domingo, 15 de junho de 2008

Vãs tristezas

a pena que fere o papel traz tristezas.
a pena que apoia o poeta o aflige.
a pena que de versos a folha tinge,
é a arma desse colecionador de poemas.

a dura pena vive o pálido poeta, que,
proibido de sangrar a pena, vive a esmo,
a espera da morte, preparando o enterro
de todos os versos que produz sua mente inquieta.

sem lira, sem lua e sem dama.
vai triste o homem que outrora
brilhava como sol da aurora, e,
que agora sem musa chora...

por quais linhas andará sua pena?
seu coração já sem ação, não bate, ressoa.
palpita no peito, sem vida, atoa.
não há poesia nada mais há em cena.

a arma desse colecionador de poemas
é a pena que de versos a folha tinge.
a pena que de versos a alma aflige..

o poeta e a pena, vãs tristezas.

soneto

minha linguagem poética viciada,
minha poesia não se lança ao acaso.
ela nasce já sabendo todos seus passos
e faz uso de ideias novas, todas já arquivadas.

preciso quebrar o monopólio,
preciso romper, foder a etimologia.
acabar com esse vício, mudar a fraseologia
que compõe meus poemas simplórios.

vou matar o poeta, cuspir em sua face.
calar minha alma, me deter no clímax,
abandonar a musa, desatar o enlace.

ah! falsas e vazias palavras amargas,
não me permitam abandonar a magoa,

não deixem que minha poesia se cale.