segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Poesia essa

poesia adoecida, doída.
apodrecida e, inexorável.
a culpa que culpa o poeta
por ser dono das linhas
emancipadas, palavras
aprisionadas em sentidos, e
que sentido faz tudo isso!!?.
a que preço sofre esse poema
enfermo que, vem sem propósito
como o poeta que sonha em
logo ser póstumo. não há
créditos aqui, minha pena há tempos
procura por méritos, mas, o que
produz ao certo não é belo, ao certo
não diz nada, inexpressiva. mas à ela
me entrego, poesia essa, que vicia e,
sugere os meus penares como especialista, é
uma tribuna livre onde...

o silêncio ecoa a a...ressoa, vive.

Morra-me

aplausos enaltecidos que obedecem
o rigor de um insulto. ovacionam-me
os ultrajes que permitem os desastres
emocionais do meu ego, que, impresso em
minhas preces precárias, destinadas à todos
os outros eus que sucumbem incrédulos de
tanto acreditar que nada irá calar o lirismo
patético da dor que impregna o peito do
poeta simplório, que, esconde em suicídios
a aversão que tem pela versão dos outros

sobre seus modos esdrúxulos e introspectivos.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Palavras mortas

visto um terno cor de tempo.
as vezes me confundo do que não me lembro,
se é da cor ou se é do tempo, e, se visto
mesmo um terno ou sudário, cor de tempo também,
porem, levemente outonizado, uma farsa válida
que tem meu corpo magro e cinza como habitante eterno,
pois esta morto. está vestido de tempo nublado,
de dia que chove, de dias que chovem e chovem, sim,
só porque chove, como agora que está morto,
como esta nublado e vai chover, está morto com aval
para apodrecer e, vai feder.
sou um forte cheiro de morte consumada,
numa noite chuvosa de outono sou o cheiro
de um corpo morto e desabitado...

visto um terno cor de tempo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Pássaros

Os pássaros que não observo,
que nunca prestei atenção, passam.
pego a pena e começo escrever versos,
mas não escrevo versos,
nunca gostei de versos!
não sei escrever nada além
do que observo:
então como posso escrever versos
a pássaros que não vejo?

-os pássaros passam.

soneto

esclarecido. como ser assim, esclarecido!?
como dizer que, sim, sou exatamente isso!
se ao terminar isso, não mais saberei dizer
o que quer dizer isso.

preciso. como ser assim, imprescindível!?
como viver assim em busca de exatidões
necessárias, se eu sei que as poucas coisas
que preciso são supérfluas e enigmáticas.

simpático. como ser assim tão afável!?
como sorrir assim em busca de atenção,
se a minha intenção de sorrir é improvável.

simples. como ser assim, puro!?
se oriundo de varias crenças e substâncias
ortodoxamente simpáticas, precisas e pouco
                                                [esclarecidas].

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Se eu não escrevesse versos

se a chuva me dissesse pouco,
se o meu quarto não elucidasse
sempre um fosso como abrigo.
se o quarto não fosse um prelúdio
escapismo, um sumario interlúdio
que dispersa o meu fim. acerca
de tudo que se renova, o meu
espírito desperta, desova o gemido
derradeiro, o último ato, aguardado
com fervor, como excitado aguardava
deus pelo pecado primeiro.

ah! se a chuva me dissesse pouco,
talvez não fizesse versos, com certeza
os versos não me fariam também, e,
as flores que colhi não seriam apenas
força de expressão, ação de quem declama
suaves passos pelo jardim e, pensando em se perder,
sem medo diz amém.

ah! se a chuva me dissesse pouco,
quaresma, posto que me encontro.
com a alma em pranto a espera de uma
anistia que nunca virá. amargura impressa
na visão vulgar do poeta, que, espera
a chuva como sinal de fuga do
liquido que vem os olhos esterilizar.

ah! se essa chuva me dissesse pouco,
se meu coração tivesse apenas mais
uma unidade de consumo, teria eu
então mais um infortúnio, pois,
assim acreditaria tudo no vicio de amar,
aceitaria de novo o amor, teria mais uma
chance de ver-me ridicularizado, e,
voltaria a magnitude incógnita de um verme
apaixonado.

ah! se esses versos se calassem um pouco.

sábado, 23 de agosto de 2008

Poetas Eternos


capacitei minha inexpressiva vontade
de vencer;
apoio com ofensas minha força de vontade,
minha auto estima e, pra tudo que é sagrado,
o meu parecer;
reconciliei-me com minha proposta suicida e,
assim, proponho à mim,
aqui,
a morte de todos os mártires.

as palavras que proclamam o fim
sempre serão atuais, pois é delas
a voz que trás o grito que irá se
calar enfim,
assim,
o poeta sepulta os últimos versos,
faz da sua pena a grande responsável
pela ascensão da morte dos
poeta eternos.