quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Lord Vil

Óh grande Deus,
Divindade absoluta
Do monopólio das possibilidades,
Meu senhor que reverencio
Em minhas preces, minha religião
O capitalismo selvagem.
Dai-me a graça,
Ajuda-me a ser seu discípulo,
Seu mais fiel mercenário,
Corrompa-me à adora-lo,
Dá-me a felicidade,
Sei que nada sou sem ti.
Só perante sua cotação
Terá fim a minha
Incapacidade. faz de mim
Instrumento da tua obra,
Peço misericórdia para minha
Fraqueza, abençoa-me para não
Mais temer em usar, acima de tudo
E de todos, teu nome, tua inabalável
Certeza, sou fruto do uso da tua grandeza.
Mesmo quando não for necessário, que
Eu consuma cada vez mais para não
Cair na tentação do pecado de acreditar
Que posso viver sem tua proteção, sem teu
Aval que faz de mim superior entre os
Fracos e pobres covardes, ineptos no
único mandamento do capital, lucrar.
eu oro eu lucro, minha bênção, minha
Glória final, meu culto.

soneto

meu modernismo latente, clássico,
faz de mim um vanguardista
ultrapassado, sob a tutela da apátrida
arte, também sou um antropofágico.

um anacrônico na tese avant garde,
no presente ou no passado, não se
sabe aonde cabe, encima do muro
um futuro com um calendário à parte.

contemporânea tolice insistir na
mesmice de outros tempos, mas há
de vir com novos ventos um advento

em crise, não pertencer a nenhum tempo,
no entanto, contemporizando com a vontade
de que o esquecimento não o eternize.

soneto

superlativo de homem é guerra,
à estuprar a natureza, a mãe violentada
que hemofílicamente sangra, numa incestuosidade
profana absoluta e unilateralmente sincera.

superlativo de homem é guerra,
maldito a se atualizar durante as eras,
duma beleza metálica, fria, bélica, a
condenada alma nata à destruição, no

corpo não traz um coração, tens no peito
uma medalha de honra a guerra à aviltar
o semelhante numa reciprocidade céga.

extinguir o amor que restou nesta Terra,
e em todas as outras terras,
a herança dos homens será a guerra.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

cinzas

sabe aquela fogueira
que queima de dentro
pra fora e devora
toda a carne da madeira?
- sou uma recém apagada.
minha alma é a fumaça
que sobe, pra onde vai
ninguém sabe. e o poeta
que em brasas morre,
finalmente descobre,
nas cinzas, a metafísica
da morte.

Poética

meu palanque,
a tribuna livre
que me dispersa
da agonia,
meu levante,
minha rebeldia.
a pena entusiasta,
militante, num lirismo
com botinas punks
- A anarquia é minha poesia.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Défice

não há nada que
possa explicar, nesta
vida árdua, a falta de
conquistas, as lutas
inglórias, todas as
armadilhas do coração,
que, em ilusão, acabaram
em mágoas. busco acreditar
em vidas passadas pois, sem
esse karma, nada
justificará um fracasso
já em minha primeira
temporada.