sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O Último Solilóquio dos Suicidas

Ele iria morrer, isso era certo.
Já havia sido decidido por mim.
Podia ser agora, poderia ter sido
ontem, pensávamos, a solidão não 
deve ser a afirmação de tudo que
afligia. Mas era, porém, não mais
do que o contrário. E matar essa
vontade de morrer hoje dá-se em
um ímpeto de vida que me assalta,
uma epifania em déjà vu . 
Querer morrer não é novo, 
e matar-se tampouco, a morte da
maneira como ocorrer, também 
jamais será única. Minha vida
nunca foi o bastante e desconfio
que a morte também me será pouco. 
Não invento nada, em absoluto, 
simplesmente somos o resultado
das nossas emoções. 
Eu sou dois. E o eu que quer morrer
não será o mesmo que irá se matar.
Morreremos os dois, mas somente 
eu matarei. Faço isso por nós, 
sacrifico-me e, não aceitaremos que
ninguém, empregue seu luto em nós. 

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