terça-feira, 25 de outubro de 2011

soneto

meu modernismo latente, clássico,
faz de mim um vanguardista
ultrapassado, sob a tutela da apátrida
arte, também sou um antropofágico.

um anacrônico na tese avant garde,
no presente ou no passado, não se
sabe aonde cabe, encima do muro
um futuro com um calendário à parte.

contemporânea tolice insistir na
mesmice de outros tempos, mas há
de vir com novos ventos um advento

em crise, não pertencer a nenhum tempo,
no entanto, contemporizando com a vontade
de que o esquecimento não o eternize.

soneto

superlativo de homem é guerra,
à estuprar a natureza, a mãe violentada
que hemofílicamente sangra, numa incestuosidade
profana absoluta e unilateralmente sincera.

superlativo de homem é guerra,
maldito a se atualizar durante as eras,
duma beleza metálica, fria, bélica, a
condenada alma nata à destruição, no

corpo não traz um coração, tens no peito
uma medalha de honra a guerra à aviltar
o semelhante numa reciprocidade céga.

extinguir o amor que restou nesta Terra,
e em todas as outras terras,
a herança dos homens será a guerra.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

cinzas

sabe aquela fogueira
que queima de dentro
pra fora e devora
toda a carne da madeira?
- sou uma recém apagada.
minha alma é a fumaça
que sobe, pra onde vai
ninguém sabe. e o poeta
que em brasas morre,
finalmente descobre,
nas cinzas, a metafísica
da morte.

Poética

meu palanque,
a tribuna livre
que me dispersa
da agonia,
meu levante,
minha rebeldia.
a pena entusiasta,
militante, num lirismo
com botinas punks
- A anarquia é minha poesia.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Défice

não há nada que
possa explicar, nesta
vida árdua, a falta de
conquistas, as lutas
inglórias, todas as
armadilhas do coração,
que, em ilusão, acabaram
em mágoas. busco acreditar
em vidas passadas pois, sem
esse karma, nada
justificará um fracasso
já em minha primeira
temporada.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Girassois Tetraplégicos

o que fiz da vida,
na vida que não me fez?

Se fosse apenas poesia,
ah, quem dera houvesse
magia além de toda essa
atmosfera dum outono
eterno que não deixa
primaveras e sóis de verão
serem sinceros.
Soturnos Girassois Tetraplegicos.

Entendo os loucos e os mendigos.
para si mesmo, tarde demais,
assim mesmo, olhamos para nós,
é o que fiz da vida e não o que a
vida faz, tanto não fez que tanto
faz...não insista o profeta em tentar
com o que resta pintar poesia, tolice
insistir nisso, a vida  o tratará como
falso poeta e pseudo anticristo,
dislexia...não se trata de como seria,
pois não será. Raimundo seria só rima,
o poeta disse e eu fui acreditar. A vida
nada mais que duvida da vida e dos
versos que fui versar...um dia...

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

morre o poeta e fica a poesia

não fui feliz desenhando versos.
e, os versos que fiz, me disseram
certa vez que, ao invés de
feliz, eu era poeta.
nessa de descobrir que não seria feliz,
passei a não mais produzir poesia, e
então o poeta que queria alegria,
não gozou felicidade, morreu triste.
existia apenas naquilo que escrevia.
calou-se a pena, e, satisfeita,
a vida sorria, pois
morre o poeta e fica a poesia.