quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Facebook

A impressão é
v e r d a d e i r a,
mas a vida de
domingo a
dezembro é
uma farsa.

Desígnio

Meu poeta favorito pintava quadros,
com a verve do seu pincel
as cores e imagens vinham em
versos que os olhos dos que liam
para sempre ficavam perturbados,
mas isso é bom.
A arte nunca veio para remediar os
males, pelo contrário, as angústias dos
Homens a arte lança aos ares,
as dores desta vida está em variados
tons de muitas cores na paleta do artista,
em sua tela tudo cabe.

Meu pintor favorito fazia versos,
versos dos anjos aos demônios
para os meus dominios, para os
desígnios que vão da acolhida ao
abandono. Poemas que a pena
pintava em telas tão cheias de graça
e beleza, páginas trágicas tão belas,
tão sinceras numa felicidade
esmiuçada em rara grandeza.

Viver é bom,
existir é triste e
(acerca disso)
a dúvida é a
única certeza.

Heterodoxo

Você que tudo mede,
que meça tudo, todos,
a noite, o dia,
você sujeito reles,
para o diabo com
o seu deus, para o
inferno a sua poesia.

Religião é métrica,
Deus é régua,
fé é instinto que
vem do berço,
das cavernas.

Sou verso livre
e Deus me livre
se não for,
se não fosse.

Sou primitivo como o
barro preso aos dedos
sujos dos antigos macacos.

Em nada caibo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Entropia

Posso pagar a conta da minha existência,
aparar as pontas da minha rebeldia;
Apagar o histórico das minhas desistências,
aplacar a sede das minhas conquistas,
mesmo que tardías.

Posso ser frio inalterado
abaixo do zero absoluto,
mas continuarei tentando
ser maior ainda.

Tênis

Fadado ao fracasso
calçando minha habitual
farda. Indo eu e o meu
fardo no encalço da vida
atrás da vitória.
Caminhando pelo universo
afora à forra, através de
todas as estrelas, velhas,
semi e supernovas todas.

sábado, 4 de novembro de 2017

Vida

Loucura mesmo é a
matemática, a verdade,
a linguagem. A filosofia
da natureza na simétrica
escrita da pena de Deus
afirmando sempre a
mesma certeza.

Angústia

Eu poderia atravesar a
parede através da minha
cabeça, um balaço, um
pensamento, uma conquista,
angústia, um fracasso...

Eu poderia ser só futeis
lamentos, mas são eles que
me são, são eles a tristeza,
não eu, eu apenas sinto-a,
cinjo-a.

Eu poderia existir dentro
de toda felicidade, mas tola
é a felicidade que é toda o
tempo todo.

Eu poderia atravesar meu
peito através do meu coração,
um punhal, um sentimento,
uma dor numa taquicardia
que ardía presa dentro de cada
pausada pulsação.

Poderia ser, a vida, boa solidão,
mas é dura companhia.

Contra uma existência parasita,
impressão que as vezes o poeta
tem para si sobre a vida,
esse mesmo poeta tem licença
poética para se matar em sua
poesia.