quarta-feira, 29 de setembro de 2010

poema descartado

que bom que a vida me sorri,
depois de tanto não esquecer que
vi você partir, ti vejo ainda tão
linda, a mesma musa que um
dia eu à mereci. mas hoje não
aprecio o modo que deixa
existir, você só me olhou,
não me releu, posto que eu queira
ser um poema seu, se encarasse
minha alma iria perceber o quanto
ela brada por você,e esse é o valor
dela que tanto estimo. se houvesse me
relido compreenderia a maneira minha
de amar nas entrelinhas do meu estilo.
há amargura sobre mim e em toda a
extensão consumada do meu destino,
isso se deve ao fato de um dia
eu em ti ter existido, hoje escurraçado
vago por aí tropeçando em meu declínio,
sou vasto de um amor aborrecido
admitido em recusa por você
mais uma vez me expulsa de tentar ti
merecer. mendigo humilhado,
poeta ultrajado, um pobre diabo
apaixonado, que na intenção de
pertencer a você se transformou
em poema para habitar os seus
guardados, acabou como papel amassado
jogado à lixeira, descartado.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

me suicidou

você me suicidou,
após você, eu em mim
acabou. não existo no
que sobrou, dei fim
no que sou para
não lembrar que amei,
amei e esse amor me
suicidou.
deixar que vá embora
a pessoa que se amou,
matar-se a toda hora
pensando em quem se amou...
aquela que se foi
dissipou o meu amor
me fez não ser com
o que passou, me fez assim, e,
assim não sou, me suicidou.

estiagem

prometi que faria apenas
poesias apaixonadas, versos
de amor. fui buscar
inspiração dentro das
lembranças da única
dama que amei, não achei,
o que trouxe comigo
apenas vestígios de talvez.
talvez eu jamais houvesse amado
com a mesma energia que
ela me deixou - não tivesse
me amado, dona, não do jeito
que não bastou.
e agora, por ora, não
haverá versos de amor.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Casmurrice

Diga ao velho mundo
Que cansei das boas novas;
Diga a surda tecnologia
Que minha natureza humana
É clássica e tradicional;
Diga as minhas preces que
Deus é misantropo ;
Diga a minha amada que nunca
Penso nela quando me masturbo,
Mas diga que a amo;
Diga às vadias que hoje
A noite é das virgens,
E diga as virgens que
Nessa noite todas são vadias;
Diga a meus amigos que
Suas garotas são feias, gordas e frias,
Mas diga que são fervorosas
Quando querem agradar;
Diga aos idiotas que
A estupidez é um abrigo
Pois a sabedoria é um passe
Livre para a loucura;
Diga a loucura que já
Me sinto abrigado;
Diga a José que sua busca acabou,
Que a poesia o esqueceu e
O horizonte se dissipou;
Diga ao poeta que se cale,
Mas que sua pena justifique
A casmurrice.

assim

há treze minutos e cinco anos atrás
vive em minha memoria o começo do
desastre que meu coração sofreu, ainda
se recupera de um grande trauma.

há treze minutos e cinco anos atrás
conheci uma garota impiedosa e honesta, meu
amor já não era mais aceito, minhas bobagens
já não tinham graça, meu potencial questionado.

há treze minutos e cinco anos atrás
me vi diante de uma fraqueza que até
então não havia provido, incapaz de suportar uma
rejeição, tornei-me capaz de não mais amar.

há treze minutos e cinco anos atrás
morri. nunca mais me recuperei dessa perda
hoje sou poeta, sou um vagabundo,
um sujeito de extrema tristeza, hoje sou poeta.

há treze minutos e cinco anos atrás
passei a domesticar as minhas mais selvagens
ideias, as palavras que dão fuga a minha arte
habitam meus pensamentos profanos e ordinários.

há treze minutos e cinco anos atrás
depois de não ser mais o que provavelmente eu não
conseguiria ser, decidi não me humilhar mais pra minha
existência, passei a escrever versos e viver dessa maneira.

há treze minutos e cinco anos atrás
pedi um ultimo beijo à minha musa algós
com os lábios tremulos colhi da boca da dama
que me feríra seu beijo de adeus, que me deu para a partida.

há treze minutos e cinco anos atrás
tudo aconteceu exatamente assim
há treze minutos e cinco anos atrás
comecei a trilhar um caminho vazio pro fim.

poeta canalha

há um lugar aonde todas as
musas permanecem intactas
mudas, puras e castas, possuem
o desejo de serem tocadas, de
de que lhes aflorem a alma,
sintam seu perfume, e às
devorem com calma.
flores ansiosas por adubo,
musas que respiram o anseio
de atenção, virgens que trazem
consigo, não o sonho encantado
de um príncipe qualquer, fulano,
mas o ardor de serem
transformadas em mulher
pela pena de um poeta profano,
dono de palavras que
lhes toquem o âmago,
poeta viril, capaz não apenas
de lhes dar a graça de
habitarem livres na poesia,
mas que tambem possa ser
um competente amante vil
que às violente em suas
mais sórdidas fantasias.
nesse claustro, impregnado
pelo cheiro do cio, habita um
poeta canalha, capaz de
transformar a mais pura musa
dona de encanto juvenil, na mais
suja e sórdida vadia que
nos versos de todas as poesias
jamais existiu.

soneto

toda essa insatisfação que vem assim
gratuitamente, me propicía a ser
improprio para a liturgia, toda essa inquietação
é a ação dos meus versos pedindo alforria.

oque rima com dislexia, as palavra que
minha pena cospe na face da poesia?
como posso emancipar versos, poemas, sonetos
se ao lhes dar forma definitiva passarão a ser
[obsoletos]

não posso eu, poeta misericordioso
impedir que existam livres por aí
rimas e rimas provenientes do ócio

e que elas sempre tragam em si
o poder que a poesia tem de
libertar, subverter, perverter.
[eis o propósito]

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

nada

a cruz à carregar
a certeza de que nunca
fiz o que nasci para fazer,
poeta de truz a lamentar
em incansáveis e desbotados
versos a tristeza da incompetência
da satisfação em se expressar...

se perder em palavras, em
poesia desacreditada, uma maneira
de existir dentro da imagem
do destino que não reflete nada,
cores de uma vida apagada.

minha namorada morreu!

minha namorada morreu!
morta e sexy!
é sexy o corpo morto
me parece bastante atraente
minha namorada defunta
o corpo frio não me da arrepio,
me excita imaginar, tocar
o que sobrou. a morte maldita
não apagou seu sex appeal,
minha amada namorada morta,
me deixou ao morrer,
sucumbiu o amor, renasceu em prazer,
minha namorada morreu!
quem me dera ser um verme
para seu corpo comer,
quem me dera tê-lo, sem adeus

o que outrora era
tão belo não era,
aqui o que se encerra, vida?
a beleza que desperta no
corpo a morte viva,
jaz assim a minha bela.

chão

olho o chão, olho por
onde piso e piso por
onde olho, olho o chão
já pisado, visão do passado,
por onde passaram transeuntes
apressados, passaram à ignorar
o chão. em frente, a diante
ainda pisam o chão,
chão que não se cansa, que
não reclama, que apenas
atua como algo que é,
chão.

soneto

certamente saberás que é amor
o que inquietamente cultivo
em meu peito toda a noite
em meu leito, rispidamente

saberás que é verdadeiro o
desenho romântico do soneto
apaixonado que destilo com
minha pena sincera e loquaz,

entenderás que passeio pelo
infinito quando exclamo à ti
doces versos que busco em meu íntimo
[assim]

claramente amarás à mim, e
compreenderás que irreverssivelmente
seremos pra sempre um do outro o fim.