quinta-feira, 24 de março de 2011

Havia

Lá onde jaz a nascente do céu,
uma pena e um tinteiro.

Meu primeiro amor foi o último amor primeiro.
meu último poema veio antes...do primeiro,
tragédias justificam milagres quando milagres
não são verdadeiros.

Se deus fizesse poesia, o poeta seria metáfora divina,
a pena plagiaria rimas e versos, galáxias, universos
inteiros de velha poesia, e então o poeta primeiro,
um Deus, e o poema, um mundo inteiro...seria.

Lá onde jaz a nascente do céu,
uma pena e um tinteiro...havia.



 

quarta-feira, 16 de março de 2011

ninfa

despe-se dos dezesseis e
desce de joelhos de frente
pra mim, fervorosa como se
estivesse à orar, se farta e faceira
bebe todo o meu manjar.
serve-se e pede à mim que à prove, devore
a inocência que arde em seu sexo, que explode.
oferece a carne e expressa o desejo latente
de invasão. como presente do pecado,
arte erudita do distinto diabo, ela insinua seu sabor,
impõe seu tezão à mim, que, tentado à servi-la,
desfruto do seu jovem corpo de eva, e a sua fruta
que me salva do nada, ao inferno me leva.

segunda-feira, 14 de março de 2011

soneto

ando em completa anomia.
vago a esmo, à toa. marcho
declamando passos de anarquia
fodo o sistema, fundo meu Estado.

fujo e me julgo à revelia,
condeno-me à ser livre, busco
meus vícios, minha alforria.
peco quando não encaro o susto

e surto, assisto as pessoas da sala de jantar
que jazem trêmulas a admirar suas sombras
inertes que enferrujam, na sala de jantar.

eu, arconte de um Estado em anemia,
calculo precisamente o ponto exato em
que me mato, assim, direciono minha rebeldia.



quarta-feira, 9 de março de 2011

dissensão

talvez não fossem apenas metáforas,
quem sabe não apenas palavras.
a poesia que se expressa calada em
emoção, em uma vida que não basta,
na certa sempre sugere revolução.
aquele que dissente da inércia e com
paixão age como égide que dá ação as
palavras, talvez não seja apenas poeta.
não incutas tu a discutir?
as idéias que nascem para refletir na
vontade nata de insurgir-se contra todos os abusos
dos abusos que nos usam à nos destruir.
não incutas tu a discutir?
sugira um rumo nessa vida que te guia,
descubra o que não precisa para não
pesar muito a sua ida. fuçe, force a saída.
revoluciona-te, discuta a poesia.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

coração morto

o pensamento suspira, palpita,
sugere uma poesia tão suave
quanto a alma de alguém que
vem e transpassa nosso corpo.

o fantasma. veio o fantasma apreciar os
versos que palpitam como uma batida de
coração, um choque, um estrondo, encontro
de palavras que velam o coração morto.

o outono. vem o outono já em pranto,
luto, vem absoluto trazendo o posto
que ocupa como jazida de uma poesia
apodrecida que floresce no interior do coração morto.

há a culpa da desculpa de que a lua
havia prometido o seu amor, há a historia
de que esse coração se apaixonou, mas
a lua, a lua o enganou.

o coração anuncia a ultima batida, irá
se auto desligar, destruir, se desprogramar,
segue um silêncio curto e infinito até
a derradeira batida, o coração morto, se desliga.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

queda!

versus voçê verso versos, versos vazios
versos vadios, vacilam, vagam velozes
vagarosamente vão...vorazes vozes vãs!
outrora outros tons
agora outonos não
mais dão cores a
vida sem estação.
expirou, decaiu, fugiu,
morte ao amor, à bela.
ingloria em ascensão,
queda! 

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Diaba

Diaba, fêmea faceira, morde os lábios
e com olhos de feiticeira me devora a
carne, cospe o que prova, na hora que
se despe se mostra, se toca, me pede
para jurar em pecado para provar o seu sexo,
eu provo eu juro eu vicio eu conexo, diaba.