olho o chão, olho por
onde piso e piso por
onde olho, olho o chão
já pisado, visão do passado,
por onde passaram transeuntes
apressados, passaram à ignorar
o chão. em frente, a diante
ainda pisam o chão,
chão que não se cansa, que
não reclama, que apenas
atua como algo que é,
chão.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
soneto
certamente saberás que é amor
o que inquietamente cultivo
em meu peito toda a noite
em meu leito, rispidamente
saberás que é verdadeiro o
desenho romântico do soneto
apaixonado que destilo com
minha pena sincera e loquaz,
entenderás que passeio pelo
infinito quando exclamo à ti
doces versos que busco em meu íntimo
[assim]
claramente amarás à mim, e
compreenderás que irreversivelmente
seremos pra sempre um do outro o fim.
o que inquietamente cultivo
em meu peito toda a noite
em meu leito, rispidamente
saberás que é verdadeiro o
desenho romântico do soneto
apaixonado que destilo com
minha pena sincera e loquaz,
entenderás que passeio pelo
infinito quando exclamo à ti
doces versos que busco em meu íntimo
[assim]
claramente amarás à mim, e
compreenderás que irreversivelmente
seremos pra sempre um do outro o fim.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
art naif
Estrago a fuga ao me deparar
com meu retorno,
viajo ao lago e após
me afogar, mergulho
mais um pouco, no poço,
no lodo. Vendo meu
medo pelo preço de
um apego a figura
dos heróis, vasto é
o desejo de ser honesto
ao modelo de nunca usar
a moda pelo que sois.
Rendo o desespero
dos momentos de
lembrança ao que não sei,
ando meio fora de área
devido a meus passos
concentrados rumo à
ignorar meu alter ego
canalha. Sei que quase
tudo é sobre mim,
meus versos todos
falam sobre algo ruim,
inapto galã, poeta abstrato
de poesia pagã, pena viciada
dona de uma loucura sã...
descreve penares em apoio
a minha superestimada
alto estima anã.
Contudo, ao todo, desequilibrado
chego ao topo, vejo o jeito,
estudo o que é correto
e vou pelo meu modo,
desço do leito, volto a fugir
encaro os estúpidos e me
caracterizo à segui-los.
Mostro que é livre
a maneira que vive
minha arte ingênua,
sublinho o rascunho
queimo a ideia de
padronizar a expressão
de todos que possam
escrever um pouquinho.
É bela a vontade de romper
com os poetas acadêmicos,
violento suas musas que
buscam em minhas trovas
fuga dos versos de bosta,
não tenho limite, nem pauta
escrevo apenas o ensejo de ser
pra sempre o mesmo ser
de vontade livre, individuo
capaz de tentar algo mais
longe de tudo que possa sugerir
qualquer ideia padronizada.
Tolos são os outros
arcaicos e eternos, condicionados.
Prefiro a efemeridade das escolhas
à parte dos donos da cartilha
minha arte é sozinha
mas vive
feliz, pois triste
é um mundo de rimas vazias,
bobas e perfeitas demais.
"abaixo os puristas"
soneto
vamos assassinar os inocentes,
rir da falta de saúde na face dos doentes.
foder a ternura, o encanto, todos os
presentes, a crença no bem, a paz no ambiente.
sou uma bomba de ódio e raiva, sou
o que a vida planejou, sou ódio sou raiva
sou o que me acalentou, sou a fúria que
deus criou pra o homem poder se expressar.
vamos estupidamente sorrir para o apetite
da miséria, desejo uma visão de caos para
todos que possam abrir a janela.
maior do que toda essa minha bestial ira
é o desejo que tenho de me ver
longe dessa imunda vida assassina.soneto
procurando passar as horas, querendo mesmo
apenas deixar o tempo passar, com calma, lento
refaço em pensamento um estudo cronológico
de todos os meus lamentos. na paz, na pausa.
pego um por um, todos os meus momentos
de apego a falta de glória, palavra de
incentivo: lamuria. analiso todos e os organizo
envaideço-os, e em mim gozo a luxuria, com calma.
percebo que de longe vem-me desejo
de contemporizar com minha infeliz
existência, pego a vontade de sumir e, paciência.
me arrependo do tempo que perdi aqui
me lamento pelo fato de não conseguir
enumerar todos os tormentos que me fazem ser assim.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Quadradez
deixo ser o que
procuro encontrar
dentro do que possa
existir em mim.
deixo ser o que
será de mais sagrado!
o reflexo dos
desejos ruins.
o tão aguardado
sonho débil, o reflexo
estudado atrás da
realização do fracasso.
deixo ser o que
diz o meu cansaço
exacerbado, programado
para agir no passado.
deixo ser o que
diz a máxima dos tolos,
"quando o dedo mostra o céu
o imbecil olha o dedo".
meu tão aguardado
poema de quadras,
feito de desejos de
aprender à usar as palavras.
deixo ser o que
sai dessa pena enferma,
vejo vazio um universo
de versos autênticos desse poema.
deixo ser o que
sempre tento ser em cena,
procuro achar minha persona,
onde outrora, desenhou esse poema.
deixo ser o que
é sempre coisa alguma.
me vejo pelo que sei, mas
sei que não sou porra nenhuma.
deixo ser o que
em mim possa ser toda
a estupidez, pois como poeta
vadio, vago em minha quadradez.
terça-feira, 27 de julho de 2010
romântica
quem aprisionou o amor longe de mim?
não viu minha dor chorando, fez-me assim
absoluto abandono, calor de outono
brisa ruim...
autora do fim...na minha destruição
a agente...a ação!
magnânima dama do adeus
quem me interditou, recusou
à mim podê sentir o que poderia
ser o melhor de mim
calou-me.
procuro viver de loucuras,
bebidas, vadias, drogas...
tento ser o mais profano possível
pois o contrario é a realidade sem ti,
inadmissível. não posso aceitar
o erudito, tendo que viver o peso
da falta do sentimento
que você tornou maldito
condenou-me.
não viu minha dor chorando, fez-me assim
absoluto abandono, calor de outono
brisa ruim...
autora do fim...na minha destruição
a agente...a ação!
magnânima dama do adeus
quem me interditou, recusou
à mim podê sentir o que poderia
ser o melhor de mim
calou-me.
procuro viver de loucuras,
bebidas, vadias, drogas...
tento ser o mais profano possível
pois o contrario é a realidade sem ti,
inadmissível. não posso aceitar
o erudito, tendo que viver o peso
da falta do sentimento
que você tornou maldito
condenou-me.
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