sábado, 26 de julho de 2008

Tresonetos

atento ao ouvido da porta
ouço gritar a saída,
no espanto da morte
assassino a vida.

alheio aos olhos da porta
vejo me olhar a entrada,
no sarcasmo da vida
vejo entrar a morte.

ao acaso exposto a trama
age a personagem, que, do
outro lado clama:

-quem é, alguém?
apenas uma brisa fria,
estou atento demais ao ouvido da porta.

será que és tu?
persona chave de meus poemas,
por que não entras?
deixe-me ver-te a alma cru.

sabes que posso aceitar essa visita,
sabes que não me resta esperar da vida,
sabes que a vida não me visita,
sabes que ela em mim não acredita.

hierático, estático, profano meus gritos
em orações que despertam o ser que
jura não ter tentado ter com cristo.

eu, personagem alheio ao acaso,
explico para ti, nesse soneto,
que o medo não é nada didático.

não entendo por que dizem que
as portas são surdas, por que?
pode até ser, mas o outro lado
sempre ouço berrar, por que?

tenho um medo que me assusta,
tentar entrar pelo espaço, e
no vão da porta achar o meu espaço
me assustando com a cara feia da fuga.

a porta sente(ouve)meticulosamente
todos os meus passos(ideias)e,
como uma dama(puta)se rende

facilmente ao meu papo de poeta.
vou achando as respostas
agora que a porta esta aberta...

soneto

estranho ter esta visão panorâmica,
aqui, do fundo do poço, vejo o
imenso berço que me deito, deslumbro
o horizonte, encaro minha criança.

nessa poesia de versos novos,
nesse soneto de velhos trajes,
humilho meu erudito, repetindo pausadamente
as orações ultrajantes de todos os povos.

é compulsória a ideia de ver surgir
um novo homem, aqui, dentro desse poeta
há infinitas personas de singulares modos.

é honesta esta tristeza remasterizada,
forte, é funesta a pena que desenha os
versos, que, escrevo para minha morte.

domingo, 15 de junho de 2008

Vãs tristezas

a pena que fere o papel traz tristezas.
a pena que apoia o poeta o aflige.
a pena que de versos a folha tinge,
é a arma desse colecionador de poemas.

a dura pena vive o pálido poeta, que,
proibido de sangrar a pena, vive a esmo,
a espera da morte, preparando o enterro
de todos os versos que produz sua mente inquieta.

sem lira, sem lua e sem dama.
vai triste o homem que outrora
brilhava como sol da aurora, e,
que agora sem musa chora...

por quais linhas andará sua pena?
seu coração já sem ação, não bate, ressoa.
palpita no peito, sem vida, atoa.
não há poesia nada mais há em cena.

a arma desse colecionador de poemas
é a pena que de versos a folha tinge.
a pena que de versos a alma aflige..

o poeta e a pena, vãs tristezas.

soneto

minha linguagem poética viciada,
minha poesia não se lança ao acaso.
ela nasce já sabendo todos seus passos
e faz uso de ideias novas, todas já arquivadas.

preciso quebrar o monopólio,
preciso romper, foder a etimologia.
acabar com esse vício, mudar a fraseologia
que compõe meus poemas simplórios.

vou matar o poeta, cuspir em sua face.
calar minha alma, me deter no clímax,
abandonar a musa, desatar o enlace.

ah! falsas e vazias palavras amargas,
não me permitam abandonar a magoa,
não deixem que minha poesia se cale.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Em Suma (Insumo)

algo que cai- alguma coisa se move.
olho ao redor e só vejo o nada
se movendo calmo, como caldo quente
que escorre- morre? foge!
há estruturas ruindo- destruindo.
sempre o ruído do impacto de
algo e o chão, me lembra uma
criança caindo- me vejo então...
morre aqui o poeta de coração ruinoso.
-pois poeta é ser autêntico, novo.
morre aqui o poeta de coração ruinoso.
...me vejo beijando o avesso,
me escondendo em poemas, e, querendo
que os mesmos sejam meu único endereço.
rezo. peço que aqui:
-lugar onde jaz, jaez, e, há
de sempre feder, o poeta,
haja sempre razões para novas desgraças.
que o desejo que tenho em minha alma
conduza-me bravamente ao encontro
de diárias batalhas, e, que eu cuspa na face
dos canalhas- sempre que olhar o espelho.
procuro entender minha criança
e como custa entender que augusto estava
certo em dizer: "existe mágoa em sua essência".
palavras em ação, em suma:
-poesia pra mim soa intensa como

masturbação e estupro...culpa.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Poema de bolso

chego me corto. durmo.
chego me olho. sumo.
chego me drogo. acordo...volto.
chego me isolo. morro.
chego me curo. acordo.
chego e sumo. me olho.
chego. acordo...volto. me drogo.

chego me isolo. morro.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

É Preciso Romper Sempre

Impróprio para leitura.
dito isso, darei forma a poesia,
indo ao profano e corrompendo o erudito.
Jogando com o diabo e amando os anjos.
Pensei em uma frase bonita pra escrever agora, apenas pensei.
A aparência inócua dessas palavras preconizam o significado estereotipado das minhas poesias.
Pensamentos aparecem como imagens em slides na minha cabeça, lembranças subliminares atarracadas na memória.
 -fotografia do fogo, fotografia de fogo.
É preciso romper sempre.
Minha alma corsária empala meu destino, e o leva a se expressar pelas entrelinhas.
é preciso romper sempre...
é preciso visitar o passado e, deve ser conveniente estar embriagado, mesmo que não pareça “escarra nessa boca que ti beija” diz Augusto,
mas não tenho o controle de mim perante o inimigo, e, sou sábio em afirmar que se fosse o contrario estaria mentindo.
Gostaria de ser mais específico agora, apenas gostaria.
Como escrever algo novo e como escrever de novo?
Minhas estúpidas intenções nessas palavras vazias que, flutuam dentro de um frívolo contexto, me remetem ao tempo de Samsa, vivo de sonhos intranquilos. Traduzo esse desuso do meu uso imerso no caos da minha cólera em inquietos poemas.
Consumo algumas drogas e tento não mais ser usado por elas,
apenas tento...
quebro o molde e desisto desse poema.

É Preciso Romper Sempre.