quinta-feira, 12 de abril de 2012

Mariana

despiu-se em Vênus,
crua em pêlo, nua
dentro do desejo e,
não foi em sonho,
não pelo que percebo
ao ainda ver o
espelho contemplando
tua imagem e diante
de tal realidade, tolo,
traduziu suprema beleza
como rara miragem.

fosse possível amar em revelia,
já à amava e tanto que, não
a conhecia os olhos, mas minha’lma
no pranto sempre se fazia calma,
e transformou em canto a elegia que
chora, musicando em alegria a espera
pela minha musa aurora.

provar o próprio sangue,
amar como quem se corta,
com a lâmina do pecado, dos céus…
Mariana me salva.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

por ora

canto o amor dos céus que você profanou
enquanto minha pena suavemente chora
seria então entusiasmo, todo esse amor
que não ficou...enquanto com minha pena cito...

em minha camiseta os Beatles
falam tudo e dizem nada daquilo
que não sou...enquanto minha pena
desenha, nostálgica, o que subjaz o
roquenrou.

talvez seja cedo pra tarde demais
e, em um semblante triste,
um mundo triste nunca mais.

lembra da canção,
do que se cantou;
lembra das canções?
lembrarás de tudo
pelo que se lutou,
das ações...revolução,
por ora,
é paz...para o amor
que se cansou, que se
en(cantou)...enquanto
minha pena suavemente
chora, pelo que agora aqui
versejou.

sábado, 24 de março de 2012

sangue

delicada, bela… musa das mãos em que
brotam gotas de orvalho…minha amada…
que me revela um horizonte
onde não mais vago a esmo, perdido,
sem rumo contínuo…sem destino.
de um amor profano, consanguíneo,
em seu âmago, divino.

arde em meu peito
a paixão que vive
pelo medo, posto que
é perecível o que conjugamos
no “pra sempre” e, sempre
é efêmero o infinito…

oh dona minha,
namorada, prima,
senhora dessas rimas,
perdoa-me o ato
de amá-la e de querer
tê-la acima da moral
-Danem-se a ética, a família…
o que me liberta é o pecado
de me perder em teu corpo,
no desenho do teu sexo,
meu desejo moldado…mas
teu coração é meu graal desejado,
quero servir-me desse cálice
sagrado, onde, dentro da eternidade
do nosso amor, nele quero ser
sepultado.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

o culto ao grito

dito o culto
apresso o passo
ao passo que
passa o luto
oculto. o dito
pelo escrito na
força do timbre
do grito da massa
que passa no paço
e berra ao alto
e pede renúncia
e clama a queda
do estado e lança
à chama e chama o
povo pro novo que
nasce e atesta que
o Homem é livre e
calado é o oposto,
posto que o timbre
ecoou e vive e canta
livre hoje o novo,
livre hoje é povo
que ontem gritou.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

relax

consta no sumário
da minha existência
apenas dois grandes
acontecimentos.

- é o infeliz destino que me fode!

mas sem crise.
vou assim,
na paciência,
do nascimento... até
a morte.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Trifonia

quando os olhos fecham
com a janela aberta, com
a fé que não é cega mas
que não enxerga que o que
vem do céu é queda, e crente
que cristo é aquilo vindo
lá de paraquedas.
quando os olhos fecham
com a janela aberta,
talvez já não precisamos
mais de tantas rezas, a tua
prece que não lhe salva
sugere que eu não engula
a mesma lauda. não me serve.
quando os olhos fecham
com a janela aberta,
num sonho torto, futurista, vi
um Deus misantropo
governando um povo ateu.
deus é Máquina é
em quem o Homem,   o criador,
acredita.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Outrora

Sabe,
não nasci na época
em que desejaria.

Não vi(vi) a
contracultura,
o movimento punk,
a descoberta do fogo,
a semana de vinte e dois,
a expulsão do paraíso.

Nada relevante!

Num velho mundo,
as vezes,
nascer tarde demais
é não ser…, só existir.