quarta-feira, 30 de abril de 2008

A CONTRARIO SENSU

anistiada por minha fraqueza, você,
nada em minhas poesias, foge
incansavelmente do meu exílio, e,
leva sempre contigo, de mim, o
outono em que me abrigo...
rainha da minha alma ruinosa
algoz de todas as minhas feridas

cale a dor que me arrasta pela vida.

Diversificando Versos

a tristeza é meu passatempo
a timidez, o cartão de visitas
a verdade, mentira persuasiva
a mentira, verdade suja e omissa
a igreja, hipócrita em demasia.
os homens, corruptos idealistas
a angustia, eterna disciplina
o amor, dor adrenalina
a dor, amor em demasia
a cura, não há cura na loucura
a loucura, a fuga que me atura
a fuga, minha triunfal saída
a saída, drogas em demasia
o poeta violenta as palavras,
as palavras escravizam o poeta, e,
esses versos inquebráveis
versus palavras mortas, são
versos que o amor abriga,
versus escárnios à musa maldita, que,
se esconde explicitamente em
meus relicários, vazios em demasia.

domingo, 13 de abril de 2008

matar você!

do desejo involuntário que brota depois de muito e de insistentemente tentar matar você, eu começo esse poema como o vapor que desesperadamente e feliz em demasia foge da água fervente, sua essência. escavo profundas cavernas em meus medos, minto no propósito da veracidade, as coisas inexplicáveis, e, por isso verdadeiras. minha pessoa feliz tem uma aparência lúbrica e cinzenta, magra e fria como o aço. minha sombra oxidada se arrasta atrás de mim como uma praga cansada e derrotada, planto flores em minha fossa, me abrigo nas cavernas já habitadas por mim mesmo, finjo que tudo bem, não me importo em ti ver, e, no mesmo sorriso blasfemo claramente algo como "desejo matar você", pois meu amor vitalício, explicitamente exposto à ti , é totalmente nocivo pra mim, e, contudo sempre funciona apenas como vício, delírios de um louco que apenas quer se entender. matar você, matar você... amo-te, e, espero que morra sempre que tentar me esquecer, que você se autodestrua no inverso da apatia que cultivo por ti na minha ira. que morra feliz, pois feliz sou em saber que também morri.

domingo, 30 de março de 2008

Poeta sou

o poeta é um fingidor, o fingidor em pessoa.
o poeta é falso na veracidade de suas pessoas,
tão falso quanto múltiplo.
o poeta finge ser mais forte com sua poesia,
engana-se em pensar que tem amparo dentro das suas poesias.
o poeta abriga-se em palavras que revelam sua alma,
em palavras que gritam por sua alma,
o poeta tem a alma bastante fragilizada,
impregnada de palavras que pra ele não dizem nada.
o poeta é um fingidor.
é tentar deixar na poesia a sua dor,
é buscar na poesia a compreensão do amor, e,
é fazer da poesia o santo sudário do amor.
é tudo aquilo que envolve e que dispersa o amor.
o amor é um fingidor, e,
faz do poeta um ser incapaz de ser verdadeiro,

pois ser verdadeiro é fingir ter o amor.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Poesia outonal

e fica cinza o céu das minhas mágoas...
minha conturbada e nublada alegria de viver se encanta com o impulsivo ato de narciso em cortar os pulsos com cacos de espelhos quebrados, com a extinção de Macondo, o terrível destino dos Buendías, a solidão...
e fica cinza o céu das minhas magoas...
minha tristeza como passatempo, meu tempo inerte e voraz, as certezas angustiantes das minhas derrotas eminentes e verossímeis, a dor...
e fica cinza o céu das minhas mágoas...
o passo em falso que dou por temer prosseguir, a culpa que me culpa por não admitir a minha desgraça poética, o desejo de matar-me até o entardecer, a razão...
e fica cinza o céu das minhas mágoas...
o prognóstico do espelho, o uso contínuo de estimulantes depressivos, a cólera da minha calma insuportável, o uso do tédio como algo para fazer, a libertinagem de minhas virtudes dogmáticas, a alienação...
e fica cinza o céu das minhas mágoas...
a ingrata compaixão, os escrúpulos corrompidos na ambição de tentar ser sempre otimista, o sentimento maquiavélico, a tortura da rejeição, o profundo desejo de seguir incompleto e a incapacidade diante da minha perdição, o amor...

e fica cinza o céu das minhas mágoas.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pobre poema apaixonado

como queria não mais me render a essa compulsiva ideia de sempre poemas pra ti escrever. mas como lutar, como censurar esse poeta apaixonado que me abrigas? esse desejo involuntário que brota em meu coração já em cinzas e que sempre bate na direção da responsabilidade de nunca deixar de ti amar. minha dor envolta em eufemismos, minhas palavras sempre claramente apaixonadas entorpecidas em sentimentalismos, partem da mesma premissa, é o preludio que uso como álibi, é o que tenho feito incansavelmente na delirante vontade que meu amor por ti nunca acabe. difícil entender esse impasse, pensar em ti ou fingir não pensar em ti, me enganar e fingir aceitar, ou aceitar e fingir que não me engano, sendo que qualquer plano me leva a ti? ah! criatura admirável, dama que tem a cura para o pranto da minha alma, mulher que no frio de outono é o sol da minha aurora, que nas noites escuras de sextas estranhas é a lua límpida e despida que me leva sempre às nossas doces lembranças, momentos felizes que outrora eternizamos, procure entender o que parte desse eu-poético, não peço que aceite mas, saiba que por mais que soe patético esse involuntário ato, faço poesia para engrandecer o que me ensinastes, e agradeço a ti o fato de hoje sofrer por um dia ter tanto amado. mesmo perdido e solitário ainda tenho forças pra imortalizar aqui esse amor por ti escorraçado, se minha essência é a poesia que escrevo, você é o contexto dos mais bonitos enredos que, fazem dessa compulsiva ideia, meu habitat, meu lar soturno, meu mundo paranoico habitado por mim e pela lembrança tema, que, sempre me ajuda como pauta para meus melancólicos poemas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

"..."

a noite acaba
o dia nasce
eu durmo.
a vida se mata
a morte se corta
eu sumo.
a lua se cora
a pálida cólera
o espelho soturno.
a garota da foto
o papel de parede
da memoria in-foco.
a bebida ainda
me diz que ainda
estou sóbrio ainda.
o amor rompido
seu corpo atenta
à minha libido.
a poesia prosaica
palavras intactas
quase arcaicas.
nas cabeças de uns
lirismo aceito
lugar comum.
no resto “aqueles todos"
é humilhada, lodo
escarrada- loucos!
entendo vou embora
escrevo minha hora
morro e sumo.
a noite desperta
o dia emudece

eu fujo.