sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

relax

consta no sumário
da minha existência
apenas dois grandes
acontecimentos.

- é o infeliz destino que me fode!

mas sem crise.
vou assim,
na paciência,
do nascimento... até
a morte.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Trifonia

quando os olhos fecham
com a janela aberta, com
a fé que não é cega mas
que não enxerga que o que
vem do céu é queda, e crente
que cristo é aquilo vindo
lá de paraquedas.
quando os olhos fecham
com a janela aberta,
talvez já não precisamos
mais de tantas rezas, a tua
prece que não lhe salva
sugere que eu não engula
a mesma lauda. não me serve.
quando os olhos fecham
com a janela aberta,
num sonho torto, futurista, vi
um Deus misantropo
governando um povo ateu.
deus é Máquina é
em quem o Homem,   o criador,
acredita.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Outrora

Sabe,
não nasci na época
em que desejaria.

Não vi(vi) a
contracultura,
o movimento punk,
a descoberta do fogo,
a semana de vinte e dois,
a expulsão do paraíso.

Nada relevante!

Num velho mundo,
as vezes,
nascer tarde demais
é não ser…, só existir.

domingo, 22 de janeiro de 2012

pecados e maçãs

o som do groove do coração
que em meu peito bate lembra
um blues obscuro tocado
antes dum ritual estranho de abate.

esse coração indelicado, quase
um canastrão, traz nele amores
sem tato de um sentimento por
Deus feito a mão.

meu Deus, por quê tantas costelas
e nenhuma Eva em meu coração? dá-me
uma dama que me alforrie do paraíso,

ao meu lado prove pecados e maçãs,
me ame em juízo e comigo, pela
eternidade, adormeça toda manhã.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sinestesia

Lisérgicos lábios de deusa,
bruxa divina.
Pulsa a vulva
beija, chupa a fruta,
suga a seiva, o suco,
degusta o gosto,
desbota a cor.
Usa o sabor,
a melanina no
quadro que pinta,
o artista a língua.
O bardo desejo brada,
afirma:
-és arte maldita
vossa sublime vagina.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

rarefeito

o que importa o que quero, se não há resposta, se há
mistério. não incomoda o
fato que me explora no tanto
que minto no status de sincero.
se fosse agora o ápice, houvesse
existido cumplicidade no clímax
da paixão consumada e, que pelo
fim não se chora, já foi
lavrado o pranto e, portanto,
quanto ao uso desmedido, hoje
é só desforra. da sua falta
em voga, o que era desejo
agora enjoa, o sal da boca,
a saliva, o tempero do beijo,
a melanina, a vagina, o âmago,
o raro amor...rarefeito.
do ruído da partida, o silêncio que
ressoa, a ruptura. tudo foi tudo
tão depressa, a reza, a febre
da oratória do desejo do pra sempre.
o nosso stress nos instantes dos blefes,
e sei, nessa hora que, foi num desses
que a noticia de ir embora, tu não deste.
o que importa a gloria de ter amado,
se o fato é que fui propositalmente
desperdiçado. do meu melhor, do que
seria minha ode perfeita, em minha poesia
a melhor estrofe, não foste.

do erudito, posto falso do amor, à maldita mística do destino,
deixar-se amar em equívoco
na certeza do que sente, morder a maçã
na mesma manhã em que
se ceia a carne acre da serpente.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Entreato

Da esterilidade da pena
Ao celibato do poeta, dizia:
- Deus, o que será de mim se
Todos acreditarem naquilo que
Se escrevia?
Não há poesia,
Não houve poesia,
Nunca haverá!
Sabe-se que a vida se faz
Em eterna elegia quando se
Procura desnudar a alma e
Forjar, sob o mesmo molde,
Poesia. serão os versos translúcidos,
Terá a alma suficiente beleza ou,
Será a vida uma existência vazia?
Não há poesia, não houve, nunca haverá!
É possível andar sobre as nuvens,
Saltar de uma para outra como
Sapos felizes entre nenúfares?
É possível colher rosas no asfalto,
Andar acima do céu, sob o chão,
Como quem caminha descalço?
Seria ainda ontem, o hoje, e o amanhã
Suicidaria.
-Deus, o que será de mim se
Nada disso for poesia?