segunda-feira, 13 de setembro de 2010

nada

a cruz à carregar
a certeza de que nunca
fiz o que nasci para fazer,
poeta de truz a lamentar
em incansáveis e desbotados
versos a tristeza da incompetência
da satisfação em se expressar...

se perder em palavras, em
poesia desacreditada, uma maneira
de existir dentro da imagem
do destino que não reflete nada,
cores de uma vida apagada.

minha namorada morreu!

minha namorada morreu!
morta e sexy!
é sexy o corpo morto
me parece bastante atraente
minha namorada defunta
o corpo frio não me da arrepio,
me excita imaginar, tocar
o que sobrou. a morte maldita
não apagou seu sex appeal,
minha amada namorada morta,
me deixou ao morrer,
sucumbiu o amor, renasceu em prazer,
minha namorada morreu!
quem me dera ser um verme
para seu corpo comer,
quem me dera tê-lo, sem adeus

o que outrora era
tão belo não era,
aqui o que se encerra, vida?
a beleza que desperta no
corpo a morte viva,
jaz assim a minha bela.

chão

olho o chão, olho por
onde piso e piso por
onde olho, olho o chão
já pisado, visão do passado,
por onde passaram transeuntes
apressados, passaram à ignorar
o chão. em frente, a diante
ainda pisam o chão,
chão que não se cansa, que
não reclama, que apenas
atua como algo que é,
chão.

soneto

certamente saberás que é amor
o que inquietamente cultivo
em meu peito toda a noite
em meu leito, rispidamente

saberás que é verdadeiro o
desenho romântico do soneto
apaixonado que destilo com
minha pena sincera e loquaz,

entenderás que passeio pelo
infinito quando exclamo à ti
doces versos que busco em meu íntimo
                                                  [assim]

claramente amarás à mim, e
compreenderás que irreversivelmente
seremos pra sempre um do outro o fim.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

art naif

Estrago a fuga ao me deparar
com meu retorno,
viajo ao lago e após
me afogar, mergulho
mais um pouco, no poço,
no lodo. Vendo meu
medo pelo preço de
um apego a figura
dos heróis, vasto é
o desejo de ser honesto
ao modelo de nunca usar
a moda pelo que sois.
Rendo o desespero
dos momentos de
lembrança ao que não sei,
ando meio fora de área
devido a meus passos
concentrados rumo à
ignorar meu alter ego
canalha. Sei que quase
tudo é sobre mim,
meus versos todos
falam sobre algo ruim,
inapto galã, poeta abstrato
de poesia pagã, pena viciada
dona de uma loucura sã...
descreve penares em apoio
a minha superestimada
alto estima anã.
Contudo, ao todo, desequilibrado
chego ao topo, vejo o jeito,
estudo o que é correto
e vou pelo meu modo,
desço do leito, volto a fugir
encaro os estúpidos e me
caracterizo à segui-los.
Mostro que é livre
a maneira que vive
minha arte ingênua,
sublinho o rascunho
queimo a ideia de
padronizar a expressão
de todos que possam
escrever um pouquinho.
É bela a vontade de romper
com os poetas acadêmicos,
violento suas musas que
buscam em minhas trovas
fuga dos versos de bosta,
não tenho limite, nem pauta
escrevo apenas o ensejo de ser
pra sempre o mesmo ser
de vontade livre, individuo
capaz de tentar algo mais
longe de tudo que possa sugerir
qualquer ideia padronizada.
Tolos são os outros
arcaicos e eternos, condicionados.
Prefiro a efemeridade das escolhas
à parte dos donos da cartilha
minha arte é sozinha
mas vive
feliz, pois triste
é um mundo de rimas vazias,
bobas e perfeitas demais.

"abaixo os puristas"

soneto

vamos assassinar os inocentes,
rir da falta de saúde na face dos doentes.
foder a ternura, o encanto, todos os
presentes, a crença no bem, a paz no ambiente.

sou uma bomba de ódio e raiva, sou
o que a vida planejou, sou ódio sou raiva
sou o que me acalentou, sou a fúria que
deus criou pra o homem poder se expressar.

vamos estupidamente sorrir para o apetite
da miséria, desejo uma visão de caos para
todos que possam abrir a janela.

maior do que toda essa minha bestial ira
é o desejo que tenho de me ver
longe dessa imunda vida assassina.

soneto

procurando passar as horas, querendo mesmo
apenas deixar o tempo passar, com calma, lento
refaço em pensamento um estudo cronológico
de todos os meus lamentos. na paz, na pausa.

pego um por um, todos os meus momentos
de apego a falta de glória, palavra de
incentivo: lamuria. analiso todos e os organizo
envaideço-os, e em mim gozo a luxuria, com calma.

percebo que de longe vem-me desejo
de contemporizar com minha infeliz
existência, pego a vontade de sumir e, paciência.

me arrependo do tempo que perdi aqui
me lamento pelo fato de não conseguir

enumerar todos os tormentos que me fazem ser assim.