quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Apenas jamais

lembro que funciona como espelho e, refletia nada ao mesmo tempo. era como uma coisa sem sentido, uma incerteza insana. era uma poesia com glossário, uma canção por dinheiro, um beijo para a paz. como nos filmes de Charlie Chaplin, talvez fosse a voz no momento mais mágico do cinema mudo. assumo tudo e, procuro pensar se realmente mesmo não fosse apenas ou jamais.
acho que não amei você!
acho que não amei você!
lembro que a letra da canção distorcia tua alma como oferenda ao roquenrou. a canção era fraca, reprise de um show de demonstração de como usar o seu computador, era a mesma coisa de sempre, pois eu sempre queria. lembro que funciona como espelho e, refletia nada ao mesmo tempo, é como uma lúcida certeza com nenhum sentido.
acho que não amei você!

acho que não amei você!

Eu, os outros e minha poesia

os outros me dominam. me fazem mau como quem tira o brinquedo de uma criança. a musica pop as vezes me emociona, o meu raciocínio é estável como é instável o meu controle emocional. são os outros, eles me dominam.

os outros me dominam. me influenciam, é como se o poder de persuasão fosse as drogas e a minha resistência fosse o vicio. a minha derrota é evidente, é morte à todos os amotinados é revolução de merda. são os outros, eles me torturam, me dominam, me tiram a palavra e depois tentam criar um diálogo.

os outros me dominam. me deixam livremente aprisionado numa camisa de força da moda, uma proposta, usar meu corpo de janela. é a globalização, os outros, o autoritarismo, os outros, o consumismo. os outros me doutrinam, me dão um deus que me castigará por viver, é dar o brinquedo para a criança e à proibir de brincar.

os outros me dominam. são os meus senhores, donos do poder. me viciam em dinheiro e depois escondem a droga de mim, as vezes me sinto como Abel negociando seu perdão à Caim. são os outros eles me derrubam e estendem a mão e, eu me apoio mais uma vez na mão do meu opressor.


os outros me dominam.me falam a verdade apenas para concluir uma frase, é a infidelidade da amizade, pois os outros não são amigos, não meus. são apenas pauta para minha poesia, faço com eles aqui o que eles fazem comigo lá fora, longe dessa histeria. são os outros, eles me dominam, me fascinam, me auxiliam em minha poesia.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Poesia da janela

vou embora contando os passos(me perco dentro de um limitado e infinito espaço) penso em voltar mas finjo estar apressado(ignoro o relógio e repenso-será que volto?)junto minhas coisas e espero, penso inquieto sobre o certo(acerto o relógio e desperto)

a poesia da janela voltou, me trouxe você olhando a lua e, pedindo desculpas sobre algo que a mesma pálida lua nunca se importou.
a lembrança me trouxe você em um sonho desses que, sonhei. e aí me vi ti olhando admirado num passado tão recente quanto um sonho passado que, sonhei!

a janela aberta sempre à espera, aflita me avisa com uma vontade besta de fumar um cigarro, me queimo então aceso na fenda aberta da parede, sinais de fumaça vão com o vento, o cigarro se convence de incertezas, e agoniza já em brasas, na janela da ideia perdida da egocêntrica certeza.


me perco dentro de um limitado e infinito espaço(vou embora contando os passos)acerto o relógio e desperto(junto minhas coisas e espero, penso inquieto sobre o certo)ignoro o relógio e repenso-será que volto?(penso em voltar mas finjo estar apressado).

Duas estrófes

estou ainda longe
mas pra que correr?
do tempo eu quero um tempo
pois o tempo é só um peso a mais
do tempo eu quero um tempo
apenas um momento
só pru'm verso a mais
e nesse passo eu vou
aonde ninguém me alcança mais
hoje sei quem sou
o resto, o que passou
não importa mais

estou ainda longe
mas pra que correr?
do tempo eu quero um tempo
pois o tempo é só um peso a mais
o tempo eu traço lento
solto ele no vento
com um verbo a mais
e nessa ataraxia
trago a poesia
com um algo a mais
ti dou um beijo e digo:

"guarde esse amigo que não volta mais"

Quarto, um cigarro a pensar

quarto.um minuto se enforcando no relógio
do tempo insólito de um único lugar.
é a paz na balança, excitada e eufórica
de tanto brincar. meu pensamento é
um sujeito estranho e simpático que
observa a garotinha sem piscar.
a angústia então o obriga a pegá-la
e num ritual estranho dilacerar o corpo
da paz num gesto simples de pensar e
depois gritar "drogas, drogas..."
quarto. um minuto a pensar,
o cigarro com o dedo vai longe e
de longe vem ou volta o habitante desse lugar
se sentindo culpado e estranho

de um simples cigarro na janela do quarto ao luar.

O lamento das coisas mortas

lágrimas no jardim da noite,
lágrimas no jardim do quarto.
o quarto vomita uma grande fúria em cima de mim sempre que nos encontramos. uma rosa negra da palma da mão do quarto eu colho toda vez que os meus olhos se expressam de uma forma límpida, liquida e sincera.
lágrimas no jardim da noite,
lágrimas no jardim do quarto.
paredes e mentes, emoção e razão brincam de roleta russa entre um desespero e outro, a loucura me procura e oferece ajuda "indoor", há um código de barras em minha liberdade, sou livre como é livre os meus vícios, minhas necessidades, a possibilidade de voar...
lágrimas no jardim da noite,
lágrimas no jardim do quarto.
como o pensamento que voa livre ao acesso de um mundo sem cabeças;

e uma cabeça que vive a não se importar com todo o pensamento que seja ou que possa se amotinar; é o poeta sem sucesso (d)escrevendo tudo em versos a fragrância do penar, a janela aberta, o quarto, o luar e a dor. tudo exposto à prosas. uma triste poesia chamada o lamento das coisas mortas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

À mulher

venha e me deixe
me despreze e me beije
me ame e faça, seja.

me peça e me tenha
me use e de mim seja,
senhora, dama, puta, helena.

me ame e me mate
me cale e me acalme,
mãe seja.

devore a minha carne
esculpe a minha lápide
meu epitáfio, escreve no mármore.

ser que o infinito sabe
e o ardor das fêmeas descreve em frases:
"o amor venceu mais uma vez o sagrado ritual do abate"

no ar a fragrância da vitória,
um suave cheiro de virgens
atinge a libido dos vermes, da escória.

e tudo acaba e começa
como missa de domingo, promissora reza.

o pecado despido em corpo de mulher, Eva.