domingo, 24 de maio de 2026

A Maldição

Os que vivem pela poesia
morrerão pelo frio fio do
aço do próprio verso.
Morrer de poesia, pelas
mãos da própria poesia 
morrer, quem diria, um
poeta que tanto quis servir
a poesia, que tanto quis 
vê-la livre e fê-la livre, a
primeira coisa que Ela fez
ao desvencilhar-se das
amarras da métrica foi
matá-lo, envenenou sua
verve e serviu para ele como
se fosse um doce e inofensivo 
verso.

O corpo do poeta jamais foi
encontrado, e dizem que sua
desgraçada alma habita cada
um de todos os seus poemas,
e que ao serem lidos, ela passa
a assombrar pelo resto da vida
e a habitar os pensamentos do
leitor desavisado que teve a
infelicidade de ler tão 
desgraçados e malditos versos.

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