terça-feira, 30 de abril de 2013

ausência

a vez do silencio. foi o que ouvi,
foi o que houve.
foi o que de audível veio no vento,
a voz do silencio.
suave, tão límpido
como algo que não se move
até os tímpanos. mas como audível?
a vez do silencio. foi o que senti,
foi o que soube.
foi o que calou aonde coube,
a voz do silencio.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

sonhos

Quem poderá negar a si mesmo,
fechar os olhos e sonhar.
Digam que vivi pela poesia.
Deus, quem pode isso negar?

Quem deixará de sonhar,
esconder a si mesmo no
outro, e o outro se esconde
em sonhos e deixa sempre
pra depois o acordar.

Deus, quem pode isso negar?

Digam que a vida é um pesadelo denso,
dissolvida aos poucos no dia a dia. E
todos se acham sempre tão propensos
a sonhar, acreditam em esperanças e utopia.
Sabe-se que isso é insonia e covardia,
e nada, ninguém que não seja você, pode
isso mudar. E tudo volta a ser o mesmo...
Deus, quem poderá isso negar?

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Tutorial

De quantas máscaras de narciso
será preciso para se fazer poesia.

Quantos versos e universos
terão que não existir para
que a métrica possa moldar
o poema e assim por ele se
exprimir.

Quantas musas terão que
ter seu hímen preservado
para que o poeta bitolado
possa disseminar seu
lirismo estéril em versos
singelos para virgens idosas.

Quais pseudônimos irão
calar a pena e crava-la
no coração dos poemas,
quantos heterônimos
censurarão a lira de
nossos loquazes demônios
e suas iras.

Quem será o responsável
pela poesia viciada,
moldável à forma exata
de como não arder em
alforria.

Quem terá a capacidade de
se juntar à uma já terrível
quantidade de mais dos mesmos.

Há um ÁS capaz de a isso por têrmo?

terça-feira, 16 de abril de 2013

Highway Heart

quanta bobagem ando escrevendo,
uma caminhada desamparada.
tropeçando em versos tão mau
colocados que, nessa calçada barata,
é uma ida ao chão a cada passo dado.

e não há nada que se encerra na queda,
na cena, encena alguém que se levanta,
se põe de pé um poema que já não anda,
e tanto esforço força a sintaxe a sentar-se
enquanto ainda se levanta.

enquanto ainda lhe resta tato,
humilhado, o poeta estende a mão,
pois ainda que seja lirismo barato,
são versos que transitam no trôpego
tráfego da auto estrada do coração.



terça-feira, 9 de abril de 2013

soneto

hei você, sujeito miserável!
tua escrita não te faz um astro.
desprezível teu trívio, trivial.
és o mais medíocre poetastro.

das possíveis composições do alfabeto,
é nulo e tolo teu vocábulo poético,
e ainda que lhe valha a poesia,
és limitado como os poetas métricos.

não é difícil entender que as palavras
são dignas apenas de quem as mereçam,
os como você, elas mandam às favas.

agora vá, e que suas ideias cresçam.
se um dia conquistar as palavras, trate-as
com furor, ainda que não mereçam.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

oximoro

poesia é frente única,
anverso.
universos em
entrelinhas
contidas no 
verso.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Core

sofro de afasia,
é difícil compreender tu'alma
e até essa constatação, em mim,
é compreensão rara.

fujo da solidão que me afaga.
a não presença minha em teu âmago,
em meu peito é lâmina, adaga.

se não posso
eu não faço,
mas o que faço
quando não posso?

há buscas, no entanto,
não há conquista.
-teu coração.

a busca,
quanto a ação,
assaz fracasso.