que sentimos em vida,
somos vida, outros são mundo.

Sou a disciplina da minha escrita
não tenho regras, não tenho rimas.

Não nascem rosas no asfalto, o jardim
é um limitado espaço, não segue longe
ao horizonte, não voa alto.

O cinzeiro cheio de um mundo triste
que não sente, mundo de personagens
que pensam em vida à vida, sobre em
que vida queriam ser melhores versos,
ora mudos, mas quase sempre calados.

Somos omissos. Pensamentos que sentimos
são palavras que velamos, noites temperadas
com lua e vinho, na busca por tentar dizer,
expressar-me, escrevi, me contive aqui. sozinho...

Talvez dor seja isso.

soneto

ergo-me da incerteza que me abriga.
beijo a face ácida do tempo, suave brisa.
excito-me vendo a dama de preto
vestida de morte contente e altiva.

vejo-me nas águas banhando o corpo
da mesma dama de preto, agora despida.
ela me beija com seu bico de corvo
e é dela a alma que habita-me, viva!

juro pra sempre servi-la,
juro pra sempre admira-la,
juro tentar ter com ela o que não tive com a vida.

deito-me no leito derradeiro,
findo o encontro como quem termina um soneto,

chego enfim ao fim e permaneço obsoleto.

soneto

criminosa desculpa tentar obter poesias
sem nada para escrever. tentar traçar
algumas linhas sem nada para dizer,
procurar adrenalina em um romance para ler.

gastar todas as tintas sem nada
para pintar, todos os acordes numa
canção para vender e orar, ser revolucionário
e aceitar, acreditar que tudo é já.

dirás que um verso teu não foge a pauta,
que um beijo seu não se escarra fora, que
a vida é vida quando a vida falta.

gritar na noite desejos de rebeldia,
ser um culpado suspeito, sujeito urbano

um cigano sem tribo, pazanarquia.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Apaixonado Solidão

Ah pai, como me sinto pobre!
como me vejo longe de qualquer sorte.
Do que me adianta uma alma nobre,
se meu coração esnobe, negro,
denso e covarde, arde e entoa
palpitações e características de um vil lord?

Sincero como uma respiração,
vou na melodia do batuque do mesmo coração
que é o groove da canção, a trilha sonora
que outrora tocava, não como marcha fúnebre,
mas como senhora da emoção, o som
agora vive apenas no peito da minha doce ilusão.

Ah doce ilusão, quem andas amando?
não mereço o apreço que me dedicas
com o mais profundo desprezo do
teu coração, meu esconderijo que
não mais habito, desde que disseste não
às minhas súplicas de apaixonado solidão.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sumário

sentindo cada toque frio do desespero,
me aqueço ali no canto, perto do medo,
me cubro com minha manta de desejos e
me acalmo, vejo o abismo já perto, já
consigo avistar um outono bem mais frio
e cinza que todos os outros do sumário de
minha história poética.
penso no abuso que tudo isso possa parecer no final,
estudo cronologicamente todos os meus atos
e faço uma grande reflexão do meu destino:
-de longe, bem lá no fundo eu me vejo,
pra você leitor ingrato é como se estivesse
me olhando do alto de um precipício, eu estou
lá no fundo sentindo o frio eterno de outonos
e desesperos profundos.

vou por mim mesmo e pelas palavras que
com um ponto final "findo o que eras".
com um punhal cravado no coração do poeta
acabo com a espera de um bem estar que vem
sem sentido, e, sentindo a morte já como hospedeira,
sucumbo febril, tremendo orando no frio do
desespero outonal que sorrindo com uma face medíocre
como a cara da minha vida inteira, e assim rápido
como pensamento passageiro, o outono se dissolve
em lágrimas de um céu cinza que me cobre de lamentos
e, eu, poeta moribundo, beijo a face do mundo
e me liberto da vida, estrada que perpetuei sendo

incansavelmente mendigo de sentimentos e de versos de partida.