sexta-feira, 14 de julho de 2017

Soneto

Há ruídos arruinados,
não há mais som,
não existem mais fonemas:
há ruínas no áudio.

No mundo não há
mais barulho, contudo,
ainda ouve-se o pulso
do tempo a tiquetaquear.

Não há mais musica
senão os mudos lábios
do silêncio a assobiar

a contracultura do vácuo,
é a melodia do nada,
a ausência de tudo a soar.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Sit et erit

O passado foi eu,
fui eu!
Eu que no presente
não existo ainda,
eu, que no futuro,
o último que me resta,
serei o único a ter
em meus fosseis a
confirmação de que
realmente fui eu,
foi eu!

domingo, 9 de julho de 2017

Não hoje

Desde deste dia
em diante,
desde desta data,
esta,
não antes,
não hoje,
desde ontem
eu soo como um
ruído agudo
numa vida surda
e quieta.

E então um dia,
não hoje,
quando eu for
silêncio, toda a
vida será uma
festa.