domingo, 16 de outubro de 2016

Overose

Dou-te meu sólido amor
entre um milhão de rosas
e flores, pois no insólito
jardim que és meu coração
não há nada que não seja
metafísico e (salvo as rosas
e as flores) nem nunca houve.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Soneto

Observei a silhueta do invisível,
eram os contornos da solidão.
A aparência que me saltava a visão
era algo dentro do indescritível.

A sós, nós dois, profunda comunhão,
em silêncio respeitando o inaudível,
ceamos sempre a sombra possível,
uma vez que a luz aqui, é escuridão.

O que passo a dizer não é crível,
mas o biombo por onde vi a solidão
em verdade era todos os indivíduos.

Todos são todos e todos são tudo,
menos eu, singular único,
e em mim, muitos eu's em profusão.

Poeta astro

Em si mesmo,
em si a esmo.
Em silêncio,
em sina.

Olhos para as estrelas,
enquanto o universo
cabisbaixo me olha
devolvendo minhas
tristezas.

O corpo é só um suporte
para a cabeça, saúde é
poder segurar entre meus
dedos tortos minha pena e
da cabeça mágica, sem cartola,
sacar fora os poemas.
Versos estapafúrdios agora,
daqui para muito em breve
continuarão os mesmos,
porém, terão os olhos
daqueles que os ignoram.

Versos em aço,
em fogo,
aveludados.
Versos destemidos,
livres, fragilizados.

Assimétricos, alinhados
ao paradoxo, são assim,
desse modo, mais que
antropofágicos,
se alimentam da própria
verve, escarlate como o
sangue que na carne viva
deles mergulha a pena
para fazer da velha senhora
poesia, Vênus.

Ensimesmo,
em si esmo,
o silêncio,
ensina.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Carne da alma

O corpo é ampulheta
de sangue e oxigênio.
Carbono que o tempo
devora.

É carne da alma em
carne viva que expira
em vida para a alma
ir embora...do corpo
morto e, sob terra,
desabitado, o corpo
morto é mera matéria
podre, banquete para
vermes e vermes...e vermes.

Protocolo

O amor aguça meu coração
atrofiado. Em primeiro esboço,
é dele a culpa pelas fobias
que apresenta esse mesmo
pulsador de sangue, ferido e
ensanguentado.

O amor e seu fio cortante,
meu coração viu que foi ele,
frio, vil,
arrancou-o do peito e o
feriu mortalmente, ou quase.

Se sobreviverá ou não só
mesmo o mesmo amor poderá
dizer, já que é ele quem zela
pelas feridas das vítimas que
coleciona, praxe.

Há onde

Quando Buda,
o nirvana o estressou;
Quando Cristo,
no parricídio se vingou;
Quando Deus,
até o Diabo perdoou.

O Homem não.

Quando ateu,
mesmo na Ciência
não acreditou.

Como Homem,
buscou satisfação,
morreu poeta.

Viveu em ilusão.

sábado, 1 de outubro de 2016

Certeza

É outubro de dois mil e
dezesseis, já foste o inverno
e em breve irá também o
próximo mês, e a primavera
quando acabar será verão,
assim dezembro terminará
de liquidar mais um ano e
eu ainda, por minha vez,
nada tenho senão a visão
de que tudo continuará
do mesmo modo até a
chegada do outono e a
certeza fria do incerto
outra vez.