domingo, 22 de janeiro de 2012

pecados e maçãs

o som do groove do coração
que em meu peito bate lembra
um blues obscuro tocado
antes dum ritual estranho de abate.

esse coração indelicado, quase
um canastrão, traz nele amores
sem tato de um sentimento por
Deus feito a mão.

meu Deus, por quê tantas costelas
e nenhuma Eva em meu coração? dá-me
uma dama que me alforrie do paraíso,

ao meu lado prove pecados e maçãs,
me ame em juízo e comigo, pela
eternidade, adormeça toda manhã.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sinestesia

Lisérgicos lábios de deusa,
bruxa divina.
Pulsa a vulva
beija, chupa a fruta,
suga a seiva, o suco,
degusta o gosto,
desbota a cor.
Usa o sabor,
a melanina no
quadro que pinta,
o artista a língua.
O bardo desejo brada,
afirma:
-és arte maldita
vossa sublime vagina.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

rarefeito

o que importa o que quero, se não há resposta, se há
mistério. não incomoda o
fato que me explora no tanto
que minto no status de sincero.
se fosse agora o ápice, houvesse
existido cumplicidade no clímax
da paixão consumada e, que pelo
fim não se chora, já foi
lavrado o pranto e, portanto,
quanto ao uso desmedido, hoje
é só desforra. da sua falta
em voga, o que era desejo
agora enjoa, o sal da boca,
a saliva, o tempero do beijo,
a melanina, a vagina, o âmago,
o raro amor...rarefeito.
do ruído da partida, o silêncio que
ressoa, a ruptura. tudo foi tudo
tão depressa, a reza, a febre
da oratória do desejo do pra sempre.
o nosso stress nos instantes dos blefes,
e sei, nessa hora que, foi num desses
que a noticia de ir embora, tu não deste.
o que importa a gloria de ter amado,
se o fato é que fui propositalmente
desperdiçado. do meu melhor, do que
seria minha ode perfeita, em minha poesia
a melhor estrofe, não foste.

do erudito, posto falso do amor, à maldita mística do destino,
deixar-se amar em equívoco
na certeza do que sente, morder a maçã
na mesma manhã em que
se ceia a carne acre da serpente.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Entreato

Da esterilidade da pena
Ao celibato do poeta, dizia:
- Deus, o que será de mim se
Todos acreditarem naquilo que
Se escrevia?
Não há poesia,
Não houve poesia,
Nunca haverá!
Sabe-se que a vida se faz
Em eterna elegia quando se
Procura desnudar a alma e
Forjar, sob o mesmo molde,
Poesia. serão os versos translúcidos,
Terá a alma suficiente beleza ou,
Será a vida uma existência vazia?
Não há poesia, não houve, nunca haverá!
É possível andar sobre as nuvens,
Saltar de uma para outra como
Sapos felizes entre nenúfares?
É possível colher rosas no asfalto,
Andar acima do céu, sob o chão,
Como quem caminha descalço?
Seria ainda ontem, o hoje, e o amanhã
Suicidaria.
-Deus, o que será de mim se
Nada disso for poesia?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eu lírico

Entre mim e
tudo aquilo que
sempre quis ser
há um eu
tentando ainda
acontecer.

domingo, 27 de novembro de 2011

one more twice

não fosse trágica tua ida,
voltastes,
me deste um beijo e
teu corpo para que
mais uma vez eu
a devorasse, penetrasse
em teu desejo e
com toda minha carne
ti amasse. mais uma vez
amei,
gozei, renasci. encarei
tua volta como a
aurora de novos tempos,
mas tu foste embora,
de praxe,
como outrora,
agora acontecendo.

anamnese

há tantas reminiscencias no mundo,
a memoria da vida.
jesus morreu por mim,
sendo assim,
tambem sou um homicida.
minha fé volátil,
assídua,
fez o criador crer em mim
sob o status de bastardo parricida.
é o pecado que ensina,
destaca a alma para que lá do alto
seja percebida.
-deus!
nenhuma igreja jamais
teve o talento de despertar
minha atenção sempre despercebida.
há tantas reminiscencias na alma,
uma memoria viva que não vive,
mas que habita,
mas que me habita livre.