domingo, 17 de agosto de 2014

a(dicção)

Nunca nos entendemos,
eu e minhas virtudes.
Há silêncio na expressão,
pois quando falamos
nosso problema é adicção
que empreendemos.

Câncer

Quando observado
microscopicamente
o câncer (seria um
horror afirmar, mas
digo) o  tumor  me
lembra   a    beleza
m o n s t r u o s a
de   um     gigante
m a l i g n o.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Autarquia

me diga se todo o tempo
do mundo cabe dentro de
um relógio; se todos os dias
passados e futuros cabem
em calendários; me diga se
todo o amor do mundo é
capaz de preencher todo
um coração mundano; me
diz se a miséria é maior
que os desejos de toda
uma nação; se o consumo de
poucos pode nutrir a inanição de
todos em uma sociedade;
se deus é maior que o homem,
sendo o mesmo homem a
exata semelhança da mesma
divindade; se o pagão pode
sucumbir perante uma unidade
divina; me diga se toda a
realidade cabe em um sonho
meu, e se dentro desse sonho
eu acordasse, eu poderia fazer
do que é onírico a minha verdade;
me diga se o desejo de todas as
palavras é um dia se verem dentro
de um poema, ou se elas ignoram
a poesia e preferem o anonimato,
a filosofia do silencio, ao invés do
fonema; me fale da solidão que me
trazem estas palavras, da obstinação
delas em corromper minha gramática,
da confusão tão bela que geram em
minha cabeça quando eu às finjo
ignorar, da devoção à minha pena,
do respeito que elas tem para com
minha tristeza quando esta está a versejar.

peço que esqueça o que aqui foi
pronunciado, nada faça com isso,
ignore, deixe de lado...pois nada
vale nessa vida a voz da certeza
para quem quer viver calado.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Soneto

ainda que haja entre nós pouca
compatibilidade, tenho de te dizer,
amor, sagrado sentimento profano,
salvaste minha vida em vão engano.

eu que nunca soube lidar com
minha ociosidade, antes de ti
havia em meu cotidiano apenas
livros, drogas e tempestade.

entre o ópio o álcool e a cocaína,
eu tinha a poesia, o romance e a
filosofia, e tudo era pouco demais,

pois eu sempre cada vez mais queria.
ainda há muita leitura em minha vida,
mas hoje a única droga é a ocitocina.

Monodia

Cantarei o amor!
e digo que esse será meu
Último berro, mas não
Mais escreverei
Para ele poemas e
Ardorosos ternos versos.

Cantarei o amor!
Ainda que minha
Pena sangre, mas
Não mais ousarei
Olhá-lo nos olhos
E senti-lo no coração,

ainda que'u me engane,

E que eu arda em desespero,
Cantarei o amor apenas
Por fazer, assim como fez
O poeta primeiro, cantarei
Apenas para calar esse silêncio
Doido em meu peito guerreiro.

sábado, 31 de maio de 2014

Decaído

Deus, me responda, o que sou eu?
como posso duvidar tanto da tua
existência, se ao menos eu tivesse
alguma certeza quanto a minha crença,
se ao menos houvesse fé.
Deus, me diga, o que eu sou,
um Anunnaki (feito a tua semelhança),
um híbrido de linhagem
terrena e cósmica, ou apenas um típico
humano amante da dúvida e da
minha natureza exótica? (e da esperança).
O que sou perante à ti, ante ao o que
nem sei se é real, como posso não sentir
tua onipresença, me diz aí, Deus,
tu consegue sentir a minha?
Sabe quem eu sou ou tua natureza divina
é assaz demais para conseguir notar
minha infinitesimal existência?
Por que não somos tão íntimos quanto
és dos outros, por que minha quase nula
fé em ti só aparece quando preciso de socorro,
é assim que eu a ativo, é dessa maneira que
funciona?
Me diga deus, eu, o que sou diante a tua pessoa?
Como posso como poeta apenas escrever indagações
acerca da tua existência, me diga se ao menos poeta sou?
O que sabe sobre poesia, alguns versos meus já decorou,
assim como eu sempre ignoro quase tudo relacionado ao
o que dizem que você ensinou?
Por que não me ensinas também, para que eu possa ser
lembrado por ti como algo que você um dia já amou?
Por que eu não lhe amo, senhor?
por que gosto mais do álcool e do ópio,
me diga deus, só assim posso sentir um pouco da tua grandeza
de criador?
Minha perdição senhor, é não crer em ti, ou é suspeitar
que nada sou graças a vossa semelhança e ao teu amor?
Aonde irei determinar tudo isso,
ao teu lado, ou deverei me humilhar para que me seja
concedido a graça de habitar os teus pastos. Me diga
como faço para ser mais um entre teu gado, teu rebanho?
Sei que pode soar estranho eu falar assim, mas é o que
sinto e, mentira seria, se fosse diferente, qualquer coisa
de mim para ti. Não seria nada verdadeiro, mas com toda
tua sabedoria já deve saber de tudo isso. Falando nisso,
você que tudo sabe, como pôde não saber como me fazer
pertencer aos teus, como posso não sentir o que sente
aqueles que se ajoelham sob os céus? falando em céu,
a diferença é que eu sempre quis andar sobre...
Se todos o veem como um misericordioso, eu o tenho
como um misantropo, como um egocêntrico ufano,
mimado e ardiloso. Me diga Deus, cabe perdão à verdade,
ou ela está acima disso?
Minha alma é um precipício, e minha queda é me encontrar
dentro de mim mesmo, eu, um decaído... a esmo.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Prelúdio

o brio fachada,
eu vazio inflamado,
no cio do nada o
contrato com a vida
assaz assinado,
assassinado...
assim assinara.

a vida acontece no nada,
na ilusão exata.
em precisão sem coordenada;
a vida acontece intacta.

o tudo, é minha existência violada.

eu que
sou ao
t o d o
n a d a.