sexta-feira, 6 de agosto de 2010

art naif

Estrago a fuga ao me deparar
com meu retorno,
viajo ao lago e após
me afogar, mergulho
mais um pouco, no poço,
no lodo. Vendo meu
medo pelo preço de
um apego a figura
dos heróis, vasto é
o desejo de ser honesto
ao modelo de nunca usar
a moda pelo que sois.
Rendo o desespero
dos momentos de
lembrança ao que não sei,
ando meio fora de área
devido a meus passos
concentrados rumo à
ignorar meu alter ego
canalha. Sei que quase
tudo é sobre mim,
meus versos todos
falam sobre algo ruim,
inapto galã, poeta abstrato
de poesia pagã, pena viciada
dona de uma loucura sã...
descreve penares em apoio
a minha superestimada
alto estima anã.
Contudo, ao todo, desequilibrado
chego ao topo, vejo o jeito,
estudo o que é correto
e vou pelo meu modo,
desço do leito, volto a fugir
encaro os estúpidos e me
caracterizo à segui-los.
Mostro que é livre
a maneira que vive
minha arte ingênua,
sublinho o rascunho
queimo a ideia de
padronizar a expressão
de todos que possam
escrever um pouquinho.
É bela a vontade de romper
com os poetas acadêmicos,
violento suas musas que
buscam em minhas trovas
fuga dos versos de bosta,
não tenho limite, nem pauta
escrevo apenas o ensejo de ser
pra sempre o mesmo ser
de vontade livre, individuo
capaz de tentar algo mais
longe de tudo que possa sugerir
qualquer ideia padronizada.
Tolos são os outros
arcaicos e eternos, condicionados.
Prefiro a efemeridade das escolhas
à parte dos donos da cartilha
minha arte é sozinha
mas vive
feliz, pois triste
é um mundo de rimas vazias,
bobas e perfeitas demais.

"abaixo os puristas"

soneto

vamos assassinar os inocentes,
rir da falta de saúde na face dos doentes.
foder a ternura, o encanto, todos os
presentes, a crença no bem, a paz no ambiente.

sou uma bomba de ódio e raiva, sou
o que a vida planejou, sou ódio sou raiva
sou o que me acalentou, sou a fúria que
deus criou pra o homem poder se expressar.

vamos estupidamente sorrir para o apetite
da miséria, desejo uma visão de caos para
todos que possam abrir a janela.

maior do que toda essa minha bestial ira
é o desejo que tenho de me ver
longe dessa imunda vida assassina.

soneto

procurando passar as horas, querendo mesmo
apenas deixar o tempo passar, com calma, lento
refaço em pensamento um estudo cronológico
de todos os meus lamentos. na paz, na pausa.

pego um por um, todos os meus momentos
de apego a falta de glória, palavra de
incentivo: lamuria. analiso todos e os organizo
envaideço-os, e em mim gozo a luxuria, com calma.

percebo que de longe vem-me desejo
de contemporizar com minha infeliz
existência, pego a vontade de sumir e, paciência.

me arrependo do tempo que perdi aqui
me lamento pelo fato de não conseguir

enumerar todos os tormentos que me fazem ser assim.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Quadradez

deixo ser o que
procuro encontrar
dentro do que possa
existir em mim.

deixo ser o que
será de mais sagrado!
o reflexo dos
desejos ruins.

o tão aguardado
sonho débil, o reflexo
estudado atrás da
realização do fracasso.

deixo ser o que
diz o meu cansaço
exacerbado, programado
para agir no passado.

deixo ser o que
diz a máxima dos tolos,
"quando o dedo mostra o céu
o imbecil olha o dedo".

meu tão aguardado
poema de quadras,
feito de desejos de
aprender à usar as palavras.

deixo ser o que
sai dessa pena enferma,
vejo vazio um universo
de versos autênticos desse poema.

deixo ser o que
sempre tento ser em cena,
procuro achar minha persona,
onde outrora, desenhou esse poema.

deixo ser o que
é sempre coisa alguma.
me vejo pelo que sei, mas
sei que não sou porra nenhuma.

deixo ser o que
em mim possa ser toda
a estupidez, pois como poeta

vadio, vago em minha quadradez.

terça-feira, 27 de julho de 2010

romântica

quem aprisionou o amor longe de mim?
não viu minha dor chorando, fez-me assim
absoluto abandono, calor de outono
brisa ruim...
autora do fim...na minha destruição
a agente...a ação!
magnânima dama do adeus
quem me interditou, recusou
à mim podê sentir o que poderia
ser o melhor de mim
calou-me.

procuro viver de loucuras,
bebidas, vadias, drogas...
tento ser o mais profano possível
pois o contrario é a realidade sem ti,
inadmissível. não posso aceitar
o erudito, tendo que viver o peso
da falta do sentimento
que você tornou maldito
condenou-me.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

oxitimia ataraxica

procurando pelos caminhos da ideia
de conquistar a totalidade da
circunfêrencia do meu mundo,
todas as verdades dessa busca,
os eternos segundos das minhas lutas,
a ação da dislexia à aviltar minha paixão,
minha conduta.

sei que para chegar é preciso ir, mas
minha queda em ascenção não me
permite partir, tenho a intenção de vencer,
uma desculpa para seguir, prosseguir e
admitir que sim, o talvez insiste em existir...

quantos versos preciso perverter,
ou à quantos devo submeter a minha escrita?
aproximar a vontade de obter satisfação,
junto a ideia de conter os impulsos da alma?

disciplina subversiva
cocaína antidepressiva
fatídica adrenalina

no coração apenas versos
de emoção, não há sentimentos
vivos, o que ainda resta são fantasmas,
vícios da ilusão, minha solidão assombrada
oxitocina ectoplasmica
oxitimia ataraxica...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

lamentos

tivesse eu socorrido-me à tempo,
hoje não seria apenas poeta de lamentos.

sorri-se eu para as desventuras da minha existência,
hoje para como minhas conquistas
não ficaria apenas na iminência.

-se eu soubesse administrar minha problemática capacidade,
e fosse, quem sabe, audaz na minha força de vontade,
hoje minha liberdade seria capaz de me abrigar
em toda e qualquer possibilidade.

um personagem à margem da vitória,
as conquistas, sintomas que desconheço
meus desejos, cismas... buscas pela glória.

não fosse dono de um coração independente,
o amor talvez não fosse um sentimento indiferente,
interessante em sua escencia, mas esse poeta vazio,
pelo amor se encantou apenas pela aparência.

-hoje penso...

tivesse eu socorrido-me à tempo
hoje não seria apenas poeta de lamentos.